quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Prego no peito

Maldito prego.

Espetou-se, encravou-se, enferrujou. Ficou.
Se o tiro, morro do sangue que sai.
Se o deixo, morro da infeção que trás.

Bendito prego que me alivia o tempo!!!

Corridas inpensadas

Ovelhas à solta
árvores retidas por raízes tentaculares.
E no espaço, por cima das cabeças,
as estrelas:
brilhando mortas, sorrindo mortas., piscando assinalando a morte.

Ovelhas inconscientes,
que se passeiam por entre as prisões da vida,
ignorando a realidade da paisagem estática,
do passar estático do tempo,
da Vida feita pedra imóvel de tão pesada para mover-se.

Ovelhas idiotas!!!!

Futuro desdentado

Andei mares de procuras,
por entre o próprio tempo,
nos inter-espaços do ser,
infiltrado em meta-existências,
na busca do objecto certo,
daquele preciso e exacto
que seria a ponte.


Mergulhei bem fundo na desrazão
tanto que me perdi na ilusão,
e acabei ficando lá como prisioneiro.


Moro, pois, nessa prisão
donde o que quero, sei que não alcanço,
o que alcanço é me desprezável
e o futuro
         é só uma galinha que partiu os dentes.

Ofertas

Assim, sem grande "pensar",
saindo ao correr da pena
como lágrimas a jorrar
sem caminho definido
simplesmente palvras
que se soltam ao ar
sem propósito ou desino.

Mentira! Sempre a mentir...
O destino é bem traçado
mesmo que seja miragem
por nunca se atingir;
por mais   que esteja apontado
nas mágoas do meu sentir.

E as palavras são concretas.
reais e intencionais,
mesmo sa não atingem metas
que se ausentam por demais.

Tiro o corpo e deixo a alma
desprovida de barreiras.
Paredes, deito-as abaixo.
Sem portas nem fronteiras
deixo aberto todo o espaço
que sou .

Mais.? Não tenho. Nem sei que possa haver.

É a mim todo que estou a oferecer.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

http://youtu.be/x0rMSHdi5Jw

Extra

O espanto de te descobrir:
porque invertes o devir
alterando o curso normal do conhecer.

Cada faceta nova que me mostras
não traz consigo a decepção,
nem o triste descobrir da ilusão.

É como o livro que a cada página lida
acrescenta a ânsia de  ler mais
parando-nos o tempo, pausando-nos a vida.

Descubro-te em frases do acaso
aprendo o que escondes de ensinar
e eu encontro ao perscutar.

Apreendo das estratégias que não contas
e que achas que não sei!
E que eu desvendo , sem fazer perguntas.

Absurdamente o conhecer não estraga
a aura que faz tempo vejo em ti.
Insisti, persito,agarro, invento,
só para te ler no tempo.... dum momento.

.


.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Elogio ao analfabetismo

Sei ler o teu cérebro,
lá por dentro,
leio a química dos teus neurotransmissores.
E, portanto, sei.
O que pensas,
quando dizes e quando não dizes.
E quando dizes eu sei
se é verdadeiro ou não.

Não sei porque é assim.
Não treinei sequer o dom!
Olho para ti começo a ler...
E descubro...
                   que ser analfabeto é bom!

Marcar passo

Passos perdidos, num tempo morto de pedras podres.
Passos que passam sem passar e pisam maceram, marcam,
sem objectivo e sem destino.
Passos que marcam passo.

Todos os relógios do mundo pararam.
Não há presente porque deixou de haver futuro.
Vivemos no ontem.
Já não somos:

éramos.

Dentista

Ah! Ah!
Não te darei o gosto!
Não saberás.
Do meu desgosto
não ouvirás.

Até te faço um sorriso,
representando a felicidade!
Não terás qualquer aviso
do que sinto de verdade.

Segue o teu caminho,
breve e apressado!
Ficarei sozinho
triste mas calado.

Também no dentista
quando a dor se abeira
me faço de autista
e não dou bandeira!

Éter

Hoje apetece-me soltar as palavras,
que elas sigam o seu próprio curso,
sem contolo, sem destino prévio,
transportando em si os genes meus, porém.

Que digam o que lhes der na gana!
Ou então, não digam.
Passeando-se e mostrando-se por aí, tão só.
Façam o que quiserem.

Não lhes vou dizer para contarem de mim,
nem para explicarem o que é a esperança suicidada.
Acho que elas, aliás, nem sequer o saberiam fazer.
Palavras, são sempre palavras:
existências estúpidas que julgam traduzir sentimentos.
ou que julgam saber "contar coisas"...
Julgam -
enganam e enganam-se.

Vão pois pelos seus próprios pés,
tornem-se palavras autónomas.
Falem do que quiserem ou não falem.

Porque
o que eu quero dizer,

será divulgado no éter.
espraiando-se pelo Universo todo,
sem necessidade de som, sequer de letra, quanto mais palavra!

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Seguiu. Já está no éter!

domingo, 6 de novembro de 2011

A Estrada

Conheço bem aquela estrada. Posso mesmo dizer que a percorri vezes sem conta. Longa , larga ,não alcatroada . Os carros passam e levantam poeira . Pouco frequentada. Ando nela a pé . À direita , bosques , pinhais , florestas . Entro sempre por um deles . Caminho sozinha , há luz , devem ser umas 3h da tarde . Entre as folhas das árvores altas sinto o calor ameno . Ando . Despreocupada . Não há carreiros . Olho à esquerda e vejo um pequeno lago arredondado com pedras aqui e ali . Tem patos . Sento-me numa das pedras e fico ali a olhar para os patos por pouco tempo . Levanto-me e prossigo a caminhada . Encontro uma chave grande de ferro . Apanho-a e apalpo-a . Pesada mas levo-a comigo . Continuo . Mais à frente , junto a uma fonte , uma taça de madeira , parece um cálice . Leve . Outro despojo para a colecção que não tenho . Retomo o caminho em frente ou zigzagueando . Ando , ando e...chego ao fim que não é fim mas algo de diferente .
 Vou para casa.
                                          Augusta Maia

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ácido

Procuro as palavras que não estão,
nos emails que não recebo,
nas conversas sem enredo
nos encontros que não são.

Fico à espera no meu canto,
deprimido e sem encanto,
sem saber o que fazer,
com vontade de não ser.

Espanca-me a indiferença
como se fosse pau de marmeleiro,
que sem pedir licença
me matsse o corpo inteiro.

Então, chegam de mansinho
bidons repletos de ácido sulfénico,
que se vai espalhando, bem devagarinho
enquanto eu me transformo em esquizofrénico.
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