quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Éter

Hoje apetece-me soltar as palavras,
que elas sigam o seu próprio curso,
sem contolo, sem destino prévio,
transportando em si os genes meus, porém.

Que digam o que lhes der na gana!
Ou então, não digam.
Passeando-se e mostrando-se por aí, tão só.
Façam o que quiserem.

Não lhes vou dizer para contarem de mim,
nem para explicarem o que é a esperança suicidada.
Acho que elas, aliás, nem sequer o saberiam fazer.
Palavras, são sempre palavras:
existências estúpidas que julgam traduzir sentimentos.
ou que julgam saber "contar coisas"...
Julgam -
enganam e enganam-se.

Vão pois pelos seus próprios pés,
tornem-se palavras autónomas.
Falem do que quiserem ou não falem.

Porque
o que eu quero dizer,

será divulgado no éter.
espraiando-se pelo Universo todo,
sem necessidade de som, sequer de letra, quanto mais palavra!

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Seguiu. Já está no éter!

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