sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fado da morte

Quantos são? Deixados ficar por entre as gotas
da chuva fininha do tempo,
congelados na memória
mas mortos.

Mortos que fui eu quem matou,
por razão nenhuma,
sem saber porque os matava,
sem saber porque os matei,
ou talvez por vingança
de me terem morto a mim também.

Dirão que é o Fado,
o Fado não se constrói
alguém no lo destinou
só isso.

Em desespero espero
que algum ainda esteja vivo:
mergulho nas ondas do facebook
como se os mortos também usassem net!

E de repente,
pára a procura, pára a ilusão,
o Fado senta-se ao meu lado
e diz-me que muita morte ainda está para acontecer.

 Percebo, então,
que tu me vais matar...

Sem razão nenhuma
sem saberes porque me matas.

Talvez só porque o Fado
não perdoa
e vinga a morte de quantos
eu já matei um dia.

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