Hoje apetece-me soltar as palavras,
que elas sigam o seu próprio curso,
sem contolo, sem destino prévio,
transportando em si os genes meus, porém.
Que digam o que lhes der na gana!
Ou então, não digam.
Passeando-se e mostrando-se por aí, tão só.
Façam o que quiserem.
Não lhes vou dizer para contarem de mim,
nem para explicarem o que é a esperança suicidada.
Acho que elas, aliás, nem sequer o saberiam fazer.
Palavras, são sempre palavras:
existências estúpidas que julgam traduzir sentimentos.
ou que julgam saber "contar coisas"...
Julgam -
enganam e enganam-se.
Vão pois pelos seus próprios pés,
tornem-se palavras autónomas.
Falem do que quiserem ou não falem.
Porque
o que eu quero dizer,
será divulgado no éter.
espraiando-se pelo Universo todo,
sem necessidade de som, sequer de letra, quanto mais palavra!
»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»» » » » »
Seguiu. Já está no éter!