segunda-feira, 27 de outubro de 2014

A fingir

Um dia o vento
sincero e assertivo
fez valer sua vontade
e percorreu o mundo
sem maldade
e sem lamento
e semeou destruição e caos
sem caridade.

O mar ergueu-se em ondas de bravura
e varreu o lixo deixado pelo vento:
coisas e pessoas,
animais.
Numa tempestade de loucura
agreste e cruento
cometendo atos  brutais.

Depois, sorridente de ironia,
como se o acontecer não tivesse acontecido
lá bem alto
desafiando vertigens,
inundando o céu e a terra de luz
a acordando até a morte que dormia,
apareceu a lua.

Serena e ignóbil.
Uma lua que fingia.


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