Imagino-me com o ar mais idiota do Mundo. A espreitar à porta da sala de professores. E a olhar em volta, a escadaria de acesso e os corredores. Tão idiota devia estar, que ela reparou e sorriu, julgando-me colega.
Mas não, naquele preciso momento não era colega, mas ex-aluno.
Naquele espaço, em dois anos, tanta coisa aconteceu...
Perguntei-lhe pelo velho ginásio, e fiquei a saber que andaa l´estava, com as mesmas varandas de antes, mas agora destinado a reuniões (anfiteatro).
Mas já antes, já antes....Quantas RGAS, ali. Quantas discussões acaloradas...Verdade, foi ali que pela primeira vez comecei a fumar!
Mas não estão lá, já não estão lá... o Zé, o Couto, o Fortuna, o Formigal, (estarão onde?), "peças" fundamentais daqueles anos de descoberta e construção de mim próprio.
Foi ali que passei dum tempo em que era porque era assim, para um novo tempo em que mais do que p que era porque era, seria também aquilo que decidiria ser - o tempo de construção do eu.
Tempos de construção de sexualidade, de construção de uma visão do mundo só minha, de construção de opções políticas, de descoberta da amizade como valor em si mesmo, tempos de tanta coisa junta.
Ao mesmo tempo que se construa um país novo, construção essa que intricava na minha construção de mim próprio.
1974
Lisboa.
Lyceu normal de Pedro Nunes.
Acho que ficar velho é isto...
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