quarta-feira, 1 de junho de 2011

Una história velhinha recontada

Um estrondo, na casa em silêncio. Levantou-se do sofá onde, tranquilamente ia sabendo as últimas sobre a"crise" O barulho pareceu-lhe ter vindo do quarto. E lá estava  o seu estimado Rembrandt caído no chão.
Nada partido nem estragado, felizmente.
Precisava só de um prego e dum martelo para que tudo voltasse à normalidade.
Só que não tinha uma coisa nem a outra. Àquela hora só deslocando-se ao Centro Comercial....trinta minutos para lá e mais trinta para cá. Que seca!
Foi quando se lembrou do vizinho do último andar, o "engenhocas", como era conhecido no prédio, por andar sempre a arranjar e a inventar ....engenhocas! Por certo ele havia de ter um prego e um martelo que lhe pudesse emprestar.
Calçou os sapatos e saíu para a escada.
Na verdade, subir 6 andares sempre era melhor que gastar 1 hora de caminho, pensou.
 Subiu até ao 1º patamar e pensou que  àquela hora era quase certo ele estar em casa- quase hora do jantar. E continuou a subida.
Chegou ao 2º andar e pensou: "pior é se ele já está a jantar... " e continuou a subida. Chegou ao 3º andar pensando na possibilidade de não lhe abrirem a porta por estarem a jantar, mas que tanto havia de insistir, que por certo lha abririam.
E continuou a subir.
Agora, já no 4º andar,  veio-lhe à cabeça que, embora lhe abrindo a porta devido à sua insistência, poderia o vizinho ficar desagradado por ser incomodado a meio da refeição. mas que, explicando-lhe o caso, a situação se resolveria sem mais problemas.
Continuou a subir a escada.
Chegado ao  5º andar, ocorreu-lhe que, na verdade, raras vezes tinha falado com o tal "engenhocas" até porque o achava um personagem um bocado estranho. E sendo assim, poderia ser provável que o tal engenhocas ficasse mesmo irritado de estar a ser incomodado à hora de jantar. Quem sabe não seria mesmo desagradável com ele, recusando-se a emprestar-lhe o martelo e insultando-o até. Poderia mesmo chegar a empurrá-lo pela escada abaixo, ou a agredi-lo. E deu por si, com estes pensamentos já no 6º andar à porta do " engenhocas".

Bateu então, à porta. De imediato ouviu passos, sentiu mexerem na fechadura da porta e passados segundos , ai estava ele o tal de "engenhocas", à sua frente, dizendo:  "Boa noite Vizinho!"

Então, virou-se para o "engenhocas" e disse: "Olhe lá, seu filho da puta, subo eu esta escada toda e você não me empresta o martelo e o prego só porque foi incomodado à hora de jantar? Vá à merda, seu cabrão."

Desceu as escadas em passo apressado e entrou em casa.
Descalçou os sapatos.
Sentou-se no sofá e ficou, tranquilamente a ouvir notícias sobre a crise.

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