Para o que me interessa hoje, poder é: "Direito de decidir, de mandar."
E o desejo de poder é inato. É uma característica intrínseca e portanto comum a todo e qualquer ser humano. Talvez, até, a que melhor o distingue das outras espécies animais.
Entretanto outras características da personalidade individual, características físicas individuais, circunstâncias do meio (actuais e antigas) fazem com que as estratégias de poder sejam completamente diferentes de indivíduo para indivíduo, fazendo parecer, em alguns casos, que o axioma anterior não é verdadeiro.
Mas, na verdade, andamos todos e permanentemente em busca de poder.
A luta pelo poder pode assumir, portanto, diferentes formas, estando num lado a busca do poder de forma afirmativa e do outro a busca do poder pseudo-passiva, passando por todas as formas intermédias e suas variantes.
Sendo a primeira forma a mais óbvia, a 2ª será provavelmente a mais importante, tendo em conta que provavelmente é a usada por um maior numero de indivíduos e também porque, provavelmente, duma maior eficácia. Caracteriza-se pelo emprego da corrosão do outro ou outros sobre os quais se anseia o poder. Um processo lento e permanente, silencioso e insidioso.
"Não é verdade que o homem procure o prazer e fuja da dor. São de tomar em conta os preconceitos contra os quais invisto. O prazer e a dor são consequências, fenómenos concomitantes. O que o homem quer, o que a menor partícula de um organismo vivo quer, é o aumento de poder: é em consequência do esforço em consegui-lo que o prazer e a dor se efectivam; é por causa dessa mesma vontade que a resistência a ela é procurada, o que indica a busca de alguma coisa que manifeste oposição.
A dor, sendo entrave à vontade de poder do homem, é portanto um acontecimento normal - a componente normal de qualquer fenómeno orgânico. E o homem não procura evitá-la, pois tem necessidade dela, já que qualquer vitória implica uma resistência vencida. Em tudo isto, a dor não só tem por consequência necessária a diminuição da sensação de poder, como até serve, na maioria dos casos, como excitante da mesma sensação de poder, sendo o obstáculo um stimulus dessa vontade de poder.
A dor, sendo entrave à vontade de poder do homem, é portanto um acontecimento normal - a componente normal de qualquer fenómeno orgânico. E o homem não procura evitá-la, pois tem necessidade dela, já que qualquer vitória implica uma resistência vencida. Em tudo isto, a dor não só tem por consequência necessária a diminuição da sensação de poder, como até serve, na maioria dos casos, como excitante da mesma sensação de poder, sendo o obstáculo um stimulus dessa vontade de poder.
Friedrich Nietzsche, in 'A Vontade de Poder'
Entretanto é exactamente o facto de sermos todos e não só alguns os que andm em busca de poder, que permite que haja, pelo menos, coma alguma temporalidade, algum equilíbrio de forma a que os vencedores de hoje sejam os derrotados de amanhã:
"Penso que é sempre necessário colocar em algum lugar um poder social superior a todos os outros, mas acredito que a liberdade corre perigo quando esse poder não encontra diante de si nenhum obstáculo que possa conter a sua marcha e dar-lhe tempo de se moderar a si mesmo. A omnipotência parece-me em si uma coisa ruim e perigosa.
(...) Todas as vezes que um poder qualquer for capaz de fazer todo um povo contribuir para um único empreendimento, com pouca ciência e muito tempo conseguirá extrair do concurso de tão grandes esforços algo de imenso, sem que com isso seja necessário concluir que o povo é muito feliz, muito esclarecido ou mesmo muito forte."
Alexis de Tocqueville, in 'A Democracia na América'
Haveremos de volta ao tema, neste blogue.
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