domingo, 10 de agosto de 2014

Adormecer

Olho para o mar,
procuro o longe,
procuro a côr, a forma, o som, cheiro...

Mas, no horizonte da noite,
só o sol da lua se consegue ver
a voz do vento e a voz do mar se escutam,
o cheiro das estevas, que por perto se adivinham.

Se os meus olhos fossem olhos de ver!
De ver para lá do que não se pode ver...

Então carrega-se o ficheiro antigo,
gravado e mil vezes processado,
o ficheiro da recordação.
E está lá tudo:
a côr - da pele-
o som - da voz-
a forma - do sorriso-
o jeito - do andar-do falar- e do dizer

Então a imensidão do horizonte noite
ganha contornos do teu ser.

Serenamente
começo a adormecer.


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