Sombras negras, inesperadas,
cobrem o sol, a terra, a lua,
sombras opacas cheias de morte e de tenura seca.
Esperança murcha, futuro queimado, horizonte que já não se vê,
passos perdidos em caminhos estúpidos
tempo gasto em objetivos idiotas.
Só as sombras justificam o tempo,
só as sombras justificam este viver sem rumo.
Nada dá brilho ao que não tem cor,
nada explica a frieza do sentir e do agir,
nada explica a indiferença,
a não ser,
o avolumar das sombras da insensibilidade.
De manhã, já não há cantos de aves, nem risos de crianças
abafados pelo peso do negro deste tempo em que a morte reina.
Morte do sentir, morte do tocar, do ouvir e do olhar.
Agora sim, sem todo o constrangimento que qualquer luz provoca,
ganhamos a liberdade plena:
somos, portanto, livres,
para sermos indiferentes.
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