quinta-feira, 9 de junho de 2011

Palavras tortas

Dizem-me o que é proibido,
o que se deve calar,
o que deve ser escondido
e o que há a revelar.

Mas não é para nada disto que eu quero as palavras.
Porque o que eu quero é que as palavras
saibam quebrar as rimas, as regras, a semântica,
mandar à fava a congruência, esquecer a rítmica da obediência,
negar a inocência.
Que as palavras rasguem as normas como se rasga um trapo ou se parte um vidro,
atirem ao chão e pisem a constituição,
e o os 10 madamentos
e os regulamentos
e os regimentos.

Que as palavras por uma vez
lancem fora as albardas
e se permitam construir frases sem sentido se assim lhes apetecer
ou frases idiotas mas alegres de o serem.

O que eu quero é que as palavras se registem em livros sem folhas
onde a leitura se faça nos espaços em branco onde as palavras não se vêm
para que só as entendam os que estiverem nus.

Brancas, soltas, livres, desprovidas de conceitos,
que as palavras sejam gaivotas de espaços longe
transportadas por ventos irados de mudança.

Quando as palavras, por fim , forem assim,

eu escreverei, sem pedir licença.

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