Curioso. esqueci o nome dela.
Mas estou a ver-lhe a cara, agora, e a ouvir-lhe a voz. Um falar açoriano "tuipicozuinho".
E, é mesmo verdade. Estava completamente apixonado por ela.
Quase sempre em trabalho de grupo, eu e o meu saudoso amigo Carlos.
O trabalho era de tal forma em grupo, que o que apresentávamos no final era praticamente igual, tirando uma vírgula aqui, outra ali. As mesmas palavras as mesmas frases, escritas em conjunto pelos dois e apresentadas em separado em duas folhas com duas letras e cada uma com o seu nome: o meu numa o dele na outra. Em tudo o resto eram iguais.
Passados dias a corecção e a classificação: o dele Bom o meu Suficiente.
Lembro-me da cara do Carlos, que a minha eu não a via... Olhava para mim, punha a folha dele e a minha, lado a lado. A sua expressão de espanto a olhar para mim: vai reclamar! Isto é incrível!
Não fui.
Doía tanto! Paixão correspondida ao contrário, aonde já se viu?
Outros trabahos e idênticas situações a repetirem-se. O que mais me lembro é do olhar do Carlos, quase boqueaberto a olhar para mim e sem perceber o meu estranho "encolher de ombros" a minha absurda resignação.
E doía muito. Mesmo muito. Em especial por estar apaixonado mesmo.
Sentia a voz dela diferente, quando falava com o Carlos "Fertuina" ( modo de dizer Fortuna, em acoreanês). Sentia-a diferente porque de facto era diferente.
Até que, um dia (coisa rara porque duma experiência pedagógica com a turma se tratava, a avaliação era continua e testes eram raros) houve mesmo um teste de avaliação.
Passados dias entrega e classificação: dezanove o meu, o melhor da turma, muito à frente do do Carlos com 14.
Jamais me esquecerei do ar de espanto da minha "apaixonada", por uma vez a elogiar-me.
Mas já chegava tarde o elogio.
As dores nunca mais se apagariam... Ainda hoje cá moram.
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