sábado, 27 de agosto de 2011

Presença

Cruzam-se os rostos, aos milhares,
na multidão, que faz o verão ser verão,
e de repente, no meio de tanta gente,
detecto ao longe os teus olhares
com emoção.

É o teu sorriso que lá está
a espreitar no meio de tanta confusão.
E até distingo a tua voz no meio de tanta voz!
Porque será?

Mas onde?...

No sol da areia queimam-se os sentidos
os corpos deitados reclamam atenção
e de repente vejo-te ao longe
e avanço com passos decididos
na tua direcção.

Mas onde?

Talvez no éter que rodeia o Mundo
no éter que respiro fundo
vagueies e eu te sinta.

Porque, de resto, tudo o que escrevi
não é mais
                do que ter estado a gastar tinta!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Resiliência

A distância, o tempo.
O esquecimento.

Mas se a memória brinca
e resiste,
então nem  distancia nem  tempo
nem chuva nem vento...
nem esquecimento.

Porquê?

Mas porquê "Porquê?" e não "Porque não?"?
se nem tudo tem de ter razão

Seja noite ou seja dia
posso ver à mesma
e sentir à mesma
e mesmo na distância.

A ausência não tem, pois, importância!




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Carlos Brito

Vi o livro em exposição no quiosque e decidi compá-lo. Espantosamente a empregada perguntou-me se não o queria autografado. O Sr. Carlos Brito havia de passar por lá daí a pouco. Aliás ela era vizinha dele.
Pois claro, já me tinha esquecido: Carlos Brito é de Alcoutim, aliás um dos seus livros conta as histórias de passagens de fronteira nos tempos da guerra civil de espanha, aqui por estas bandas...
Carlos Brito apareceu momentos depois, no bar do referido quiosque, para autografar o livro. Sentámo-nos e conversámos um pouco.
Estranhamente até parecia que ele tinha lido um dos últimos posts do meu blogue, pois o tema da conversa foi sobre o privilégio de tanto a geração dele como a minha, terem sido gerações de esperança e de ideais. E a nossa conversa acabou cheia de interrogações sobre ... a vida dos netos.
Lá foi ele regar o quintal, com a ajuda da neta e eu continuar a minha praia com o livro dele na mão.
Bons tempos em que a voz grave do Carlos Brito se fazia ouvir tonitroante no parlamento, um tempo em que tanto ele como eu estávamos cheios de certezas, que hoje nem ele nem eu já temos.


domingo, 14 de agosto de 2011

Já uma estrela se levanta!

Acabei de ler o livro da Helena Pato, "Já uma estrela se levanta".  Quero aqui recomendá-lo como leitura de férias. Escrito numa linguagem muito acessível, conta-nos histórias reais de quem lutou antes do 25 de Abril pela liberdade e conta-nos como se podia sofrer na própria pele as consequências dessa luta.
Vale a pena ler este livro com atenção para ficarmos a entender melhor "o quanto custou" a liberdade e a democracia que hoje temos!

Há mais vida nas escolas!

Porque há, nas escolas, mais "Vida", para além da avaliação dos professores!!!
Nuno Crato reorienta as preocupações da sua governação para outras áreas e entende que há que, rapidamente, descentralizar as preocupações dos docentes da sua própria avaliação. De facto nestes últimos anos obrigou-se os professores a passarem o tempo olhando "para o seu próprio umbigo" - como se o sentido de tudo o que se faz numa escola fosse dado pela avaliação docente, que, no entanto, nunca passou de uma farsa bem montada para gáudio da alguns. A enorme confusão e buocracia do processo de avaliação dos professores, não acrescentou um "miligrama" de melhoria ao processo de ensino dos alunos, muito antes pelo contrário, já que maior foi a preocupação em mostrar serviço para contar para a avliação do que fazer efectivamente serviço pedagógico!
Ao relativizar a importância da avaliação dos docentes, Nuno Crato presta um bom serviço às escolas, aos professores e em epecial, aos alunos portugueses!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fado da morte

Quantos são? Deixados ficar por entre as gotas
da chuva fininha do tempo,
congelados na memória
mas mortos.

Mortos que fui eu quem matou,
por razão nenhuma,
sem saber porque os matava,
sem saber porque os matei,
ou talvez por vingança
de me terem morto a mim também.

Dirão que é o Fado,
o Fado não se constrói
alguém no lo destinou
só isso.

Em desespero espero
que algum ainda esteja vivo:
mergulho nas ondas do facebook
como se os mortos também usassem net!

E de repente,
pára a procura, pára a ilusão,
o Fado senta-se ao meu lado
e diz-me que muita morte ainda está para acontecer.

 Percebo, então,
que tu me vais matar...

Sem razão nenhuma
sem saberes porque me matas.

Talvez só porque o Fado
não perdoa
e vinga a morte de quantos
eu já matei um dia.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sonhos

Era uma vez uma terra, nada distante daqui, porém bem longe, em que cada cidadão vivia um sonho.Um projecto/sonho.
Nessa terra havia sonhos para todos os gostos e cada um sonhava à sua maneira, mesmo quando sonhava um sonho que era de muitos.
Nessa terra, na hora das eleições, ninguém olhava para as fotografias dos candidadtos, ou, pelo menos, pouco olhavam para elas, porque o que importava saber ao votar, era em que projecto/sonho se estava votando. Também por isso os programas eleitorais falavam pouco de medidas a curto prazo, importava pouco saber se iam aumentar os impostos ou descer, o que importava era dizer qual o desígnio final com que cada um se apresentava às eleições.
E, claro, pouco havia quem ficasse em casa no dia do escrutínio, porque ir preencher o boletim de voto significava para cada cidadão daquela terra, um passo que dava na construção do seu sonho.
Cada projecto /sonho, porém, não era pessoal, mas sim um projecto global para a terra de que falamos, embora, evidentemente, cada um pensasse que esse rpojecto/sonho se viria  a reflectir  necessariamente, depois de construido, na vida pessoal de cada um.
Ir votar era uma festa, naquela terra. Os cidadãos levatavam-se cedo e faziam filas intermináveis à porta das secções de voto, em que, cidadãos voluntariamente se haviam anteriormente proposto para a constutuição das mesas de voto, considerando uma honra o facto de ali estarem para ajudarem a concretizar a escolha livre do projecto, por parte de cada um. Se lhes dissessem que lhes iam pagar para o exercício daquela função, sentir-se-iam gravemente ofendidos!
Nessa terra, cantava-se bem alto a canção em que um poeta dizia:

"Eles não sabem nem sonham,
que o sonho comanda a Vida,
........................................... "

Era bom  viver ali, numa terra em que a esperança estava ali, ao virar de cada esquina, e cada utopia era uma certeza.

Essa terra podes encontrá-la no google mapas, exactamente aqui, onde  nós estamos!
Mas está porém bem longe daqui, situada num tempo que só aguns tiveram o privilégio de viver.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A corrente

Mandaram vir o vento:
Soprou o vento,
com força de mil gigantes,
fazendo estremecer  até as rochas,
                                  mas a corrente não quebrou.

Mandaram depois a chuva:
e a chuva choveu tanto, molhou tudo e todos tanto,
e oxidou os ferros
e oxidou as almas,
                                 mas a corrente não enferrujou.

Mandaram vir o alicate:
que corta ferro, que amassa e amolga
que destrói e verga tudo o que se lhe entrega.
                                Mas a corrente resistiu.

Durante meses e meses
semanas após semanas,
ora vento ora chuva, ora alicate ora, ora
tanto fizeram, tanto tentaram, tanto e tanto forçaram...
Só que em  vez de enfraquecer,
ganhava força a corrente,
                           mais resistente a tornaram.

Essa corrente tão forte,
que resiste a tanto e todos,
pego-lhe eu com mil cuidados
toco-lhe com as pontas dos dedos,
com medo que se desfaça,

                           de tão frágil que ela é!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma questão de sinapses

Eu  queria esmigalhar os ossos do meu crâneo
ou então fazer buracos neles,
buracos grandes,
e colocar à vista meus nerónios,
Então,
sinapses sem controlo com o exterior
nasceriam espontãneamente.


Porque assim,
seria desnecessário
                                 dizer-te.

Album de recordações

Edit Piaff

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