Francis Fukuyama anunciou o fim da História, com o sucesso final do capitalismo que, segundo ele, provê todas as necessidades fundamentais do Homem enquanto ser social.
Estávamos, nessa altura, ainda bem longe da enorme convulsão económica mundial que hoje vivemos, mas tínhamos já assistido à hecatombe dos regimes do "socialismo real". Com o socialismo(comunismo) morto, aí estava ele, de pé e vigoroso, o sistema capitalista!
Durante a Guerra Fria, a enorme rivalidade entre os dois sistemas mundiais, capitalista, de um lado e comunista, do outro, levou à mais exacerbada competição entre os dois (basta lembrar a corrida entre ambos para a conquista do espaço e a chegada à Lua). Porque a guerra fria era. em grande medida, feita, pela divulgação das "conquistas" que um e outro sistema iam fazendo, de forma a cada vez mais influenciar os cidadãos dos diversos países, num ou noutro sentido.
Assim, o conhecimento por parte dos diferentes povos do Mundo da generalização dos cuidados de saúde, do acesso à educação e
à cultura, do acesso à habitação, conseguidos pelo bloco comunista e comprovados por dados oficiais da ONU, constituiam um enorme polo de atracção para muitos milhões de cidadãos que, nos países capitalistas, se viam privados destes benefícios sociais, por falta de meios financeiros. Não chegava, pois, para vencer a guerra, argumentar sobre a falta de liberdade ou a falta de bens de consumo: era preciso dar alguma resposta às necessidades sociais básicas de todos. Assim foi surgindo ao longo de décadas de guerra fria, o Estado Social, foi crescendo a influência keynesiana na economia, e surgiram países em que a Social Democracia obtinha, graças a elevados impostos cobrados aos cidadãos, respostas sociais interessantes ao nível da saúde, educação, habitação, com resultados similares aos do bloco comunista. Estes países da social-democracia, o desenvolvimento do estado social na generalidade dos paises europeus permitiria pois, a tese de Francis Fukuyama, particularmente ao acontecer a derrocada global do bloco comunista.
Mas.... Pois é, mas:
Com a derrocada comunista, termina a guerra fria e desaparece a competição entre os blocos. A ilusão duma sociedade próspera e sem classes desaparece, pelo que já não há necessidade de fazer concorrência, o capitalismo já não precisa de argumentar sobre a sua capacidade de prover o bem estar aos cidadãos, porque estes já não têm uma escolha alternativa!
Então, com a maior rapidez, na eonomia, keynes é rapidamente abandonado, para dar lugar às teses do neoliberalismo puro e duro, os estados sociais são progressivamente destruidos, o investimento produtivo dá lugar ao investimento especulativo, a protecção social dá lugar ao desemprego, ao emprego precário, às desigualdades sociais crescentes.
Agora, que já não há competição entre blocos e que o capitalismo já não tem nada a perder, mostra a sua verdadeira face, libertando-se das barreiras que lhe eram impostas pele necessidade de vencer a guerra fria!
Na essência do capitalismo está a luta pelos mercados.
Luta que vem de longe, desde os primórdios do nascimento do próprio sistema. Para conquistar mercados o capitalismo faz tudo. Quando não consegue de outra forma, o capitalismo faz a guerra.
A 2ª grande guerra foi, na essência, uma guerra pela conquista de mercados.
Hoje o euro trava uma luta feroz para se impor a nível mundial. O dólar protesta e recorre às agências de rating para o destruir.
No contexto desta luta global entre capitais, é já visível a perspectiva negra da necessidade da guerra para a clarificação "das leis do mercado".
Desde sempre o capital recorreu à guerra para a resolução dos seus conflitos internos, enquanto sistema.
É essencial que os cidadãos estejam atentos! A verdadeira face do sistema está ai: com a proletarização da classe média, a degradação de salários, o desemprego, a fome, a miséria - já chegou tudo - a guerra também chegará, a não ser que os povos se disponham a não deixar que ela aconteça!
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