terça-feira, 29 de março de 2011

O poder

Para o que me interessa hoje, poder é: "Direito de decidir, de mandar."
E o desejo de poder é inato. É uma característica intrínseca e portanto comum a todo e qualquer ser humano. Talvez, até, a que melhor o distingue das outras espécies animais.
Entretanto outras características da personalidade individual, características físicas individuais, circunstâncias do meio (actuais e antigas) fazem com que as estratégias de poder sejam completamente diferentes de indivíduo para indivíduo, fazendo parecer, em alguns casos, que o axioma anterior não é verdadeiro.
Mas, na verdade, andamos todos e permanentemente em busca de poder.
A luta pelo poder pode assumir, portanto, diferentes formas, estando num lado a busca do poder de forma afirmativa e do outro a busca do poder pseudo-passiva, passando por todas as formas intermédias e suas variantes.
Sendo a primeira forma a mais óbvia, a 2ª será provavelmente a mais importante, tendo em conta que provavelmente é a usada por um maior numero de indivíduos e também porque, provavelmente, duma maior eficácia. Caracteriza-se pelo emprego da corrosão do outro ou outros sobre os quais se anseia o poder. Um processo lento e permanente, silencioso e insidioso.

"Não é verdade que o homem procure o prazer e fuja da dor. São de tomar em conta os preconceitos contra os quais invisto. O prazer e a dor são consequências, fenómenos concomitantes. O que o homem quer, o que a menor partícula de um organismo vivo quer, é o aumento de poder: é em consequência do esforço em consegui-lo que o prazer e a dor se efectivam; é por causa dessa mesma vontade que a resistência a ela é procurada, o que indica a busca de alguma coisa que manifeste oposição.
A dor, sendo entrave à vontade de poder do homem, é portanto um acontecimento normal - a componente normal de qualquer fenómeno orgânico. E o homem não procura evitá-la, pois tem necessidade dela, já que qualquer vitória implica uma resistência vencida.
Em tudo isto, a dor não só tem por consequência necessária a diminuição da sensação de poder, como até serve, na maioria dos casos, como excitante da mesma sensação de poder, sendo o obstáculo um stimulus dessa vontade de poder. 
Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'

Entretanto é exactamente o facto de sermos todos e não só alguns os que andm em busca de poder, que permite que haja, pelo menos, coma alguma temporalidade, algum equilíbrio de forma a que os vencedores de hoje sejam os derrotados de amanhã:

"Penso que é sempre necessário colocar em algum lugar um poder social superior a todos os outros, mas acredito que a liberdade corre perigo quando esse poder não encontra diante de si nenhum obstáculo que possa conter a sua marcha e dar-lhe tempo de se moderar a si mesmo. A omnipotência parece-me em si uma coisa ruim e perigosa.
(...) Todas as vezes que um poder qualquer for capaz de fazer todo um povo contribuir para um único empreendimento, com pouca ciência e muito tempo conseguirá extrair do concurso de tão grandes esforços algo de imenso, sem que com isso seja necessário concluir que o povo é muito feliz, muito esclarecido ou mesmo muito forte."


Alexis de Tocqueville, in 'A Democracia na América'
 
Haveremos de volta ao tema, neste blogue.

Pequeninho

Vivem num mundo pequeninho. Pensam em pequeninho.
Como aqueles aspiradores robôs que limpam o chão em volta, batem na parede, desviam, batem noutra parede e desviam, sem nunca perceberem que ao fim de algum tempo é sempre nas mesmas paredes que batem.
Não, de cada vez pensam que é uma parede nova e que estão dando respostas novas e adequadas a situações/paredes novas.
Depois, num seu mundo pequeninho, constroem muitas regras e leis e papéis, pequenihos, de importãncia pequenninha, no seu mundo pequeninho. E passam horas, e mais horas, dias e mais dias a construir as suas milhentas pequeninhas  estratégias que hão-de transformar o seu pequeninho mundo num outro, em tudo igual ao anterior e seguramente ainda e cada vez mais pequeninho e apertadinho.
Mas é assim que se vão sentindo grandes.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Caixinha

Quero guardar -te numa caixa,
que eu possa transportar,
olhar, tocar,
sabendo que és tu.

Para que nos dias mais cinzentos,
naqueles dias em as flores murcham por serem vistas
e o mar escurece em tonalidades de naufrágios;
naqueles dias em que a lógica da Vida se transforma em ilógico tornado,
eu te possa tirar cá para fora
olhar para ti e não ver mais o resto.

Disparate? Absurdo?
Ora essa!?

Se até Deus que é tão grande cabe numa hóstia,
por certo caberás tu...numa caixinha!

Uma saída consonante com uma entrada

Ele entrou "a matar".  Os juízes e as privilegiadas férias; depois os professores e suas mordomias; depois os funcionários públicos em geral; e os polícias e sei lá quem mais.
O mundo estava para ser diferente. "Privilégios" nunca mais.


Sai o herói de cena, desamparado por aqueles que não perceberam o seu projecto audacioso e combativo.
Sai  herói. Tnato mais que  da incompreensão desses dez milhões de portugueses privilegiados, que se juntaram num complôt contra-natura para o derrubarem.

Assim se vê ao espelho.
No seu espelho que magicamente lhe mostra o que quer ver.


E tal qual Sebastião, anseia voltar, na próxima manhã de nevoeiro, para nos livrar a todos ....do FMI.

Escrito na pedra *


Quando perdemos o direito de ser diferentes , perdemos o privilégio de ser livres .



Charles Evans Hughes , juiz norte-americano (1862-1948



*Título de uma coluna do jornal “ O Público “
Mensagepublicada por A. Maia

quarta-feira, 23 de março de 2011

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Sabor gostoso

O inexplicável.
De mim para ti, de ti para mim.
circularam partículas desconhecidas, que já conheço.


Como sabes o que eu penso?
Como sabes, o que eu sei que devo fazer e não quero fazer?
E ainda por cima sabes que não vou fazer,
e eu...que ainda nem decidi!

Essa mão a bater no peito,
(nunca tinha visto...)
e soube tão bem!

Falas, afinal, bem melhor que eu,
mesmo com palavras sem dicionário.

Porque diabo tu?
E porque não?

Se afinal sou eu quem sempre achou
que culturas diferentes não são barreiras, mas encontros...

Que merda não ter mais tempo para te poder dar.
E te ajudar a seres.
 

terça-feira, 22 de março de 2011

O pinto

Ele queria sair do ninho. Estava farto. O ninho já não lhe dava o aconchego dos velhos tempos.
Mas que iam os pais e os irmãos pensar?
Considerá-lo-iam um ingrato, ou pior que isso, um aventureiro...
Como sair dali, então?
Teve, finalmente, uma ideia!
Deitou a cabecita de fora, sem ninguém dar por isso e, chilreando baixinho, convidou as corujas das árvores à volta, para uma jantarada no dia seguinte, ali mesmo, no seu ninho.
Depois, na manhã seguinte, ao acordar, disse aos pais e aos irmãos que ia haver uma festa lá no ninho, com as suas amiga corujas, ali do bairro do arvoredo.


Claro que estes nem queriam acreditar no que acabavam de ouvir!
-Mas tu falaste conosco?
-Perguntaste a nossa opinião?
-Nem pensar nisso é bom! Vais já dizer a todas que não há cá festa nenhma. Só nos faltava agora essa, o nosso ninho  "infestado" de corujas.
- Olhem lá!!! Eu cpomprometi-me! Querem agora que vá dar o dito por não dito?
-Sim vais e é já!
-Como posso eu fazer isso? Seria uma vergonha. Não! Convite feito, feito está.
Mas... podemos escolher mudar a hora para mais tarde, ou deixar parta amanhã, se preferirem! Far-se-á a festa quando e da forma que decidirem! Agora festa tem de haver, ou então não podem contar mais comigo.
-Olha, quem manda cá no ninho somos todos em conjunto, não és tu. E portanto não vai haver festa nenhuma de corujas aqui. Está dito e decidido.


-Ok. Se não há festa, não contem mais comigo. Já vos tinha avisado!


Então, rejubilando da sua inatingível sagacidade, bateu asas, saiu do ninho e foi de vez embora, deixando aos outros a tarefa de lidar coma as corujas.
O pinto.

sábado, 19 de março de 2011

Ode

Não esperas que te peçam,
                                        dás.
Não esperas que te chamem,
                                             vens.
Não te aborreces,
                           sorris.
Não te impões,
                         ajustas-te.

Não ofereces ajuda,
                              ajudas.

Não fazes porque deves,
                                     fazes porque gostas.

Não fazes para mostrar,
                                     mostras, por teres feito,
                                     e enquanto fazes,
                                     ninguém dá pelo esforço que dispendes.

Contagias o teu mundo com o teu bom humor de sempre.
 (Onde Diabo, o vais buscar???)

Pois é:
                        
Se não existisses,
                          seria urgente que te inventassem.

Só que inventar-te seria superior à competência humana...

Por isso, 
            graças a Deus que existes!

Diretório de Blogs

quarta-feira, 16 de março de 2011

Lembro-me de ti

Lembro-me de ti, Isabel.
Menina e moça, ainda.
Cheia de garra, e já alçada em funções de Direcção, lá para os lados dos Olivais.
Sempre simpática, sorriso que ainda manténs mas que agora transporta uns traços de pose que me desiludem.
How did they get you to trade your heroes for ghosts? Isabel?
And  why did you exchange
A walk on part in the war
For a leading role in a cage,
Isabel? - Pink Floyd

Pink floyd wish you were here pink floyd
Este foi encontrado em MP3 Dilandau MP3

Um blogue construido a três

Pois é. A partir de hoje decidi abrir "as portas" deste blogue a dois colaboradores.

Desde já, as minhas boas-vindas a ambos!

Por certo iremos começar a ter por aqui visões diferentes do Mundo e da Vida.
É esse o desafio.

Claro que o falar em parábolas só a mim próprio se aplica. 
Estamos em democracia e neste blogue cada um dos colaboradores diz o que quer das formas que tiver por mais apropriadas.

E, claro, sobre o assunto ou o não-assunto que entender!

16 de Março do Ano da Graça de 2011

At last

Será que consegui?
Sempre que tento algo de novo sinto grande entusiasmo e simultaneamente enorme apreensão. Será que resulta?
Devido à minha persistência/ teimosia avanço mas com dúvidas que empurro para o lado .

terça-feira, 15 de março de 2011

Amnésia

Se parasse o tempo
por um momento.

Se parasse a vida,
por  um instante

assim, sem mais nem porquê,

de rompante.

Se o futuro evaporasse
e o espaço desvanecesse

e não doesse.

E se
houvesse um pássaro que cantasse

e o seu cantar permanecesse
no tempo que parasse

Então, talvez eu acordasse

e me esquecesse.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Os doutores e as doutoras

seguem seu caminho sem cumprimentarem os outros, cumprimentando-se entre si, porém, com grande, virtuosismo.
De cabeça levantada, olhando em frente, só vendo porém, os da sua estirpe, tal como cão reconhece cão pelo cheiro, sem precisar de olhar.
Os doutores e as doutoras,  escondem ódios e desejos, alegrias e sofrimentos, recalcados nos passos perdidos que percorrem, daqui para ali, dali para aqui, sorrindo raramente, porque rir não lhes é próprio.
E transportam sobre si o enorme peso do que fazem, fizeram e sabem ir fazer, na confidencialidade inter-pares, gizando rocambulescas estórias, estorietas, mechericos, cuja importância é tanto maior quanto se espalha, o que os torna porém, de pesado olhar e de grave circunstância. 
Por vezes conseguem congregar à sua volta alguns de inferior casta, que vão utilizando para suprir a força vital que já não têm, com o fim de construir vazios de importância duvidosa, que entretanto enfatizam e apresentam, como se de pólvora recém descoberta se tratasse.
Deslocam-se no cansaço permanente de transportar em si o enorme peso de si próprios.                                                                                                                  



 

Velho politico

Com o pânico espelhado no rosto, o velho político questiona:

o que querem?
qual o objectivo?
qual o paradigma que perseguem?

Dramaticamente não entende que foi ele próprio velho político,  quem, ao longo de décadas, tem vindo a destruir objectivos, paradigmas, propósitos, por exemplo, ao receber "Khadafis" e quejando em suas majestosas tendas , numa manifestação subserviente da sua Realpolitik; ao aceitar Mota Engil e companhia, como seus parceiros privilegiados,  ao elogiar a China e ao mesmo tempo condenar Cuba, dizendo-se sempre defensor dos Direitos Humanos (mas se de uns, porque não de outros?)
Foi ele, velho político, que destrui paradigmas, objectivos e propósitos, ao transformar eleições, em farsas mascaradas de votos, definidos e violentamente construidos, por uma série de "opinion makers" de serviço, que de formas diferentes e variadas, vão sistematicamente dizendo o mesmo e mais do mesmo, para que cada um saiba onde pode e não pode votar, sendo pagos a bom preço para o fazerem.
Porque foi ele, velho político, que transformou sonhos, em utopias; vontades, em resignações; volluntarismos em tédio; esperanças em desespero.
Porque foi também ele, velho político, que transformou as instituições do sistema, em assembleias de praxes, apertos de mão, e salamaleques diversos, retirando-lhes a animação da eficácia.
Foi ele, velho político, que construiu os Pintos Monteiros e os Vitor Constâncios,......., com tanto de prosopopeia, como de castração decisória.
Foi ele, velho político, que vestiu o país de tanga, depois de o ter despido antes, ao aceitar regras e decisões, na esperança duns trocos oriundos das sobras dos mais ricos.
E agora espanta-se, questiona-se....Que querem eles? Qual o seu paradigma? Os seus propósitos, os seus objectivos? Como se atrevem a vir para a rua desenquadrados duma organização formal por ele dirigida?
Com o pânico espelhado no rosto, o velho político não entende que está chegando ao fim, o tempo que era o seu.
Outro tempo virá. Sim virá. De que ele já não fará parte.
Um tempo que pode ser melhor ou bem pior.
Mas será outro bem diferente.
E sem dúvida, já não será o dele.
O presidente falou.

Et pourtant.....

Nem o Mundo cantou
Nem a Vida girou
Nem o povo mudou
Nem o Mundo girou
Nem a Vida cantou
Nem o povo girou
Nem Povo
Nem Vida
Nem Mundo
Nem Girou
Nem Cantou
Nem Mudou

O presidente falou.
Apenas isso.

Protesto da Geração À Rasca

http://www.facebook.com/event.php?eid=180447445325625


م

segunda-feira, 7 de março de 2011

Cerveja

Saber de ti.
Para quê? Porquê?

Onde estás? Que fazes?
Que me interessa?

O corso é longo, a gente é tanta
tanta escolha, tanta esperança,

um mar de povo que se alcança,
com a facilidade duma caneca de cerveja...

E os risos fluem,os corpos dançam,
e todos somos um só,
numa empatia imensa que transborda!

Saber de ti.
Para quê? Porquê?

Se tu nem sabes o que é
                                 a empatia da cerveja!
Esperando O Carnaval chegar

quarta-feira, 2 de março de 2011

O leão velho

Andava triste, o leão velho. O seu rugido já não impunha a ordem, a sua presença já não metia respeito e os seus súbditos pareciam viver numa irreverente autonomia, do tipo "cada um faz o que quer e como quer".
Depois de muito pensar, muito se aconselhar com o travesseiro, historicamente considerado desde que há memória, como um óptimo conselheiro,o leão velho decidiu-se.
Logo pela manhã, foi falar com um leão mais novo, seu súbdito, e propôs-lhe grandes privilégios se, nomeando-o seu assessor directo, em troca, este o ajudasse a "meter na ordem" a restante comunidade, de forma a que ele, leão velho, pudesse, em fim, governar com tranquilidade.
E foi assim que se estabeleceu o acordo entre os dois.
Na verdade, tudo funcionou na melhor das harmonias durante os primeiros tempos do acordo. Porém, com o passar dos meses, e como no reino dos leões "ruge melhor quem ruge mais alto", o rugido do leão assessor claramente se mostrava cada vez mais forte, quando comparado com o rugido do leão velho.
E rugir mais alto, significa, poder, controlo sobre os outros animais do grupo.
Entristecido de novo, o leão velho era agora já não o chefe da comunidade, mas uma peça ainda útil aos desígnios do seu recém-nomeado, garantindo-lhe a legitimidade de acção.
Até que um dia, fruto dum tempo mais agreste, o leão velho, enrouquecido de vez, foi encaminhado de urgência, pelo seu assessor, para o hospital do reino dos leões.
Estará, talvez, ainda por lá, mas o certo é que nunca mais ninguém ouviu falar dele.
O rugido, agora, é outro.
Forte, audível, sonoro. O rugido da autoridade conquistada mas não escolhida.
Claro está tratar-se isto duma história animalesca.
Totalmente descabida, em contexto humano.
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