quinta-feira, 30 de junho de 2011

Vítima de bullying .... Talvez ou talvez mais....

Chega. Nunca o tinha visto.
Anda cá na escola?
Não, está em ensino doméstico, porque foi vítima de bullying.

(E por acaso eu perguntei isso? Precisava de saber isso? Contribui essa informação em quê para a minha função? E não é já bullying o "apontar o dedo" a dizer "Olha, este foi vitima de bullying"?)

Enquanto se aproxima o tempo do início do exame, peço-lhe o BI, pergunto se tem telemóvel, e observo-o.

(É muito educado e tímido,  muito nervoso...Relembro o que me foi dito.)
E é. Tudo isso. Pois é.
Mas é mais: é uma mão mole, submissa, que me aperta a minha, ao chegar à sala, é um rosto que se esconde em cabelos longos, uns olhos que não olham, é uma voz de timbre de adolescente macho, mas em que a melodia  é discordante.
Coloca dúvidas sobre o que tem de fazer pois não esperava um exame prático. Mais uma vez, a colocação da voz é transparente.
Uma hora e meia. Uma tortura de tempo. Para quem não sabe, ainda pior.
Finalmente o fim. Entrega.
Antes de saír, pergunto se lhe correu bem. Responde que muito bem, e agradece, sabendo bem que não. Para agradar.
Sai.
Para se ir fechar de novo no seu reduto familiar. Para fugir ao bullying.... Pois.
Mas de mais o quê?
Ele sabe. Ou talvez nem saiba bem. E fechou-se. Trancou-se dentro das suas 4 paredes ou trancaram-no, não sei.
Aí aprende, estuda, levanta-se, alimenta-se e dorme. E provavelmente sonha.

Vítima de bullying, porquê?

Talvez porque seja mais fácil, afinal, ser-se "vítima de bullying" do que  da discriminação.
Para os pais, seguramente. Tanto, que o trancaram ou o deixaram trancar-se.

Conseguirá um dia abrir a porta?

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