sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A corrente

Mandaram vir o vento:
Soprou o vento,
com força de mil gigantes,
fazendo estremecer  até as rochas,
                                  mas a corrente não quebrou.

Mandaram depois a chuva:
e a chuva choveu tanto, molhou tudo e todos tanto,
e oxidou os ferros
e oxidou as almas,
                                 mas a corrente não enferrujou.

Mandaram vir o alicate:
que corta ferro, que amassa e amolga
que destrói e verga tudo o que se lhe entrega.
                                Mas a corrente resistiu.

Durante meses e meses
semanas após semanas,
ora vento ora chuva, ora alicate ora, ora
tanto fizeram, tanto tentaram, tanto e tanto forçaram...
Só que em  vez de enfraquecer,
ganhava força a corrente,
                           mais resistente a tornaram.

Essa corrente tão forte,
que resiste a tanto e todos,
pego-lhe eu com mil cuidados
toco-lhe com as pontas dos dedos,
com medo que se desfaça,

                           de tão frágil que ela é!

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