Fumo.
Sem cor,
com peso, com dor.
Fumo que desce, e fica.
E faz fechar os olhos
numa escuridão de pálbebras pesadas
cansadas
desajustadas.
Música que se faz de notas
envergonhadas,
sem som.
Apenas pontos negros
espalhados num espaço absurdo de 5 linhas...
E 4 espaços, enormes.
A vida. O nada,
"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Naquela noite
Deitou-se. Adormeceu. Mas, passado pouco tempo, acordou. E levantou-se. Sentiu que trazia algo de novo dentro de si. Uma sensação de peso, de espaço ocupado, como se fosse um copo que tivesse sido enchido e tivessse ficado cheio.
Percebeu rapidamente que esse novo conteúdo que o preenchia era exigente, reclamava de si ação. Impelira-o a levantar-se e obrigava-o, agora, a vestir-se e a saír de casa, para fazer o que tinha de ser feito, fosse o que quer que fosse, que ele mesmo desconhecia.
Sentiu a absoluta impossibilidade de resistir.
O que seria que tinha dentro de si?
Importa pouco. O que importa é a missão. A missão exigida por aquela essência que lhe preenchera todo o espaço livre e que lhe pesava, agora. De que queria ver-se livre.
Chegado à rua, começou a caminhada. Mas não procurava nada, (sabia lá ele o que procurar...) caminhava à espera dum encontro, sem que pudesse sequer imaginar de que encontro estava à espera. Havia que caminhar para encontrar, algo ou alguém.
Apesar da iluminação pública, a noite não lhe mostrava nada que pudesse constituir encontro. Muito tarde. O mundo dormindo. Mas a exigência, teimosa, vinda do seu interior, obrigava-o a caminhar, a caminhar mais, sempre mais, até à consumação do ato.
Entrou no parque. Àquela hora escuro e vazio. Seguiu por entre árvores, bancos de madeira, coretos, lagos de patos. Até que lá bem ao fundo, junto ao gradeamento, pareceu-lhe... Apressou o passo.
Era o encontro!
Aproximou-se muito devagar e sem ruído, enquanto do bolso retirou a faca. A seus pés, o homem deitado no chão, continuava a dormir, sem que se tivesse apercebido de nada.
Levantou, então, bem alto a faca por 7 vezes e por 7 vezes a enterrou bem fundo no toráx do adormecido. Uma fonte, a jorrar de sangue, deu cor ao negro daquela noite ansiosa e coloriu o chão e pintalgou as plantas já tão cansadas de serem sempre verdes.
Sentiu-se de novo leve. Despejado.
Regressou a casa e então, tranquilamente, adormeceu.
Percebeu rapidamente que esse novo conteúdo que o preenchia era exigente, reclamava de si ação. Impelira-o a levantar-se e obrigava-o, agora, a vestir-se e a saír de casa, para fazer o que tinha de ser feito, fosse o que quer que fosse, que ele mesmo desconhecia.
Sentiu a absoluta impossibilidade de resistir.
O que seria que tinha dentro de si?
Importa pouco. O que importa é a missão. A missão exigida por aquela essência que lhe preenchera todo o espaço livre e que lhe pesava, agora. De que queria ver-se livre.
Chegado à rua, começou a caminhada. Mas não procurava nada, (sabia lá ele o que procurar...) caminhava à espera dum encontro, sem que pudesse sequer imaginar de que encontro estava à espera. Havia que caminhar para encontrar, algo ou alguém.
Apesar da iluminação pública, a noite não lhe mostrava nada que pudesse constituir encontro. Muito tarde. O mundo dormindo. Mas a exigência, teimosa, vinda do seu interior, obrigava-o a caminhar, a caminhar mais, sempre mais, até à consumação do ato.
Entrou no parque. Àquela hora escuro e vazio. Seguiu por entre árvores, bancos de madeira, coretos, lagos de patos. Até que lá bem ao fundo, junto ao gradeamento, pareceu-lhe... Apressou o passo.
Era o encontro!
Aproximou-se muito devagar e sem ruído, enquanto do bolso retirou a faca. A seus pés, o homem deitado no chão, continuava a dormir, sem que se tivesse apercebido de nada.
Levantou, então, bem alto a faca por 7 vezes e por 7 vezes a enterrou bem fundo no toráx do adormecido. Uma fonte, a jorrar de sangue, deu cor ao negro daquela noite ansiosa e coloriu o chão e pintalgou as plantas já tão cansadas de serem sempre verdes.
Sentiu-se de novo leve. Despejado.
Regressou a casa e então, tranquilamente, adormeceu.
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Omnipotente
Chega de noite,
por entre o silêncio das estrelas
sorrateiramente, insidiosamente,
devagar. Sempre devagar
a arrastar os pés
como se tivesse pés!
Não bate à porta, entra instala-se.
Alastra, cresce, transborda:
inunda o espaço, afoga-o de si mesma.
Apaga horizontes,
escurece eventos do passado,
contrai futuros, num presente morto.
A tristeza é omnipotente.
por entre o silêncio das estrelas
sorrateiramente, insidiosamente,
devagar. Sempre devagar
a arrastar os pés
como se tivesse pés!
Não bate à porta, entra instala-se.
Alastra, cresce, transborda:
inunda o espaço, afoga-o de si mesma.
Apaga horizontes,
escurece eventos do passado,
contrai futuros, num presente morto.
A tristeza é omnipotente.
Desinteressante
Uma lua enorme
imagina o peso!
Uma lua gigante
distante
arrogante.
Brilha, inconsciente.
Como se sorrisse, sem que achasse graça.
Como se falasse, sem saber o que dissesse.
Uma lua absolutamente desinteressante.
imagina o peso!
Uma lua gigante
distante
arrogante.
Brilha, inconsciente.
Como se sorrisse, sem que achasse graça.
Como se falasse, sem saber o que dissesse.
Uma lua absolutamente desinteressante.
segunda-feira, 24 de outubro de 2016
Chuva imprevista
Tomba a chuva, fria.
Dolorosa. Persistente. Teimosa.
Recorrente.
Chuva que molha, e esfria.
Que endoidece.
Mas que a meteorologia não previu!
Escorre a água pela roupa, e molha a roupa,
escorre pela pele, e molha a pele.
Escorre para o interior da alma
e afoga a alma.
Tempos de inverno,
tempos de inferno.
Mas e o céu?
As estrelas brilham,
a lua lá está meia a espreitar
núvens? Nenhumas!
Esta chuva é traiçoeira...
Chuva que vem dos olhos
molha mais.
Dolorosa. Persistente. Teimosa.
Recorrente.
Chuva que molha, e esfria.
Que endoidece.
Mas que a meteorologia não previu!
Escorre a água pela roupa, e molha a roupa,
escorre pela pele, e molha a pele.
Escorre para o interior da alma
e afoga a alma.
Tempos de inverno,
tempos de inferno.
Mas e o céu?
As estrelas brilham,
a lua lá está meia a espreitar
núvens? Nenhumas!
Esta chuva é traiçoeira...
Chuva que vem dos olhos
molha mais.
Estrada
Pela estrada fora, rumo à vida,
pela estrada fora, a caminho do futuro,
pela estrada fora, com confiança.
Sempre pela estrada fora
e sem desvios
passos convictos de destinos certos
seguros, tranquilos, ajustados.
Sempre, sempre, estrada fora.
Até que, inesperadamente,
imprevisivelmente
absurdamente
já não há estrada nenhuma.
Um percurso de anos
feito absurdo.
pela estrada fora, a caminho do futuro,
pela estrada fora, com confiança.
Sempre pela estrada fora
e sem desvios
passos convictos de destinos certos
seguros, tranquilos, ajustados.
Sempre, sempre, estrada fora.
Até que, inesperadamente,
imprevisivelmente
absurdamente
já não há estrada nenhuma.
Um percurso de anos
feito absurdo.
Sem sol
Esperas, tranquilamente, pelo sol.
A noite passa, devagar
contas o tempo, hora a hora,
minuto após minuto
dás um salto e gritas:
"deve ser agora!!!!"
Mas o céu está negro
o horizonte negro
a vida, se vive, não se vê.
passou o tempo como se não passasse.
Nada mudou.
Olhas em volta... procuras...
Mas não há luz pra que se veja.
Tentas então ouvir,
e ouves o vento que se cala
e não te diz.
O silêncio da noite inunda o dia
se é que há dia, quando o dia iguala a noite.
Talvez tenha morrido, o tempo...
Ou talvez...
que estejas morto tu.
A noite passa, devagar
contas o tempo, hora a hora,
minuto após minuto
dás um salto e gritas:
"deve ser agora!!!!"
Mas o céu está negro
o horizonte negro
a vida, se vive, não se vê.
passou o tempo como se não passasse.
Nada mudou.
Olhas em volta... procuras...
Mas não há luz pra que se veja.
Tentas então ouvir,
e ouves o vento que se cala
e não te diz.
O silêncio da noite inunda o dia
se é que há dia, quando o dia iguala a noite.
Talvez tenha morrido, o tempo...
Ou talvez...
que estejas morto tu.
Fendas no teu chão
Quando a terra racha:
fendas abissais e negras e escuras e grandes
que se afundam no tenebroso núcleo em fogo.
E o medo atravessa o sentir
e os pés deixam de ter chão onde pisar.
Quando a terra racha,
não há varões de segurança para agarrar,
a terra engole e não vomita
a terra absorve e não devolve
e derrete e destrói.
Quando a terra racha,
rapidamente tudo foi tentado
que não há nada a tentar
a não ser desespero e medo
e calor de morte que se sente em vida.
Quando a terra racha,
o pó atravessa o respirar
o ar fica vermelho, sufoca, comprime, pesa,
força os corpos para dentro das fendas
e um a um lá vão, sugados. Impotentes.
Quando a terra racha,
razões terá para rachar:
é a revolta da terra contra o Deus do infinito:
porque a terra sabe que tem fim.
fendas abissais e negras e escuras e grandes
que se afundam no tenebroso núcleo em fogo.
E o medo atravessa o sentir
e os pés deixam de ter chão onde pisar.
Quando a terra racha,
não há varões de segurança para agarrar,
a terra engole e não vomita
a terra absorve e não devolve
e derrete e destrói.
Quando a terra racha,
rapidamente tudo foi tentado
que não há nada a tentar
a não ser desespero e medo
e calor de morte que se sente em vida.
Quando a terra racha,
o pó atravessa o respirar
o ar fica vermelho, sufoca, comprime, pesa,
força os corpos para dentro das fendas
e um a um lá vão, sugados. Impotentes.
Quando a terra racha,
razões terá para rachar:
é a revolta da terra contra o Deus do infinito:
porque a terra sabe que tem fim.
quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Eles andem aí
De repente, sem saberes bem porquê, dão-te um pontapé. Mas depois, horas ou dias depois, com um maravilhoso sorriso nos lábios, dizem-te "Bom dia", "Que bom estares aqui!" E tu compreendes que o pontapé foi um engano, um ato do acaso e desvalorizas.
Uma semana depois, dão-te um encontrão e tu cais. Ficas magoado. Gritas, protestas. Umas horas ou dias depois, recebes novamente o tal maravilhoso sorriso, e um "Ainda bem que te vejo!"
De pontapé em pontapé de sorriso em sorriso, vais sendo habilmente manipulado pelos malabaristas do sorriso.
Cuidado!!!
"Eles andem aí..."
Uma semana depois, dão-te um encontrão e tu cais. Ficas magoado. Gritas, protestas. Umas horas ou dias depois, recebes novamente o tal maravilhoso sorriso, e um "Ainda bem que te vejo!"
De pontapé em pontapé de sorriso em sorriso, vais sendo habilmente manipulado pelos malabaristas do sorriso.
Cuidado!!!
"Eles andem aí..."
sábado, 8 de outubro de 2016
Sadismo
Palavras do sentir,
que se entoam numa melodia triste,
um fado arrastado,que se ouve, para lá das luzes,
para lá da noite,
para lá de mim.
Quem as profere?
Os lábios do vácuo,
que o vácuo sabe gritar, como ninguém mais!
E persistentemente as grita, sem piedade.
Sádico, teimoso, insistente,
repete o que sempre disse e não é nada,
Fala, como se não precisasse abrir a boca. Não abre.
Pensa irrefletidamente. Não sabe o que diz.
Mas chicoteia a vítima até ao sangue.
...Até depois do sangue...
E enebria-se...
que se entoam numa melodia triste,
um fado arrastado,que se ouve, para lá das luzes,
para lá da noite,
para lá de mim.
Quem as profere?
Os lábios do vácuo,
que o vácuo sabe gritar, como ninguém mais!
E persistentemente as grita, sem piedade.
Sádico, teimoso, insistente,
repete o que sempre disse e não é nada,
Fala, como se não precisasse abrir a boca. Não abre.
Pensa irrefletidamente. Não sabe o que diz.
Mas chicoteia a vítima até ao sangue.
...Até depois do sangue...
E enebria-se...
Não gosto
Grotesco, inóspito, agreste,
este som dos outros que nos chega!
Um som rastejante de gargantas ferrujentas,
de intenções oblíquas,
de razões ausentes
Já não vejo o que antes via;
Rostos transformaram-se em borrões,
sorrisos, são agora esgares,
Já não ouço o que ouvia;
palavras transformaram-se em gumes de facas
prontas a matar.
Inóspito, triste, depressivo.
Silêncios arrogantes,
construidos pelo deus da noite,
para fazer das boas intenções,abortos.
Não gosto.
.
este som dos outros que nos chega!
Um som rastejante de gargantas ferrujentas,
de intenções oblíquas,
de razões ausentes
Já não vejo o que antes via;
Rostos transformaram-se em borrões,
sorrisos, são agora esgares,
Já não ouço o que ouvia;
palavras transformaram-se em gumes de facas
prontas a matar.
Inóspito, triste, depressivo.
Silêncios arrogantes,
construidos pelo deus da noite,
para fazer das boas intenções,abortos.
Não gosto.
.
sábado, 24 de setembro de 2016
O estranho caso duma flor
Era uma vez um menino que tinha uma flor guardada numa caixinha que transportava consigo, a toda a hora de todos os dias. Porque a flor era a mais bela que alguma vez tinha visto.
Porém quando a mostrava a alguém, ninguém a achava assim tão bela.,
"Estúpidos", pensava o menino; "não percebem nada de flores!"
Os dias foram passando, os meses e o anos também, mas a flor dentro da caixinha permanecia ao lado do menino, sempre,
Um dia foi o dia da viagem. Para longe ia o menino, para terras distantes, e quis o acaso que, na confusão de malas e bagagens, deixasse a caixinha com a flor, esquecida, em casa.
O tempo da distância foram meses, em que, sempre ocupado a conhecer coisas novas, mundos diferentes, pessoas de outros modos e locais, o menino, apenas à noite, ao regressar ao tempo de si mesmo, recordava e sentia enormes saudades, da sua querida flor.
Mas depois, recomeçava a vida, e mais um dia se passava sem a poder de novo ter ali, a acompanhá-lo o que fazia que a saudade fosse ficando cada vez mais densa.
Até que chegou o dia do regresso.
De volta à sua terra, ao seu espaço, a primeira coisa que fez foi correr e procurar a flor, sentindo remorsos de a ter abandonado e ansioso por receber de novo aquela visão magnífica que sempre o tornava um pouco mais feliz, todas as vezes.
Lá estava a caixa. Ali mesmo, no lugar onde a sabia ter deixado. Olhou e parou. prolongando o tempo do prazer do saber que a ia ver de novo, tocar de novo, cheirar de novo, sentir, de novo.
Por fim, abriu a caixa.
Espreitou,
Lá dentro a flor.
Uma flor sem graça, descolorida, mal cheirosa, feia.
O menino ficou perturbado. Quem lhe teria trocado a flor tão bela que ele trazia sempre consigo, por aquela tão sem graça?
Ficou triste, muito triste, mesmo. Tão triste, que alguém que o viu assim, logo teimou em saber o que se passava.
E o menino explicou e mostrou a flor sem graça.
"Ouve lá, rapaz. Essa é precisamente a mesma flor que tu transportavas sempre contigo para todo o lado. É a mesma e está exatamente como sempre foi. Nunca ninguém, aliás, chegou perceber porque gostavas tanto dela!!!"
O menino tanbém deixou de perceber.
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
O Sarmento
Tenho de me apressar. daqui a uma horita chega o Sarmento e a família e a casa tem de estar preparada para os receber.
Muito agradável esta minha casa em Campo de Ouriuqe. Uma moradia térrea, pequena, mas acolhedora. E o melhor é a localização, porque, apesar de estar bem no centro da cidade, quando lá chegamos, parece termos entrado num pequeno largo duma aldeia. Sem barulho de trânsito, sem muito movimento, um oásis de tranquilidade no centro de Lisboa.
Bem, estou a chegar. Poucas vezes cá venho, só quando está para chegar alguém. Hm...Os vizinhos estão na rua. Nem me devem conhecer. A ver se preparo a chave para meter na fechadura mal chegue à porta, não vão eles pensar que eu sou um assaltante, se levar muito tempo a conseguir entrar.
Ok. Cá estou. Um pouco escuro, que os dias já são curtos. preciso de luz...onde diabo está o quadro elétrico...Ah, aqui. Pronto. Ligo a luz e....
Eish!!! Que confusão por aqui vai! Louiça espalhada nas mesa, roupas de cama pelo chão... Bem. Dá tempo. Uma hora ainda até o Sarmento cá chegar.
Mas...
Espera lá!
Sarmento?
Eu não conheço nenhum Sarmento nem nunca contactei nenhum Sarmento!!!!
O Sarmento e a família vem para a minha moradia em Campo de Ourique?
Mas.... Eu não tenho nenhuma moradia em Campo de Ourique!!!!
Bah!
Vou, mas é, comer um pêssego!
Muito agradável esta minha casa em Campo de Ouriuqe. Uma moradia térrea, pequena, mas acolhedora. E o melhor é a localização, porque, apesar de estar bem no centro da cidade, quando lá chegamos, parece termos entrado num pequeno largo duma aldeia. Sem barulho de trânsito, sem muito movimento, um oásis de tranquilidade no centro de Lisboa.
Bem, estou a chegar. Poucas vezes cá venho, só quando está para chegar alguém. Hm...Os vizinhos estão na rua. Nem me devem conhecer. A ver se preparo a chave para meter na fechadura mal chegue à porta, não vão eles pensar que eu sou um assaltante, se levar muito tempo a conseguir entrar.
Ok. Cá estou. Um pouco escuro, que os dias já são curtos. preciso de luz...onde diabo está o quadro elétrico...Ah, aqui. Pronto. Ligo a luz e....
Eish!!! Que confusão por aqui vai! Louiça espalhada nas mesa, roupas de cama pelo chão... Bem. Dá tempo. Uma hora ainda até o Sarmento cá chegar.
Mas...
Espera lá!
Sarmento?
Eu não conheço nenhum Sarmento nem nunca contactei nenhum Sarmento!!!!
O Sarmento e a família vem para a minha moradia em Campo de Ourique?
Mas.... Eu não tenho nenhuma moradia em Campo de Ourique!!!!
Bah!
Vou, mas é, comer um pêssego!
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
Imaterial
Por todo aquele espaço!
(E não é terreno, nem rio nem mar nem céu...)
Brincam as almas.
Saltam, corem, riem-se,
tropeçam na alegria que constroem.
e caem sem qualquer som de dor.
Gargalhadas entre sons de água que corre e que não há,
entre chilreios de pássaros que também não há,
múrmúrios de água a correr, mas não há rios nem fontes
e, muito menos, mar.
Sensações apenas.
Desprovidas de corpo.
(E não é terreno, nem rio nem mar nem céu...)
Brincam as almas.
Saltam, corem, riem-se,
tropeçam na alegria que constroem.
e caem sem qualquer som de dor.
Gargalhadas entre sons de água que corre e que não há,
entre chilreios de pássaros que também não há,
múrmúrios de água a correr, mas não há rios nem fontes
e, muito menos, mar.
Sensações apenas.
Desprovidas de corpo.
Desnecessário
Lá, num outro tempo e num outro espaço
não haverá palavras,
nem desenhos,
nem sinais.
Da mesma forma que não se rega um rio.
Lá, num outro tempo e numa outra dimensão,
verás o que eu vejo e não te mostro,
ouvirás o que eu oiço e não te digo.
Da mesma forma que não se fotografa a alma.
Lá, nesse outro tempo e nesse outro local,
os telefones erguerão montanhas.
uns sobre os outros, a enferrujar.
Não haverá livros, que não haverá palavra,
e não haverá palavras que não haverá letras.
Da mesma forma que não se usa o que já não há.
Lá, nesse outro tempo e espaço,
o pensamento será como o ar que se respira
que todos assilmilam e que não é de ninguém.
Da mesma forma que não se guarda o vento.
Lá, não precisarás falar.
não haverá palavras,
nem desenhos,
nem sinais.
Da mesma forma que não se rega um rio.
Lá, num outro tempo e numa outra dimensão,
verás o que eu vejo e não te mostro,
ouvirás o que eu oiço e não te digo.
Da mesma forma que não se fotografa a alma.
Lá, nesse outro tempo e nesse outro local,
os telefones erguerão montanhas.
uns sobre os outros, a enferrujar.
Não haverá livros, que não haverá palavra,
e não haverá palavras que não haverá letras.
Da mesma forma que não se usa o que já não há.
Lá, nesse outro tempo e espaço,
o pensamento será como o ar que se respira
que todos assilmilam e que não é de ninguém.
Da mesma forma que não se guarda o vento.
Lá, não precisarás falar.
segunda-feira, 4 de julho de 2016
rosto
Um rosto,
na memória que se sente.
Como se estivesse aqui ao lado
e pudesse ver
e pudesse ouvir.
Um rosto,
cujas formas se reconhecem de imediato
como se estivesse aqui
e visse
e ouvisse.
Um rosto?
Mas se não tem olhos nem ouvidos?
Um rosto que não está,
nem nunca esteve.
Um rosto de fazer de conta
um rosto a fingir!
Um rosto?
Talvez...
Lá longe no limite do horizonte da memória.
Qual rosto?
Vejo apenas fumo.
na memória que se sente.
Como se estivesse aqui ao lado
e pudesse ver
e pudesse ouvir.
Um rosto,
cujas formas se reconhecem de imediato
como se estivesse aqui
e visse
e ouvisse.
Um rosto?
Mas se não tem olhos nem ouvidos?
Um rosto que não está,
nem nunca esteve.
Um rosto de fazer de conta
um rosto a fingir!
Um rosto?
Talvez...
Lá longe no limite do horizonte da memória.
Qual rosto?
Vejo apenas fumo.
Pó
Terra queimada,
por dentro cinzas, por fora pó.
Passos que se arrastam na poeira
lentos, cansados, tristes.
Passos de pés que já morreram.
O sol ficou castanho,
já não brilha, apenas queima.
Das árvores,
só os troncos retorcidos teimaram em ficar.
Talvez só para enfeitar o vazio da terra.
Caminha-se, mas não há caminho!
Nem voltará a haver:
o movimento é aautomático,
como se fosse uma missão sem causa.
Não há ninguém,
pelo menos vivo.
os pés que dão os passos, não são de ninguém:
são pés a que cortaram os corpos.
mas que teimam em fazer o que sabem fazer.
Os pés caminham,
automaticamente
sem razão nenhuma a não ser essa.
Levantando o pó.
por dentro cinzas, por fora pó.
Passos que se arrastam na poeira
lentos, cansados, tristes.
Passos de pés que já morreram.
O sol ficou castanho,
já não brilha, apenas queima.
Das árvores,
só os troncos retorcidos teimaram em ficar.
Talvez só para enfeitar o vazio da terra.
Caminha-se, mas não há caminho!
Nem voltará a haver:
o movimento é aautomático,
como se fosse uma missão sem causa.
Não há ninguém,
pelo menos vivo.
os pés que dão os passos, não são de ninguém:
são pés a que cortaram os corpos.
mas que teimam em fazer o que sabem fazer.
Os pés caminham,
automaticamente
sem razão nenhuma a não ser essa.
Levantando o pó.
sexta-feira, 24 de junho de 2016
Irrealidades
Momentos em que o tempo seca,
o ar arde, a garganta enche-se de pó,
e os olhos não;
o tempo marca o fim,o adeus final,
o caminho que não tem retorno
e o sentir não sabe;
a lógica confere razão aos factos,
a dedução conclui e objectiviza
e o coração teima;
Momentos de uma eternidade estúpida,
momentos permanentemente ciclicos,
e a alma não percebe.
Tudo secou.
A desidratação ouve-se no estalar do universo,
e os olhos?
Os olhos imaginam que são fontes.
o ar arde, a garganta enche-se de pó,
e os olhos não;
o tempo marca o fim,o adeus final,
o caminho que não tem retorno
e o sentir não sabe;
a lógica confere razão aos factos,
a dedução conclui e objectiviza
e o coração teima;
Momentos de uma eternidade estúpida,
momentos permanentemente ciclicos,
e a alma não percebe.
Tudo secou.
A desidratação ouve-se no estalar do universo,
e os olhos?
Os olhos imaginam que são fontes.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
Rocha
Marcas de pés em areia mole
porque a água não chegou
ainda não chegou.
As marcas são de areia
e não de pés.
Sangue de pés na rocha nua.
porque a água não chegou.
Mas o sangue é dos pés:
rochas não sangram.
A dureza do Mundo tem uma escala
registada nas bíblias de quem manda
biblias guardadas na dimensão do sempre,
inacessível a quem passa
que apenas tem direito a descobrir.
E vem a água e lava.
lava e leva: areia e sangue.
A rocha...
pertence a outra escala!
porque a água não chegou
ainda não chegou.
As marcas são de areia
e não de pés.
Sangue de pés na rocha nua.
porque a água não chegou.
Mas o sangue é dos pés:
rochas não sangram.
A dureza do Mundo tem uma escala
registada nas bíblias de quem manda
biblias guardadas na dimensão do sempre,
inacessível a quem passa
que apenas tem direito a descobrir.
E vem a água e lava.
lava e leva: areia e sangue.
A rocha...
pertence a outra escala!
Com calma
Que seja mais forte a razão!
(por uma vez, ao menos...)
Que as estrelas não são mais que astros,
o sol, não é mais que estrela,
a lua...não passa de um planeta.
E a luz, não mais do que fotões em movimento.
Que seja mais forte a razão!
(por uma vez ao menos...)
E o valor seja dado ao raciocínio:
às observações esperimentações e conclusões.
Tão só.
Que seja mais forte a razão!
E que esmague sentimentos,
sensações, carinhos e outras merdas dessas.
E que não vacile!
E que não se vergue!
Que seja mais forte a razão,
que seja ela a determinar os actos.
E a estabelecer a paz,
uma paz de tranquilidade
contruida por vontade
e não pelo coração.
Que seja, pois, mais forte a razão,
que a alma!
Parta que eu te mande à merda,
mas...
com calma!
(por uma vez, ao menos...)
Que as estrelas não são mais que astros,
o sol, não é mais que estrela,
a lua...não passa de um planeta.
E a luz, não mais do que fotões em movimento.
Que seja mais forte a razão!
(por uma vez ao menos...)
E o valor seja dado ao raciocínio:
às observações esperimentações e conclusões.
Tão só.
Que seja mais forte a razão!
E que esmague sentimentos,
sensações, carinhos e outras merdas dessas.
E que não vacile!
E que não se vergue!
Que seja mais forte a razão,
que seja ela a determinar os actos.
E a estabelecer a paz,
uma paz de tranquilidade
contruida por vontade
e não pelo coração.
Que seja, pois, mais forte a razão,
que a alma!
Parta que eu te mande à merda,
mas...
com calma!
sexta-feira, 20 de maio de 2016
Se
Se eu hoje fosse um Deus,
virava o Mundo!
De esfera, virava decaedro,
e os dias e as noites...sempre eternos.
Se eu hoje fosse um pombo,
esqueceria as estátuas e procuraria os fatos, os chapéus, as plumas.
E abriria buracos, com o meu ácido.
E criaria situações embaraçosas
a senhoras despenteadas de pensar.
Se eu hoje fosse um réptil,
faria dos dedos das patas, alavancas.
Saltaria mais do que os coelhos!
Só para aliviar o tempo.
Se eu hoje fosse um porco
Ah, sim!
Eu hoje sou um porco!!!
Fica tudo como está.
virava o Mundo!
De esfera, virava decaedro,
e os dias e as noites...sempre eternos.
Se eu hoje fosse um pombo,
esqueceria as estátuas e procuraria os fatos, os chapéus, as plumas.
E abriria buracos, com o meu ácido.
E criaria situações embaraçosas
a senhoras despenteadas de pensar.
Se eu hoje fosse um réptil,
faria dos dedos das patas, alavancas.
Saltaria mais do que os coelhos!
Só para aliviar o tempo.
Se eu hoje fosse um porco
Ah, sim!
Eu hoje sou um porco!!!
Fica tudo como está.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Espera vã
Distância, caminhos,
luas sucessivas,
estrelas a fazer de conta
que a noite não existe.
Palavras de silêncio.
Muros de insensibilidade.
Buracos negros de compreensão.
Tudo rola, como a terra rola,
tudo roda como o niverso roda
cantigas de roda
em roda de ninguém...
Só interessa aquilo que se espera
a razão porque se espera
é só porque não há.
luas sucessivas,
estrelas a fazer de conta
que a noite não existe.
Palavras de silêncio.
Muros de insensibilidade.
Buracos negros de compreensão.
Tudo rola, como a terra rola,
tudo roda como o niverso roda
cantigas de roda
em roda de ninguém...
Só interessa aquilo que se espera
a razão porque se espera
é só porque não há.
quinta-feira, 24 de março de 2016
Juistiça, sempre a justiça....

Faz aproximadamente dois mil anos, que um homem foi enviado à justiça.
E condenado.
Por crimes que cometeu? Bem....talvez sim: desde o fazer milagres ao Domingo, até usar violência para com os vendilhões do templo, passando por afirmar ser rei, usurpando o cargo ao afirmá-lo.... passando ainda por outras coisas mais.
E estes crimes justificam, a pena de morte a que foi condenado?
Na verdade, já nesse tempo, a justiça podia ser posta ao serviço das classes dominantes, de forma a que, pretextos judiciários servissem de instrumento para outros desidratos mais relevantes.
Assim, um perigo eminente para o sistema, foi facilmente destruido, com recurso a meios judiciários.
O homem foi, ao que consta, pregado na cruz e aí terá morrido.
E os media? Bem, não haveria propriamente media na altura, mas facto é que foi possível já, por meios de propaganda, manipular as massas poopulares, ao ponto de estas, aglomeradas e absolutamente convictas da sua razão, aclamarem a libertação de um terrível criminoso, Barrabás e, ao mesmo tempo, reclamarem a pena de morte para um, quando muito, criminosozito de meia tijela, de seu nome, Jesus Cristo.
Não.
Realmente o Mundo não mudou assim tanto como isso!
terça-feira, 1 de março de 2016
ventempo
O tempo é o vento,
ora sopra mais, ora sopra ainda mais
se não soprar, então não é.
O vento que parece levar tudo
não leva nunca nada:
apenas amontoa, distorce, dispersa...
O tempo é o vento.
O tempo não leva nada.
O vento arrefece os corpos, por fora.
O tempo arrefece as almas, por dentro.
O tempo é o vento do sentir.
Fechas as portas e as janelas,
mas o vento força!
Invade pelos minúsculos espaços disponíveis.
O vento é hábil. Engenhoso.
O vento vence sempre.
O tempo tem a mesma habilidade.
O tempo é como o vento!
O ventotempo
é triste.
ora sopra mais, ora sopra ainda mais
se não soprar, então não é.
O vento que parece levar tudo
não leva nunca nada:
apenas amontoa, distorce, dispersa...
O tempo é o vento.
O tempo não leva nada.
O vento arrefece os corpos, por fora.
O tempo arrefece as almas, por dentro.
O tempo é o vento do sentir.
Fechas as portas e as janelas,
mas o vento força!
Invade pelos minúsculos espaços disponíveis.
O vento é hábil. Engenhoso.
O vento vence sempre.
O tempo tem a mesma habilidade.
O tempo é como o vento!
O ventotempo
é triste.
Modernidade líquida (um) segundo Zygmunt Bauman
Chegamos a um momento em que não sabemos o que somos. Sabemos que não somos modernos, pois a razão não é tão poderosa quanto outrora, mas também, ainda não sabemos em que estágio estamos. Assim, a contemporaneidade é chamada de pós-moderna, ou como prefere o sociólogo Polonês Zygmunt Bauman - Modernidade Líquida.
Nesse universo, tudo é fluído e muda com extrema rapidez, não há espaço para coisas sólidas, já que em tempos líquidos, tudo que é sólido se desmancha no ar. Dessa maneira, o amor , a amizade, também assumem uma nova face diante de todas essas mudanças, assumindo uma forma líquida.
Como dito, o mundo pós-moderno é marcado pela extrema fluidez e velocidade que as relações possuem, de tal modo que a facilidade em desconectar é o principal elemento das relações. Uma relação que nos prende e finca raízes e que, por conseguinte, não permite desconectar com tanta facilidade é um fardo que o homem contemporâneo parece não querer carregar.
Assim, como se estivessem numa grande feira, os indivíduos compram, trocam e vendem relacionamentos. Tudo isso graças à facilidade de desconectar. Acreditam que com as suas inúmeras experiências, tornam-se experts de relacionamentos.. Entretanto, o que adquirem é apenas a
"Habilidade de terminar rapidamente e começar do início."
Ou seja, os muitos relacionamentos não significam necessariamente mais amor ou mais amizade. A rapidez com que descartam os relacionamentos não permite conhecer o outro a ponto se relacionar verdadeiramente. Em verdade nessa fluidez chega a ser um contrassenso a ideia de relacionamento, uma vez que relacionar-se significa “levar consigo”, e “levar consigo”,está fora do cardápio pós-moderno.
"É tentador afirmar que o efeito dessa aparente aquisição de habilidades tende a ser, como no caso de Don Giovanni, o desaparecimento do amor - uma exercitada incapacidade para amar."
Estamos presos ao nosso próprio eu, o que se tornou ainda mais viável com o desenvolvimento dos aparelhos tecnológicos e a internet. Não queremos nos dar o trabalho de investir em relacionamentos, tudo é uma questão de custo-benefício. Os relacionamentos transformaram-se em meras mercadorias, de forma que o que se busca é sempre lucrar com o produto final.
Não há tempo para a semeadura, a qual além de levar tempo é desgastante. Queremos tão somente usufruir do produto acabado, e quando este já não nos serve, trocamos por outro, afinal, essa é a lógica do mercado, e amor e amizade, nesse contexto, também se encontra na vitrine.
"E assim é numa cultura consumista como a nossa que favorece o produto pronto para o uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução de dinheiro."
Os relacionamentos, assim, são vistos como investimentos comerciais. Não há tempo a perder, é preciso estar atento ao mercado, pois, quando este acenar com possibilidades melhores, tenho que estar pronto para me desfazer dos relacionamentos que possuo e usufruir de outros melhores.
"O parceiro é a ação a ser vendida ou o prejuízo a ser eliminado - e ninguém consulta as ações antes de devolvê-las ao mercado, nem os prejuízos antes de cortá-los."
O amor e a amizade líquidos são a transformação dos homens em mercadorias, é a solidão de uma sociedade individualista que busca relacionar-se, mas sem se envolver, como se as pessoas fossem descartáveis. A insegurança impede que raízes sejam fincadas, que o produto acabado se transforme em produto construído, que alguém esteja dentro de mim. No máximo o que são permitidos são os "relacionamentos de bolso", os quais você guarda no bolso de modo a poder lançar mãos deles quando for preciso.
Amor e amizade significam perder tempo, ter dor de cabeça, estar pronto a arriscar, pois nada é um produto acabado, mas antes uma construção perene. É impossível saber se está certo ou errado, pois ainda não se chegou ao fim do caminho. É investir na semeadura, mesmo antes de saber se os frutos nascerão. É preciso esforçar-se, estar pronto em alguns momentos a abdicar do seu eu, colocar-se no lugar do outro.
Vivemos numa sociedade hedonista, em que tudo que retarda a satisfação é visto de forma inadequada, e relações inter.pessoais a sério, precisam de tempo. Dessa forma, os relacionamentos de bolso escondem a insegurança e o medo das pessoas se envolverem, assim como a incapacidade de saírem da zona de conforto e perder tempo com algo. Queremos relacionarnos de forma a obtermos satisfação e de forma a que por algum momento nos afaste a solidão, mas não queremos ter o trabalho de nem por um momento ter um peso que nos impeça de flutuar, afinal,
"Vivemos em tempos líquidos. Nada é para durar."
Zygmunt Bauman
Modernidade líquida (2)
Com ajuda preciosa do David Carreira, torna-se mais fácil compreender o conceito da "modernidade líquida":
Tu querias fugir da palavra ‘relação’
Neste lance ficava de fora o coração
Amigos sem compromisso
E cada um sabia disso
...................................
Como uma música solta, que eu escrevi
Tudo me leva pra ti
Parece que deu a volta
E agora eu cai
A modernidade líquida, no amor , na amizade, enfim, no relacionamento humano pode definir-se como o "horror ao compromisso", que tem por base uma falsa concepção de liberdade.
O resultado está na última quadra da lertra desta música... Algué, sai smpre magoado.
Liberdade não é a ausência de compromissos que se assumem. Liberdade não é a submissão às vontades provisórias do inconsciente!
Liberdade é a escolha consciente de compromissos.
Muito ao contrário do que a "modernidade líquida" nos quer fazer crer!
Tu querias fugir da palavra ‘relação’
Neste lance ficava de fora o coração
Amigos sem compromisso
E cada um sabia disso
...................................
Como uma música solta, que eu escrevi
Tudo me leva pra ti
Parece que deu a volta
E agora eu cai
A modernidade líquida, no amor , na amizade, enfim, no relacionamento humano pode definir-se como o "horror ao compromisso", que tem por base uma falsa concepção de liberdade.
O resultado está na última quadra da lertra desta música... Algué, sai smpre magoado.
Liberdade não é a ausência de compromissos que se assumem. Liberdade não é a submissão às vontades provisórias do inconsciente!
Liberdade é a escolha consciente de compromissos.
Muito ao contrário do que a "modernidade líquida" nos quer fazer crer!
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
Uma questão de linguagem
Persistiu, por longo tempo, teimosamente, insistentemente, sistematicamente na sua missão. Deitava-se a pensar na melhor maneira, na estratégia que pudesse ser a mais eficaz.
Depois, logo de manhã cedo, metia "mãos à obra" e lá ia, para mais um dia de dedicação à causa.
E assim era todos os dias, de todas as semanas, de todos os meses, de todos os anos
Sempre.
Persistentemente.
Houve quem lhe dissesse que não valia a pena...Que era escusado. Que era impossível tal missão.
Mas, ouvidos surdos, continuava sempre, acreditando que teria resultados.
Um dia, tal o cansaço da tarefa que a si próprio impusera, já nem teve forças para voltar a casa. Passou a noite lá, no seu "posto de trabalho", sem que desse propriamente conta de que era noite e estava frio demais para dormir assim, no meio duma pedreira abandonada.
Mas uma coisa muito estranha aconteceu durante essa noite:
uma luz vinda do mais longínquo lugar do Universo, de repente, deu-lhe a clarividência necessária. para tomar uma decisão da máxima importância!
Mal acordou, tomou a firme decisão de desistir de imediato da obra em que há tanto tempo se empenhara e voltou para casa, embora encharcado duma enorme frustração.
Tinha, no entanto, percebido finalmente, a inutilidade dos seus esforços:
jamais conseguiria ensinar pedras a falar!
Depois, logo de manhã cedo, metia "mãos à obra" e lá ia, para mais um dia de dedicação à causa.
E assim era todos os dias, de todas as semanas, de todos os meses, de todos os anos
Sempre.
Persistentemente.
Houve quem lhe dissesse que não valia a pena...Que era escusado. Que era impossível tal missão.
Mas, ouvidos surdos, continuava sempre, acreditando que teria resultados.
Um dia, tal o cansaço da tarefa que a si próprio impusera, já nem teve forças para voltar a casa. Passou a noite lá, no seu "posto de trabalho", sem que desse propriamente conta de que era noite e estava frio demais para dormir assim, no meio duma pedreira abandonada.
Mas uma coisa muito estranha aconteceu durante essa noite:
uma luz vinda do mais longínquo lugar do Universo, de repente, deu-lhe a clarividência necessária. para tomar uma decisão da máxima importância!
Mal acordou, tomou a firme decisão de desistir de imediato da obra em que há tanto tempo se empenhara e voltou para casa, embora encharcado duma enorme frustração.
Tinha, no entanto, percebido finalmente, a inutilidade dos seus esforços:
jamais conseguiria ensinar pedras a falar!
sábado, 2 de janeiro de 2016
Na memória
O teu olhar...
Dz-me que sabes.
Já não podes.
Mas sabes.
Eu impotente, também sei.
Mas não te digo,porque sei que sabes.
Foram doze anos.
Muito tempo.
Pouco tempo!
E sempre a tua disponibilidade
mesmo se faltava a minha.
E sempre a tua sinceridade,
mesmo se faltava a minha.
Numa improvável amizade
com milhões de anos de distanciação genética!
Mas real. Verdadeira.
Não daquelas a fazer de conta.
Eu sei e sei que também sabes
que em 2016 chegará ao fim.
Não porque não queiras mais
não porque eu não queira mais
só porque não podes.
E eu também não posso.
Porque este deus que nos governa
se enche de importância ao contemplar o seu próprio sadismo.
Seja como for
estarás cá...
Cá dentro
na memória do sentir-te sempre.
.
Dz-me que sabes.
Já não podes.
Mas sabes.
Eu impotente, também sei.
Mas não te digo,porque sei que sabes.
Foram doze anos.
Muito tempo.
Pouco tempo!
E sempre a tua disponibilidade
mesmo se faltava a minha.
E sempre a tua sinceridade,
mesmo se faltava a minha.
Numa improvável amizade
com milhões de anos de distanciação genética!
Mas real. Verdadeira.
Não daquelas a fazer de conta.
Eu sei e sei que também sabes
que em 2016 chegará ao fim.
Não porque não queiras mais
não porque eu não queira mais
só porque não podes.
E eu também não posso.
Porque este deus que nos governa
se enche de importância ao contemplar o seu próprio sadismo.
Seja como for
estarás cá...
Cá dentro
na memória do sentir-te sempre.
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