domingo, 31 de julho de 2011

Palavras

Vinham de longe, distantes,
eu não sabia que vinham
só soube quando chegaram
e as ouvi atroantes.

Trouxeram-me o teu sentir
carregadas de horizontes
restabeleceram-se as pontes
e fizeram-me sorrir.

Cada uma é uma dádiva
que leio, releio, memorizo
pensando no teu sorriso
na tua presença viva.

Que cheguem mais a Lisboa
perturbando o meu pensar,
embalando o meu sonhar
fazendo de mim Pessoa.

Levou tempo a perceber!!!

Foi preciso tempo demais, energias demais, confusão demais.
Finalmente a tutela percebeu duas coisas elementares:
a 1ª: Não há isenção possível, em termos de avaliação, quando o avaliador trabalha lado a lado com o avaliado e muitas vezes, trabalharam lado a lado durante longos anos. As cumplicidades, invejas, ou simples "parti pris" são inevitáveis. A seriedade do processo não é  assegurada.
a 2ª:  Não faz qualquer sentido  terminar um processo de avaliação docente já a pensar no processo que se lhe vai seguir. Avaliação, sobre avaliação, só serve para desgastar os intervenientes, tornar o processo numa rotina estúpida e sem qualquer objectivo prático real, e tem como consequência um estado permanente de mal estar nas escolas, um gasto permanente de energias desnecessário. A aposta na periodicidade da avaliação ser concordante com os ciclos previstos de transição na carreira, parece-me uma solução ajustada, tranquila e inteligente.
Nunca imaginaria escrever o que escrevo a seguir (não gosto do Nuno Crato!), mas, aí vai:
Parabéns a Nuno Crato e à sua equipa por rapidamente terem percebido duas coisas afinal tão óbvias e por terem decidido resolvê-las de forma expedita e inteligente!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A terceira já vem a caminho

Francis Fukuyama anunciou o fim da História, com o sucesso final do capitalismo que, segundo ele, provê todas as necessidades fundamentais do Homem enquanto ser social.
Estávamos, nessa altura, ainda bem longe da enorme convulsão económica mundial que hoje vivemos, mas tínhamos já assistido à hecatombe dos regimes do "socialismo real". Com o socialismo(comunismo) morto, aí estava ele, de pé e vigoroso, o sistema capitalista!
 Durante a Guerra Fria, a enorme rivalidade entre os dois sistemas mundiais, capitalista, de um lado e comunista, do outro, levou à mais exacerbada competição entre os dois  (basta lembrar a corrida entre ambos para a conquista do espaço e a chegada à Lua). Porque a guerra fria era. em grande medida, feita, pela divulgação das "conquistas" que um e outro sistema iam fazendo, de forma a cada vez mais influenciar os cidadãos dos diversos países, num ou noutro sentido.
Assim, o conhecimento por parte dos diferentes povos do Mundo da generalização dos cuidados de saúde, do acesso à educação e 
à cultura, do acesso à habitação, conseguidos pelo bloco comunista e comprovados por dados oficiais da ONU, constituiam um enorme polo de atracção para muitos milhões de cidadãos que, nos países capitalistas, se viam privados destes benefícios sociais, por falta de meios financeiros. Não chegava, pois, para vencer a guerra, argumentar sobre a falta de liberdade ou a falta de bens de consumo: era preciso dar alguma resposta às necessidades sociais básicas de todos. Assim foi surgindo ao longo de décadas de guerra fria, o Estado Social, foi crescendo a influência keynesiana na economia, e surgiram países em que a Social Democracia obtinha, graças a elevados impostos cobrados aos cidadãos, respostas sociais interessantes ao nível da saúde, educação, habitação, com resultados similares aos do bloco comunista. Estes países da social-democracia, o desenvolvimento do estado social na generalidade dos paises europeus permitiria pois, a tese de Francis Fukuyama, particularmente ao acontecer a derrocada global do bloco comunista.
Mas.... Pois é, mas:
Com a derrocada comunista, termina a guerra fria e desaparece a competição entre os blocos. A ilusão duma sociedade próspera e sem classes  desaparece, pelo que já não há necessidade de fazer concorrência, o capitalismo já não precisa de argumentar sobre a sua capacidade de prover o bem estar aos cidadãos, porque estes já não têm uma escolha alternativa! 
Então, com a maior rapidez, na eonomia, keynes é rapidamente abandonado, para dar lugar às teses do neoliberalismo puro e duro, os estados sociais são progressivamente destruidos, o investimento produtivo dá lugar ao investimento especulativo, a protecção social dá lugar ao desemprego, ao emprego precário, às desigualdades sociais crescentes.
Agora, que já não há competição entre blocos e que o capitalismo já não tem nada a perder, mostra a sua verdadeira face, libertando-se das barreiras que lhe eram impostas pele necessidade de vencer a guerra fria!
Na essência do capitalismo está a luta pelos mercados.
Luta que vem de longe, desde os primórdios do nascimento do próprio sistema. Para conquistar mercados o capitalismo faz tudo. Quando não consegue de outra forma, o capitalismo faz a guerra. 
A 2ª grande guerra foi, na essência, uma guerra pela conquista de mercados.
Hoje o euro trava uma luta feroz para se impor a nível mundial. O dólar protesta e recorre às agências de rating para o destruir.  
No contexto desta luta global entre capitais, é já visível a perspectiva negra da necessidade da guerra para a clarificação "das leis do mercado".
Desde sempre o capital recorreu à guerra para a resolução dos seus conflitos internos, enquanto sistema.
É essencial que os cidadãos estejam atentos! A verdadeira face do sistema está ai: com a proletarização da classe média, a degradação de salários, o desemprego, a fome, a miséria - já chegou tudo - a guerra também chegará, a não ser que os povos se disponham a não deixar que ela aconteça!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

My special one

Cause you really are  my special one,
sei eu lá porquê...
Só sei que é assim!
Não sei se a tua cara, se o teu sorriso,
não sei se o teu corpo, se a tua alma,
só sei é isso:
you are my special one!

So, I really miss you, my special one,
a tua voz, o teu olhar,
o teu apressado caminhar.
Bolas, onde estás, porque me deixas só aqui?
Don't you understand how special you are for me?

Estas palavras são para ti, my special,
Provavelmente nunca as irás ler,
e se as leres,
provavelmente nunca irás saber,
que és tu, precisamente tu,
quem mas faz escrever!

Que importa....

Mas se por acaso descobrires,
se por acaso te passar pela tua mente
que o tu possa realmente seres tu,
então, envia-me um sinal,
e diz-me,por favor, que não faz mal,
que não te importas
que eu diga, assim:

"tu és para mim
o meu muito  querido
                              
                                   special one."

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lost

Perdido.
No meio da entropia da existência,
estou aqui e não sei onde.
Sem bússola, sem norte,
desviado da própria consciência.

Actuo como uma máquina
rolando engrenagens em contínuo
enquanto estiver ligada e houver energia
sem saber para quê
sem saber porquê.

À espera que um anjo desça de algures
e me oriente a rota.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dominium

Dominas.
A tua casa, o teu emprego, as tuas férias.
Escolhes.
Só tens casa se quiseres, só tens emprego, férias,
                                                                        se quiseres.
Portanto, o teu poder é imenso.
Decides se vais ou se não vais,
mesmo se da tua decisão resultam consequências
são as consequências que optas por aceitar.

Consegues, assim, ser quase um pequeno deus,
pelas palavras que escolhes dizer
e pelas palavras que escolhes reter,
pelas acções que decides efectuar
e pelas acções que decides congelar

Não há dúvida. És um pequeno deus:

escolhes  as horas a que te levantas,
as horas a que te deitas
as horas a que alomoças e a que jantas.
Vais ao cinema quando queres, ou ao teatro ou à bola.
Podes ir à praia mesmo se faz chuva, se quiseres.

És tu quem governa o teu Mundo!

Mas, de súbito,

BUM! BUM! BUM!

Enorme estrondo no teu âmago,
saltam-te os olhos das órbitas e não as consegues recolocar
o teu ritmo cardíaco entra em ebulição
suas e não sabes porquê, 
gritas sem controlo
choras e ris 
tens sono mas não dormes,
queres falar e não falas,
dizer e não dizes.

Sentes um brutal aperto no teu tórax,
mas está tudo bem fisicamente.

Pegas no comando,
carregas nas teclas com que te controlas,
mas nenhuma funciona,
não há resposta,
porém, as pilhas estão boas e o comando também.

....
Pois é, pois é:
só dominas  e és deus,
de tudo aquilo que afinal é o que menos te importa!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

E os resultados dos exames???

“Perdi o apoio dos professores, mas ganhei o dos portugueses” 
 Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação, Portugal, 2006.

Por que é fácil criar "bodes expiatórios" e atirar sobre eles as causas de todos os males. Assim fez Hitler, Estaline, Mao-tse-Dong , Salazar. 
Assim se ganha uma mole humana de apoio a  políticas cegas. em que o essencial é, tão só, o ataque aos ditos "bodes expiatórios", esperando-se com tal ataque chegar à Solução Final.

E também nos lembramos todos das grandes soluções: a "escola a tempo inteiro" (houve quem lhe chamasse o armazém de crianças...), as aulas de substituição, as revisões sobre revisões do estatuto da carreira docente, (com a divisão entre professores e professores titulares), a avaliação dos professores (que dantes era uma fraude e agora....é um exemplo de rigor ,lol, lol, lol), o magalhães, (hoje já sem teclas e encafuado por aí em arrecadações  à espera de melhores dias) ...
Bem, e com tudo isto se prometia a Grande Mudança, com tudo isto se ganhava "o apoio dos portugueses", e com tudo isto se foi conseguindo objectivamente uma crescente, progressiva e constante desmotivação dos professores, uma crescente, galopante  carga de trabalho docente (em especial no tocante a tarefas da mais pura "masturbação mental" e que ainda hoje se mantém "são os relatórios para isto, para aquilo, os pits, os pcts, os planos disto e daquilo e do outro, as auto avaliações (ou auto-elogios), etc., etc., que foram deixando cada vez menos tempo aos professores para....serem professores!
Professores desmotivados, desgastados, exaustos, embrulhados nas teias da Lurdocracia, contribuiram de facto, pelo seu cansaço, pela sua fadiga e desmotivação para os "brilhantes" resultados observados no final dum ciclo de gestão Sócrates/Lurdes Rodrigues da política educativa portuguesa.

A frase deveria ter sido antes esta:

"Perdi o apoio dos professores, mas manipulei os portugueses".

Mas manipulações ...só duram o tempo efémero da ignorância dos factos!
Eles estão aí, claros e duros, traduzindo o balanço real da política educativa de sua Exª Drª Maria de Lurdes.

Parabéns, MILU! 
Foste a "MÁIOR"!!!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Momentos de Optimismo Breve

Quando o tempo tão largo se faz estrada
e a vista alcança infinitos de lonjura,
e ao longe as árvores, em planície dourada
nos mostram horizontes repletos de doçura,

Quando nada há que nos pare na ilusão
de sentirmos serem nossos os caminhos
que percorremos juntos, mão na mão,
à procura de certezas e carinhos,

A luz já não nos dói de ser tão forte
que os olhos se habituam à mudança.
Depois de tantos anos de desnorte,

procurando o GRAAL que não se alcança,
que bem nos sabe este sabor, que sorte
a de fazer do dia a dia a nossa esperança! 

domingo, 17 de julho de 2011

GPS

Lentamente,
porque é desta forma que se sente,
tiro-te as meias.
Sinto-te os pés
nas minhas mãos
nas minhas mãos quentes os teus pés quentes
macios, e que sinto suaves, e que sintos doces,
no roçar lento dos meus lábios dementes.

Sigo as inetruções do GPS "siga agora em frente"
e descubro as tuas pernas
centímetro a centímetro,
poro a poro.
Acaricio-te os gémeos
subo aos teus joelhos, que abraço contra o meu peito nu
olho de perto e sinto que os adoro.
Nas tuas coxas perco as minhas mãos,
perco o meu olhar
e perco-me de mim.

"Agora, desvie e vá para Norte"
E nos teus cabelos vagueia a minha mão.
Desço ao teu sorriso
que absorvo tal qual mata-borrão
Sinto a tua face na minha face
os teus lábios nos meus lábios,
e as nossas duas línguas - uma só.

"Siga para sul, por 30 centímetros"
Passo o teu pescoço, devagar,
à velocidade lenta de beijos sem parar,
chego ao teu peito, que observo pedacinho a pedacinho
estando sem roupa por fora, eu dispo-te por dentro
com a invasão de tanto olhar.
Transformo-te os mamilos em rebuçados
que chupo e saboreio e me fazem salivar.

Continuo descendo como manda o GPS,
sobre o teu umbigo descanso a cabeça,
e encostado  aos olhos tenho a tua pele.
Inclino um pouco e sinto com os meus dentes
a tua carne doce que começo a trincar
em trincadelas suaves
p'ra não te magoar.

"Zona perigosa, circule devgar".
Dispo-te as cuecas, para poder entrar.
Enfio-me em florestas que nunca tinha visto,
com perfumes exóticos com que me saúdas, ao chegar.
Floresta que desbravo e que descubro
que quanto mais descubro e desbravo,
mais locais bonitos tem para me mostrar.

Decido ficar  ali algumas horas em beijares,
talvez fique ali meses, ou anos!

Sei lá  eu,

         ficarei enquanto tu deixares...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Des(mente)

Tu, incondicionalmente tu

Que mentes, demente

Mente verdadeiramente, cru

Indecente, indolente, tu.


Gente meramente nada

Quente, falsidade ardente,

Rente, inteiramente

Vida desfragmentada.


Transparente água corrente

Remetente a limpidez existente

Fugaz, breve, posteriormente

Mentira poluente co-existente.


Sente, tu, indiferente,

Resumida a pó

Jaz solenemente

A mentira a mim dita

Criatura idió…ta,

Desmente!
By Pedro Azevedo (Litos)

Sonho!

Sonhar por quem já não consegue mais caminhar, sozinho.
Hoje, hoje é diferente. O sonho pode vir a tornar-se real, acredito nisso, a cada minuto que passa, cegamente.
Não me canso de ver as memórias serem relembradas por cada sonho que tenho. A vontade de sentir tudo de novo, é bem maior que o desejo.
Já sei, que depois de todos os sorrisos envergonhados, ficamos juntos, pois significa que tudo o que sonhei até agora, se demonstrou através de um simples momento a sós, contigo.
Gritar o teu nome, sem saber porquê. Grito porque quero que seja um sonho real, quero que tudo o que é devaneio, se torne numa vida.
Ao ver as imagens de cada dia que passa, toco no teu rosto, e sinto o ar sair de ti, sinto cada traço do teu rosto, sem qualquer receio, sinto-te natural, de no fim deixo-me levar porque sei que ambos ansiamos por este momento.
Encosto a tua testa á minha, e sinto os teus pensamentos, que se fazem notar através dos teu gestos meigos, dos gestos que fazem a minha alma cair por este chão e me fazem render a todos os teus encantos.
Pode parecer estranho, mas nunca me hei-de cansar de ver tudo isto como um mero sonho, porque sei que um dia, um dia isto tudo irá acontecer, basta ter alento para que tal se torne verdadeiro.
Com a palma da tua mão, fechas-me os olhos com calma, para que cada pedaço de receio se faça quebrar, para que toda a incerteza do correcto e do errado se faça abalar pelo quarto para surgir o idealizado perfeito.
E pela noite fora, aconchegas a tua cabeça no meu peito, sem qualquer medo, vamos saborear todos os raios de luar que nos decidirem tocar, e neles vamos simplesmente deixar transparecer o gesto de ternura que até agora não conseguimos tomar.
-by Pedro Azevedo (Litos)

Gerações

Desde o início desde blogue que foi uma das minhas intenções consegui-lo de alguma forma, intergeracional. Porque, continuo a pensar, que as barreiras que artificialmente vamos construindo e inventando entre gerações contradizem a essência dos sentimentos, que afinal, são transversais ao tempo.
Claro que, da mesma forma que não se idealiza o Mundo no século XXI da forma que se idealizava no século XIX, naturalmente que também de geração para geração, a concepção global do Mundo que se tem, apresenta variações, diferenças de interpretação, diferenças de sentir.
Mas lá por baixo, na essência do que somos, do que sentimos, é "muito mais o que nos une do que aquilo que nos divide!
Parece-me que os dois posts que se seguem, textos construidos por um jovem colega meu a quem pedi autorização para colocar neste meu blogue, mostram bem o que acabei de dizer, para além de, em minha opinião, serem muito agradáveis de ler e de sentir. Obrigado Pedro Azevedo!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ầ flor da pele

À flor da pele
te sinto o frio
te sinto o quente
te sinto o vento mesmo se não sopras
te sinto o rio
que me transbordas.

À flor da pele
te sinto a angústia da morte adivinhada,
porque à flor da pele
te sinto que me vais matar.
Poderá ser mais longe ou já agora perto
À flor da pele te sei
meu assassino certo.

E também à flor da pele
te digo adeus,
antes que me mates e já não o faça.

Depois de morto
subirei ao céu
e nas nuvens suaves 
repousarei meu corpo
que agora
já sem pele, só flor,

se quedará deitado
                   a aguardar o teu.


domingo, 10 de julho de 2011

Depuralina, precisa-se!!!!

Biologicamente, a idade traduz-se (em traços muito sumários), no progressivo acumular de oxidantes, de toxinas que actuando sobre os tecidos celulares levam à desactivação da telomerase e à senescência tissular, pela incapacidade das céluas  se continuarem a reproduzir a ritmo adequado e portanto os tecidos a serem incapazes de se renovarem.
Mas.... e psicologicamente o que acontece???
Não esquecendo que o funcionamento cerebral depende na base, do funcionamento biológico, em que as células nervosas sofrem processos degenerativos de índole semelhante às das restantes células somáticas, a verdade é que a componente mais "psicológica" do sistema, acumula também, ao longo dos anos, "os oxidantes e as toxinas" das vivências. Estes alteram a personalidade base, e vêm progressivamente a impôr, tanto ao nível do consciente como do inconsciente, um conjunto de "regras", "de concepções do Mundo", que, pensndo bem, são em grande medida as resultantes do processor oxido-degenerativo do sistema nervoso que produz as racionalizações.
Talvez por isso, ao contrário do que habitualmente se ouve dizer, encontram-se com a maior frequência nas pessoas de idades superiores aos 40 anos (embora este limite seja ilustrativo e não referencial) um crescendo de contradições de pensamento, em que a prática desmente a teoria, porque, enquanto a teoria  anteriormente racionalizada,  passou de processo reflexivo a memória deste, inscrita indelevelmente ao nível das proteinas, já as práticas concretas de interacção estão essencialmente dependentes do momento actual do processo evolutivo  do cérebro, carregado agora das toxinas vivenciais,  que já não lhe permitam um deenvolvimento racional "limpo".
É extraordinariamente interessante e delicioso a formulação, por exemplo, de teses de racionalização antiga, que se confrontam com formulações contraditórias da realidade que se observa, essa agora ja racionalizada e observada por um cérebro em senescência: demos alguns exemplos de forma a perceber melhor a situação:
exemplo 1 - o sujeito A reclama-se da geração que sofreu e depois lutou contra as imposições restritivas ao uso da moda - mini-saia, "tivemos de travar uma luta para que fosse aceite, ao princípio éramos ostracizados ou mesmo proibidos de as usar (racionalização antiga e já gravada na memória) Mas, o mesmo sujeito A, ao tentar agora racionalizar sobre uma situação actual, diz: "que vergonha, esta geração andar a mostrar os boxers, devia mesmo ser proibido por lei". -racionalização contraditória em absoluto com a racionalização anterior do mesmo sujeito, só que esta segunda racionalização é uma racionalização nova, e está portanto a ser feita por um cérebro senescente!
exemplo 2 - do sujeito B - naquela altura, para conseguirmos alguma coisa, tínhamos de sair à rua, e quantas vezes sujeitos a carga policial (racionalização já inscrita na memória e feita quando o indivíduo ainda era novo) mas, ao reflectir sobre a manifestação da geração à rasca, refere o mesmo sujeito B - "é uma geração que não tem hábitos de trabalho, vem para a rua gritar mas não sabem seuquer porquê, vão uns porque vêm ir os outros" e esta é uma racionalização actual, produzida por um cérebro repleto de "oxidantes psicológicos", que já não consegue ser concordante com as anteriores concepções do Mundo que o próprio sujeito havia construido e que, curiosamente, se mantêm registadas na sua memória.
exemplo 3 - O sujeito C recorda com ironia e desagrado, as pressões a que a sua sexualida em jovem esteve sujeita e recorda em pormenor a famosa  postura da Câmara Municipal de Lisboa, em vigor em 1953 e anos seguintes:
os actos e respectivas multas a aplicar pelos polícias e guardas-florestais: 1º - Mão na mão (2$50);
2º - Mão naquilo (15$00);
3º - Aquilo na mão (30$00);
4º - Aquilo naquilo (50$00);
5º - Aquilo atrás daquilo (100$00);
§ único - Com a língua naquilo (150$00 de multa, preso e fotografado).
O mesmo sujeito C, passa a seguir por um jardim público, onde jovens deitados na relva, se abraçam, beijam, enfim, "numa marmelada" bem gostosa e diz para o amigo que vai com ele: "Isto agora nem é preciso ir ao cinema! Parecem uns cães na altura do cio. É uma vergonha!" Mais uma vez, afirmação produzida a partir duma racionalização actual dum cérebro minado pelo processo senescente em curso.

Mas para isto, infelizmente, a depuralina não resulta....

Amizade engaiolada

Porque também a há, a Visão Estalinista da Amizade

sábado, 9 de julho de 2011

Thank you Satan!!!

estas palavras não são minhas, muito gostaria que tivessem sido. Faço delas minhas hoje, com a preciosa ajuda do "meu amigo" Léo Ferré...
Pour la flamme que tu allumes
Au creux d'un lit pauvre ou rupin
Pour le plaisir qui s'y consume
Dans la toile ou dans le satin
Pour les enfants que tu ranimes
Au fond des dortoirs chérubins
Pour leurs pétales anonymes
Comme la rose du matin
Thank you Satan
Pour le voleur que tu recouvres
De ton chandail tendre et rouquin
Pour les portes que tu lui ouvres
Sur la tanière des rupins
Pour le condamné que tu veilles
A l'Abbaye du monte en l'air
Pour le rhum que tu lui conseilles
Et le mégot que tu lui sers
Thank you Satan
Pour les étoiles que tu sèmes
Dans le remords des assassins
Et pour ce cœur qui bat quand même
Dans la poitrine des putains
Pour les idées que tu maquilles
Dans la tête des citoyens
Pour la prise de la Bastille
Même si ça ne sert à rien
Thank you Satan
Pour le prêtre qui s'exaspère
A retrouver le doux agneau
Pour le pinard élémentaire
Qu'il prend pour du Château Margaux
Pour l'anarchiste à qui tu donnes
Les deux couleurs de ton pays
Le rouge pour naître à Barcelone
Le noir pour mourir à Paris
Thank you Satan
Pour la sépulture anonyme
Que tu fis à Monsieur Mozart
Sans croix ni rien sauf pour la frime
Un chien, croque-mort du hasard
Pour les poètes que tu glisses
Au chevet des adolescents
Quand poussent dans l'ombre complice
Des fleurs du mal de dix-sept ans
Thank you Satan
Pour le péché que tu fais naître
Au sein des plus raides vertus
Et pour l'ennui qui va paraître
Au coin des lits où tu n'es plus
Pour les ballots que tu fais paître
Dans le pré comme des moutons
Pour ton honneur à ne paraître
Jamais à la télévision
Thank you Satan
Pour tout cela et plus encore
Pour la solitude des rois
Le rire des têtes de morts
Le moyen de tourner la loi
Et qu'on ne me fasse point taire
Et que je chante pour ton bien
Dans ce monde où les muselières
Ne sont plus faites pour les chiens...
Thank you Satan


Passas por mim, sorris, mas eu não vejo.É como se fosses uma não existência. Um verme, que eu esmago só de não te olhar.
Falas, não oiço nem respondo, como se a tua voz fosse o ruído dum cano de esgoto a cheirar mal.
Prossigo o caminho, conversando mais, de forma a que compreendas que estás out.

ENTENDE: TU NÃO ÉS NINGUÉM! ÉS UM MICRÓBIO AO PÉ DE MIM. ÉS MERDA!

E AINDA ASSIM SORRIS?

Foi então que respondeu, cantando suavemente:
-Eu vim de longe
  de muito longe
  o que eu andei p'ra'qui chegar!
  Eu vou p'ra longe
  p'ra muito longe
  não nos iremos encontrar, 

 Tenho a vida toda para andar!!!"
(Obrigado, Zé Mário)

O jardineiro arguto


Fazia os encantos de quem por ela passava, na sua imponência e beleza, dádiva de sombra, e de cor.
O tempo foi passando e o velho jardineiro, que a tratava como à menina dos seus olhos, envelheceu tanto, tanto, que teve de ser substituido, por outro, também já avançado na idade mas cheio de energias e vontades e por todos considerado com um dos melhores jardineiros da aldeia, senão do país quiçá do mundo.
Pôs-se a observá-la de longe. Alguma coisa "lhe cheirava a esturro". Aproximou-se e observou em pormenor: cada palmo do tronco, cada folha, cada ramo... E eis que descobriu: era aquele ramo - SECO!
Como se permitia uma árvore no jardim que agora era seu, oferecer à vista de quem passasse, um ramo seco?
Era certo que as pessoas, toldadas por tanta flor, tanta cor, tanta harmonia, nem davam por isso, mas não podia ser, porque o gosto também se ensina. 
No dia seguinte, resolveu levar consigo uma cadeira que colocou ao lado da árvore e onde se sentou. 
Agora sim, iria cumprir a missão que a si mesmo tinha destinado - quando alguém passava e olhava deslumbrado para a árvore, então ele intervinha dizendo: 
_ pois é, aparentemente é bela....mas olhem ali aquele ramo seco! Que coisa feia! É horrível uma coisa assim no meu jardim. 
A verdade é que, após dias e dias de insistência e persistência do nosso jardineiro, os "habitués" do jardim, ao passarem pela bela e frondosa árvore, fixavam-se-lhes agora os olhos de forma automatizada,  no maldito ramo seco. Agora, ao passarem, já a árvore não viam, mas apenas o dito ramo, pelo que os comentários eram já de tom diferente: " Que coisa, que desagradável, um jardim tão bonito como este, não merece uma coisa destas. Um ramo velho, sem folhas ali, a destoar de tudo."
Dia após dia, hora após hora, não obstante a fragosidade da  sombra e a maravilha da cor, o que viam tinha passado a ser sempre e só o desagradável ramo seco, e o jardineiro sempre concordando com os transeuntes cujo espírito, de aguda observação, tinha moldado.
Claro está que para um problema há sempre uma solução e quando solução não há é porque solução já houve, não neste caso, que solução ainda estará para haver, como a seguir se relata: no dia de maior presença de pessoas no jardim (pois claro, naquele Domingo soalheiro, logo a seguir à missa das 11h), lá estava ele a postos, com uma serra eléctrica. 
Aquilo tinha de acabar de vez.
Rodeado por  dezenas dos habituais frequentadores do jardim que o incitavam ao trabalho, o nosso bom jardineiro deu início à tarefa e, em menos de um fósforo ( e quem sabe, talvez para a produção de milhões deles....) o ramo tinha desaparecido e com ele toda a árvore que o originara.
Ouviram-se palmas a bater, no exacto momento em que se ouviu, também, o estrondo da imponente Tília, a tombar na terra, sem conseguir a virtude de morrer de pé, (porque ao contrário do que por aí, sem razão, se generaliza relativamente ao fim da vegetal existência, essa dignidade não lhe foi dada a ela....E nem a mereceria, com aquele ramo seco tão feio, lá no alto.).
Resolvido, pois, este problema, com os seus olhos atentos de argúcia e crítica, percorre o jardineiro o seu jardim, milimetricamente observando as árvores... Outras se seguirão, até que o eugénico jardim seja uma irreversível realidade.
Bendito jardineiro. Benditos olhos críticos! Maravilhosa capacidade de julgar e decidir da vida!
Houvesse outros assim!
Que encanto de Existência, então seria a nossa!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Putos fixes

A sala transborda de sorrisos, risos, de boa disposição. Que faço eu aqui? É tudo tão jovem...Mais uns quantos cotas , mas poucos. Junto-me a um deles, com vaga na mesa, apenas pelo acaso da vaga. Conversamos um pouco, entre as sardinhas e o vinho. Mas não consigo estar parado ali muito tempo, andam mais longe vibrações que me contagiam e quero senti-las de mais perto.
Alguém me oferece um vinho especial, que é mesmo bom.
Mas sabe-me melhor a oferta em si, do que o vinho em si.
Com o copo na mão saio para as traseiras: mais um bocado de festa, por ali. Uma guitarra, vozes, cantos, conversas por entre os cantos. Meu Deus agora estou no meio dos "putos". Que merda, sinto-me tão bem. (Era suposto ou não? Jã não sei.)
Perco por minutos a noção do espaço e do lugar e parece-me de repente que estou de volta ao Pedro Nunes, ou à FCL.
Mas é mentira. estas caras são outras, este tempo é outro... Mas, vendo bem, a massa de que somos feitos é a mesma. E talvez por isso.... Não sei.
Encanta-me a simpatia, o à vontade que se sente a crescer, apesar dum "foda-se", perturbado  de ter saído comigo ali, breve   "flash" de timidez dum puto mais contido, que depois, se solta  com a música e se embriaga na dança.
E depois....os "Xutos", claro...Mas como é possível! Os meus "Xutos" são afinal os "Xutos" deles, que celebramos cantando em conjunto. Agora o Zeca. Mas o Zeca também é meu!!!!Como pode também ser deles?
Estou agora a conversar com a minha filha, mas não, afinal não pode ser, aquela pronúncia é do norte,  a minha filha não é do norte! Ele meu filho? Parvoíce, fala "Algarvio" nasceu em Faro. O meu filho é de Lisboa.
Que interessa, tão porreiro ser colega dos meus filhos!
Depois já não sei mais, se são filhos, ou colegas, ou amigos. Perdi-me. Ou encontrei-me? Não sei.
Volto para dentro. Bem, isto está complicado...Os "cotas" foram debandando e já só restam três. (Estarei a contar comigo ou não? Sei lá...Também já está a deixar de me interessar. Quero lá saber! Sinto-me bem e chega.)
Está a dançar o X......, completamente "embriagado" de dança. O X....., é, talvez de todos o mais tímido relativamente aos professores "da casa". Observo-o com mais atenção, relembrando umas palavras idiotas que tinha ouvido uns dias atrás: "deve ser gay!"
Não tem nada de gay. Está agora completamente à vontade e deixa fluir o seu sentir desinibidamente.
Pois, é "gay"....porque mede as palavras e põe distância, fruto da sua timidez com os "da casa", que, em vez de tentarem ao menos abrir-lhe a aporta, preferem cochichar sobre a sua orientação sexual como se lhes assistisse esse direito ou como se tivessem algo a ver com isso. E se fosse? Mas obviamente não é.
Uf....Agora é que é bonito. Sou "empurrado" para a dança. Eu que não sei sequer dançar. Só posso imaginar a triste figura que devo estar fazendo, já que felizmente não há espelhos.  Mas também, ou ninguém repara ou não é tão triste assim. Que se lixe. "Tá" me a dar gozo. Perdido por cem, perdido por mil: vamos ao karaoke. Já nem sei que palavras estou dizendo ao micro... O vinho era forte além de bom.
Chega então o tempo do tempo chegar ao fim. Perdeste as chaves, moras em Sintra, é óbvio que vou a Sintra levar-te se for preciso. Até se fosse ao Porto. Resolve-se doutra forma. Melhor.

Por mim continuava.... Já não dá mais, porém.
Ciau, beijinhos....
Aperto-te a mão e "meto água" nas palavras...
Que se lixe.
Para casa e para a cama!
Até sempre.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Magias

É feitiço, este laço que dói,
que me prende, que me rói,
mas que me sabe tão bem
só de te ver
só de te ouvir,
até só de te saber por perto!

Uma magia sem explicação,
que me transporta no espaço
que me leva no tempo,
estando, mas já não estando,
em que o real está dum lado
e do outro lado és Tu.

Não é preciso falar muito:
basta quase nada ...Ou nada...
Basta a presença ao lado.

Que magia é esta que me deixa tonto,
que me tira do sítio onde sei que estou
e me leva ao infinito de mim próprio,
só por te saber?

Como é que é possível?
Só por te saber, só por te ouvir só por te ver,
em instantes  a bonança destruir a tempestade,
a inquietação dar lugar à calma
a tranquilidade transbordar a alma.

Que feitiço produzes tu em mim,
que  o tempo escuro dá lugar ao Sol
a depressão dá lugar à esperança,
e o universo todo se transforma
em miragem de luz, de cor e de harmonia?

Que tens tu então?
Olho, observo em pormenor, tento descobrir
mas não vejo nada....
Nada que explique.
Et pourtant..

Separo-me de ti, com indiferença,
para as tarefas que a vida nos impõe
nem te digo adeus.
É natural.
Mas passadas horas, poucas horas,
uma enorme sede,
un enorme vazio,
uma tristeza de chegar às lágrimas....
Só de não te ver
de não te ouvir,
e de saber que não estás por perto.

É feitiço, este laço que dói,
que me prende, que me rói,

...mas que é tão bom de ter!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Album de recordações - Emmanuelle

Dos meus tempos da descoberta - Inesquecível

dores escolares... no album de recordações

Curioso. esqueci o nome dela.
Mas estou a ver-lhe a cara, agora, e a ouvir-lhe a voz. Um falar açoriano "tuipicozuinho".
E, é mesmo verdade. Estava completamente apixonado por ela.
Quase sempre em trabalho de grupo, eu e o meu saudoso amigo Carlos.
O trabalho era de tal forma em grupo, que o que apresentávamos no final era praticamente igual, tirando uma vírgula aqui, outra ali. As mesmas palavras as mesmas frases, escritas em conjunto pelos dois e apresentadas em separado em duas folhas com duas letras e cada uma com o seu nome: o meu numa o dele na outra. Em tudo o resto eram iguais.
Passados dias a corecção e a classificação: o dele Bom o meu Suficiente.
Lembro-me da cara do Carlos, que a minha eu não a via... Olhava para mim, punha  a folha dele e a minha, lado a lado. A sua expressão de espanto a olhar para mim: vai reclamar! Isto é incrível!
Não fui.
Doía tanto! Paixão correspondida ao contrário, aonde já se viu?
Outros trabahos e idênticas situações a repetirem-se. O que mais me lembro é do olhar do Carlos, quase boqueaberto a olhar para mim e sem perceber o meu estranho "encolher de ombros" a minha absurda resignação.
E doía muito. Mesmo muito. Em especial por estar apaixonado mesmo.
Sentia a voz dela diferente, quando falava com o Carlos "Fertuina" ( modo de dizer Fortuna, em acoreanês). Sentia-a diferente porque de facto era diferente.
Até que, um dia (coisa rara porque duma experiência pedagógica com a turma se tratava, a avaliação era continua e testes eram raros) houve mesmo um teste de avaliação.
Passados dias entrega e classificação: dezanove o meu, o melhor da turma, muito à frente do do Carlos com 14.
Jamais me esquecerei do ar de espanto da minha "apaixonada", por uma vez a elogiar-me.
Mas já chegava tarde o elogio.
As dores nunca mais se apagariam... Ainda hoje cá moram.

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