"Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem." -(Mateus, XIII: 10-15)
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Distância
Lá fora é escuro.
E há o vento.
O medo.
O desalento do longe consentido
que nos persegue de tão perto.
A escuridão é uma distância,
que só a fúria dum temporal consegue vencer.
Ficamos à espera
com tudo a perder.
Construímos o tempo de faz de conta
e estamos encerrados nele.
Tempo que é prisão
e solidão.
Se me dessem asas,
lançava-me ao vento,
escuridão fora,
destino certo,
liberdade em movimento!
Sem asas,
a escuridão é uma distância
construída de cimento.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
In tempore
Passava já da meia-noite, quando se lembrou de ir verificar o correio. Entrou na conta e lá estava: um novo e-mail. Leu.
Rapidamente percebeu que tinha muito pouco tempo para tudo o que precisava de fazer.
Correu: foi buscar um caderno, uma caneta, começou a percorrer o histórico dos e-mails e a responder, escrevendo as respostas no caderno. E assim continuou por longas horas, já que muita coisa havia a responder. Finalmente, com o caderno cheio, deu a tarefa por concluída e olhou para o relógio. "Bolas, já são 7 da manhã, terei ainda tempo?" -pensou.
Correu a casa à procura dumas coisinhas que se esquecera de entregar, mas, onde estavam elas agora? Lá as foi encontrando. Procurou um saco. Colocou no saco o caderno, mais as tais coisinhas.
"Meu Deus, já são 7.30h! Terei ainda tempo" -pensou.
Correu a vestir-se, desceu as escadas e entrou no carro. Ligou a ignição deu ao motor de arranque e...nada. Insistiu. E o tempo que passava. Voltou a insistir e, finalmente, motor a trabalhar! Arrancou e conduziu apressadamente pelas ruas da cidade. Talvez ainda chegasse a tempo, sim!
Chegou. Dez minutos passados da hora. E agora?
Claro, já lá estava o padre a rezar a missa, o que tornava tudo agora mais difícil. Juntou-se aos outos e participou na celebração, à espera do momento oportuno, sempre com o saco ao seu lado. Chegou a altura ideal, quando o padre, dirigindo-se à assistência disse "saudai-vos na paz de Cristo". As pessoas começaram então a cumprimentar-se e ele aproveitou este momento de distração para se aproximar e colocar o saco dentro do caixão do defunto, sem que ninguém desse por isso.
Mais calmo, agora, acabou de assistir à celebração. Viu o caixão a ser tapado e depois transportado e colocado na cova.
Regressou a casa, feliz.
Tinha conseguido!
Entregara tudo o que havia ficado por entregar e até tinha conseguido ficar, sem nada por dizer.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Possibilidades
O impossível
acontece,
sem pedir licença, chega e é.
Assustados, os pássaors levantam vôo,
as águas paradas agitam-se em catástrofes inaturais,
estremecem os paraplégicos, caem cadeiras de rodas,
partem-se as pernas
arrancam-se os pregos
e a lua cai do céu aos trambolhões!
O previsível é incerto
e o desconhecido uma torrente
que se sente
que nos prende
e não se entende.
A possibilidade do impossível ser possível
demonstra-se:
o impossível acontece!
acontece,
sem pedir licença, chega e é.
Assustados, os pássaors levantam vôo,
as águas paradas agitam-se em catástrofes inaturais,
estremecem os paraplégicos, caem cadeiras de rodas,
partem-se as pernas
arrancam-se os pregos
e a lua cai do céu aos trambolhões!
O previsível é incerto
e o desconhecido uma torrente
que se sente
que nos prende
e não se entende.
A possibilidade do impossível ser possível
demonstra-se:
o impossível acontece!
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Teimosias
Como se surgissem de nascente improvável,
as palavras vão brotando,
lentamente,
umas juntas a outras
tal como as gotas de água fazem rio.
Brotam sem destino marcado,
seguem o caminho do acaso, podem chegar
ou não chegar. a qualquer lado.
Podem nem chegar a ser,
engolidas à nascença pelo tumulto do silêncio.
Brotam por brotar,
sem razão e sem esperança,
vão por aí porque assim calha,
correndo montanhas e vales ignorados
batendo a portas sem ouvidos,
criando gritos qeu são mudos.
Por mais que ninguém as oiça,
por mais que niguém as queira ouvir,
teimosamente, persistentemente,
insistem em continuar a ser palavras.
as palavras vão brotando,
lentamente,
umas juntas a outras
tal como as gotas de água fazem rio.
Brotam sem destino marcado,
seguem o caminho do acaso, podem chegar
ou não chegar. a qualquer lado.
Podem nem chegar a ser,
engolidas à nascença pelo tumulto do silêncio.
Brotam por brotar,
sem razão e sem esperança,
vão por aí porque assim calha,
correndo montanhas e vales ignorados
batendo a portas sem ouvidos,
criando gritos qeu são mudos.
Por mais que ninguém as oiça,
por mais que niguém as queira ouvir,
teimosamente, persistentemente,
insistem em continuar a ser palavras.
Sensatez
Nada é seguro
nada é certo.
Como o vento que ora está ora não,
como a lua, uns dias sim, outros não,
como o sol, a chuva, o frio.
Por entre o som.
nos intervalos do som
talvez a voz...
Que não é silêncio.
O silêncio é o som.
A sensatez,
é não acreditar.
nada é certo.
Como o vento que ora está ora não,
como a lua, uns dias sim, outros não,
como o sol, a chuva, o frio.
Por entre o som.
nos intervalos do som
talvez a voz...
Que não é silêncio.
O silêncio é o som.
A sensatez,
é não acreditar.
No estranho reino da Dinamarca (3)
Faz hoje precisamente um ano que, quem passasse por volta do meio dia, no campus universitário de Copenhaga, daria conta de mais um insóilito acontecimento: uma garrafa de champanhe e dois copos em cima do assento duma scooter, parada à porta dum estabelecimento universitário.
Hoje Soren ao acordar, lembrou-se do caso.
Esfregou os olhos, acordou então completamente e então, raciocinou:
Rrealmente, só as estranhas brisas vindas do mar, atravessando fiordes, trazendo consigo poeiras e partículas que perturbam o normal funcionamento dos neurónios, conseguem explicar o que, nesse dia, lhe terá passado na cabeça, para produzir tamanho disparate.
Mas assim é: também estas perturbações do pensamento, aparentemente inexplicáveis, que, por vezes ocorrrem na Jutelândia, contribuem para fazer jus ao conhecido epíteto de "estranho reino da Dinamarca".
sábado, 22 de novembro de 2014
No estranho reino da dinamarca (II)
Capítulo I
Dinamarca, terra de fiordes, de nevoeiros densos de "cortar à faca", nevoeiros que trazem consigo os mais fantásticos mistérios, que jamais alma humana irá conseguir compreender.
Dinamarca, o país onde vivem os nossos já tão bem conhecidos Soren e Axel, ambos moradores em Copenhaga, Soren no bairro de Kastrup, e Axel, logo ali ao lado, no bairro de Amagerbro.
Certo dia, Axel resolveu fazer uma festa e convidou os seus amigos. E lembrou-se de também convidar Soren.
A festa decorreu num ambiente muito agradável e animado, e todos os participantes se sentiam bem.
A certa altura, Axel virou-se para Soren e disse-lhe:
-"Como sabes, vou estar muito ocupado nos próximos tempos, por isso, se quiseres falar comigo, envia carta e eu depois respondo. Envia, sempre que quiseres e te apetecer. Já sabes que é melhor assim, que eu tenho pouco tempo."
Soren não respondeu.
Entretanto, a festa terminou e cada qual foi para o seu destino, Soren para sua casa em Kastrup e Axel para Amagerbro.
Capítulo II
Não há presente que não tenha por trás um passado, podendo este estar mais ou menos presente, na presente lembrança de cada um. Claro que, em tão estranho lugar como é este de que falamos, o denso nevoeiro afeta as pessoas, uns duma forma mais intensa outros apenas ligeiramente e chega, nalguns casos, a tornar esbatidas as memórias até mesmo de acontecimentos de passados bem recentes.
No caso de Axel e de Soren, é também assim, sendo pois, provável que cada um tenha memórias bem diferentes de factos, porém, pouco distantes no tempo.
Assim, enquanto Soren recordava ainda as inúmeras cartas, faxes e telefonemas enviados num passado bem próximo e que eventualmente se perderam, desviados por ventos inpensáveis,improváveis, mas que realmente acontecem neste estranho reino e que levaram provavelmente à não existência de carta de resposta (ou também ela terá ficado perdida ou desviada, por esses mesmos ventos, quem saberá?) Axel, provavelmente, afetado pelo tal denso nevoeiro dinamarquês, esqueceu tais imponderáveis das telecomunicações de Kastrup para Amagerbro.
Talvez assim se explique o que disse Axel, durante a festa e a não resposta de Soren a esse seu dizer. Memórias diferentes... Sentires diferentes.
No estranho reino da Dinamarca, nada é uma certeza...
O que é realmente certo é que, depois disso, Soren não enviou nenhuma carta, fax ou telefonema a Axel e não tem sequer, qualquer intenção de o fazer.
Provavelmente porque o denso nevoeiro, apesar de tudo, não lhe terá afetado a memória.
Ou talvez não seja por isso.
Talvez as brumas dinamarquezas lhe tornem dificil perceber o funcionamento da amizade por requerimento em balcão de atendimento.
Não se sabe nem nunca se saberá quais as verdadeiras razões de Soren, ou o conceito de amizade empresarial de Axel,
pois que,
esta é,
mais uma
fantástica história de mistério...
Fazendo jus ao nome do país que é, como se sabe,
o "estranho reino da dinamarca."
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Pacotinhos de açucar
Aos montes! Já eram muitos mil, guardados em 3 gavetas e, como já lá não cabiam, ia-os acumulado em cima do tampo da secretária.
Fazia anos que, sempre que a oportunidade surgia, ele metia no bolso os pacotinhos de açúcar e os levava para casa, num ritual preciso e sistemático.
Considerava-se o maior colecionador de pacotinhos de açúcar do país!
Entretanto, enquanto nos primeiros anos, regularmente antes de ir dormir, ele observava atentamente a sua coleção, organizava-a, limpava todos e cada um dos seus pacotinhos, agora, que outros afazeres se sobrepunham, limitava-se, chegando a casa, a atirar os pacotinhos "do dia" para cima da secretária e por lá ficavam, mais nada.
E assim foram passando anos e mais anos.
Eis que um belo dia, logo na segunda página do jornal que estava a ler, lhe saltou aos olhos a notícia dum concurso de colecionadores de....pacotinhos de açúcar!!! E o prémio a atribuir ao vencedor não era de se "deitar fora"!!!
Pensou:
_Dificilmente me passarão à frente. Duvido que alguém tenha um número de exemplares tão grande como eu, e, ainda para mais, alguns deles dificilmente outros terão, pois são bem antigos, de há muitos anos, de quando eu comecei pela primeira vez a colecionar. Vou preparar tudo e no fim de semana lá estarei e sei que vou ganhar!
Deitou-se e quase nem dormiu.
No dia seguinte, levantou-se bem cedinho, tomou, à pressa o pequeno almoço e, ainda sem sequer se ter vestido, foi ao quarto onde estava a secretária com a sua coleção.
Começou por selecionar de entre os que estavam atirados por cima do tampo da secretária, mas, quase nem conseguia acreditar no que estava a ver: os pacotinhos estavam todos "ratados", o açúcar espalhava-se pela mesa mal lhes tocava. Algum inseto se tinha dedicado a destruir por completo os seus pacotinhos de açúcar.
Não faz mal, pensou. Asneira tê-los abandonado aqui em cima da secretária... Mas mais do que estes e mais valiosos, são os que guardei nas gavetas.
Abriu, então, a primeira gaveta, o que não foi propriamente fácil, porque a madeira estava inchada e foi necessária alguma força. Olhou e, maior espanto ainda! A humidade tinha-se apoderado de tudo. Agora o que via eram papéis escuros, cobertos de bolor, colados uns aos outros. Nem letras nem desenhos se distinguiam, no meio daquela massa apodrecida pelos fungos.
Segunda gaveta, precisamente o mesmo.
Terceira gaveta, a mesma coisa,
Foi então que descobriu com estupefação, que nunca havia tido a menor ideia do significado da palavra colecionador...
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Névoa
Desliza eletricidade na pele
não é frio não é calor:
é um som que arrepia os pêlos
e se entranha nos músculos
e que não é harmónico.
Cresce um silêncio que dá vontade de gritar
uma raiva que dá vontade de chorar
um desalento, que dá vontade de rir.
Uma espécie de rio, cheio de água sêca,
impossível de alguma vez evaporar.
Os passos que se ouvem
estão no céu,
feitos um caminhar nas núvens.
Na terra, os passos são parados,
existem mas são imóveis
não se ouvem
transportam a nenhures.
Devagarinho, muito devagarinho,
desfaz-se a realidade.
Esbate-se o caminho.
Ondas do meu pensar
Como se fosse onda,
insiste, teima, bate, agita,
e vai,
e depois volta,
numa teimosia de jumento.
Passa o tempo
e não passa o pensamento.
Ora desce a maré, na lua que se afasta
ora sobe, na lua que se chega,
mas baixinha ou alta
a onda não se gasta.
Passa o tempo
e não passa o pensamento.
Vem a noite,
adormece o mundo, dorme o povo,
uma imensa quietitude se levanta,
mas, ignorando a luz ou falta dela
a onda não abranda.
Passa o tempo
e não passa o pensamento.
Ora mais fraca, parecendo que vai terminar
e de repente forte, como se fosse um acordar.
Agitação marítima não pára
pior que o respirar.
Passa o tempo
e não passa o pensamento.
Passa o tempo, mas com sorte
chegará final momento
em que passa:
passa o pensamento
e passa a vida,
vem a morte.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Sonoridades negras
O som que surge!
Numa escuridão de silêncio
com as estrelas apagadas
e a lua em hibernação;
almas penadas,
seres bizarros,
monstros de pesadelo,
que espreitam nas trevas,
ou se arrastam
nas entranhas do pensamento.
Mas o silêncio
todo este enorme silêncio em background,
silêncio espesso, pastoso,
que se cola à vida,
que tolhe até o raciocínio!
O silêncio, sempre.
Omnipresente.
Um silêncio negro.
De súbito, porém
um som que surge,
baixinho,
quase só sussuro:
é o som do esquecimento.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Pilatos
Gigantescos novelos de linhas enbrulhadas
em que os dedos não conseguem,
os olhos não conseguem,
nem sequer o pensamento.
Cortar tudo,
destruição total.
Travões a fundo!
Alguma coisa pode correr mal...
No caos do existente
a esperança do que pode vir a ser:
uma pequena luz, que pode virar estrela,
um suave tom, que pode virar cor,
um vago imaginar, que poderá vir a ser certeza.
Talvez, afinal, nada.
Linhas em tremenda confusão
sem solução.
Que seja pois, o que tiver de ser!
O que o destino tiver por necessário...
Eu estarei cá
para
eventualmente
ver.
em que os dedos não conseguem,
os olhos não conseguem,
nem sequer o pensamento.
Cortar tudo,
destruição total.
Travões a fundo!
Alguma coisa pode correr mal...
No caos do existente
a esperança do que pode vir a ser:
uma pequena luz, que pode virar estrela,
um suave tom, que pode virar cor,
um vago imaginar, que poderá vir a ser certeza.
Talvez, afinal, nada.
Linhas em tremenda confusão
sem solução.
Que seja pois, o que tiver de ser!
O que o destino tiver por necessário...
Eu estarei cá
para
eventualmente
ver.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Gelo
Homenagem a ti, Oh rei!
Rei da vida e das certezas.
Objetivo, concreto, calculista,
hábil modelador de palavras
exímio criador de personagens,
xico esperto e arrivista.
Glória a ti, ser superior,
a que se curvam todos os comuns humanos,
em bajulações de amistosidade inventada.
Vais à frente, sempre à frente e mais além:
em tua gloriosa caminhada,
não há entraves nem momentos de paragem.
Sergue, segue sempre,
o teu destino é o teu guia,
e o teu guia és tu.
Acima e além de tudo: tu!
O resto são alavancas ou barreiras:
usa os primeiros, destrói os outros.
Esmaga sob os teus divinos pés
os degraus da tua escada,
para que fique a marca de teus heróicos passos
bem gravada.
Segue em frente. indiferente,
feliz, e em ti mesmo suficiente!
Maior serás, até que o prório Mundo!
Mas só de gelo és feito
e de mais nada...
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
A fingir
Um dia o vento
sincero e assertivo
fez valer sua vontade
e percorreu o mundo
sem maldade
e sem lamento
e semeou destruição e caos
sem caridade.
O mar ergueu-se em ondas de bravura
e varreu o lixo deixado pelo vento:
coisas e pessoas,
animais.
Numa tempestade de loucura
agreste e cruento
cometendo atos brutais.
Depois, sorridente de ironia,
como se o acontecer não tivesse acontecido
lá bem alto
desafiando vertigens,
inundando o céu e a terra de luz
a acordando até a morte que dormia,
apareceu a lua.
Serena e ignóbil.
Uma lua que fingia.
sincero e assertivo
fez valer sua vontade
e percorreu o mundo
sem maldade
e sem lamento
e semeou destruição e caos
sem caridade.
O mar ergueu-se em ondas de bravura
e varreu o lixo deixado pelo vento:
coisas e pessoas,
animais.
Numa tempestade de loucura
agreste e cruento
cometendo atos brutais.
Depois, sorridente de ironia,
como se o acontecer não tivesse acontecido
lá bem alto
desafiando vertigens,
inundando o céu e a terra de luz
a acordando até a morte que dormia,
apareceu a lua.
Serena e ignóbil.
Uma lua que fingia.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Tempo de balanço
A 1ª publicação deste blog está registada em Junho de 2011. Estamos, pois já com mais de3 anos de publicações! Curiosamente, o blog foi realmente determinando o seu conteúdo, que acabou por não corresponder ao seu objetivo inicial. Acabou por se tornar mais num diário de sentimentos, sensações e emoções e muito pouco de análise de acontecimentos e sua interpretação em forma de parábolas, que era o que estava inicialmente previsto.
Percorro agora as diferentes publicações do blog. Passados 3 anos, "muita água foi correndo sob as pontes" de tal forma que os rios já não são os mesmos.
Alguns posts aqui colocados, pela sua total não correspondência com o que o passar do tempo veio a demonstrar ser realidade, dão-me uma imensa vontade, agora, de os apagar. De os tornar inexistentes. Até porque são reveladores de até que ponto se pode ser iludido pela má observação da realidade, ou, dito por outras palavras, andar fazer "papel de parvo".
Mas, por outro lado, não desejo seguir as "pegadas" de tantos políticos e historiadores, que da História vão apagando factos ou rescrevendo acontecimentos à luz de atuais conveniências. E é com este pensamento a dominar todos os outros, que não apago nada, embora avise quem por aqui eventualmente ande, que muito do que aqui se registou não são mais que apreciações de momentos vivenciados em erradas perspetivas, que, no entanto, pareciam reais nos presentes em que se escreveram. O devir do tempo veio, infelizmente mostrar a gravidade dos erros de paralaxe então cometidos.
Mas, foi assim que se sentiu e se viveu e assim ficará.
Até porque da forma como se sente se atua, e do que se sentiu houve consequências bem reais e que bem alteraram caminhos e percursos. Se os sentidos fossem mais fiáveis, muitos pedaços das nossas vidas seriam substancialmente diferentes, não sabendo nós como teriam sido, se melhores ou se piores, mas diferentes, isso, de certeza!
Apenas altero a publicação inicial, embora sem a apagar. Passará para a data certa em que foi escrita e assim melhor se enquadra do ponto de vista "histórico" do blog, pois só nessa perspetiva de curso dos acontecimentos da imaginação, essa publicação fará algum sentido.
Percorro agora as diferentes publicações do blog. Passados 3 anos, "muita água foi correndo sob as pontes" de tal forma que os rios já não são os mesmos.
Alguns posts aqui colocados, pela sua total não correspondência com o que o passar do tempo veio a demonstrar ser realidade, dão-me uma imensa vontade, agora, de os apagar. De os tornar inexistentes. Até porque são reveladores de até que ponto se pode ser iludido pela má observação da realidade, ou, dito por outras palavras, andar fazer "papel de parvo".
Mas, por outro lado, não desejo seguir as "pegadas" de tantos políticos e historiadores, que da História vão apagando factos ou rescrevendo acontecimentos à luz de atuais conveniências. E é com este pensamento a dominar todos os outros, que não apago nada, embora avise quem por aqui eventualmente ande, que muito do que aqui se registou não são mais que apreciações de momentos vivenciados em erradas perspetivas, que, no entanto, pareciam reais nos presentes em que se escreveram. O devir do tempo veio, infelizmente mostrar a gravidade dos erros de paralaxe então cometidos.
Mas, foi assim que se sentiu e se viveu e assim ficará.
Até porque da forma como se sente se atua, e do que se sentiu houve consequências bem reais e que bem alteraram caminhos e percursos. Se os sentidos fossem mais fiáveis, muitos pedaços das nossas vidas seriam substancialmente diferentes, não sabendo nós como teriam sido, se melhores ou se piores, mas diferentes, isso, de certeza!
Apenas altero a publicação inicial, embora sem a apagar. Passará para a data certa em que foi escrita e assim melhor se enquadra do ponto de vista "histórico" do blog, pois só nessa perspetiva de curso dos acontecimentos da imaginação, essa publicação fará algum sentido.
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Desalento
Num momento, num segundo
dá-se a volta morre o mundo
cai o céu, e foge a lua
bate a alma lá no fundo.
E o sim via nim e depois não.
A certeza vira engano;
o engano vira dor;
o real fica sem cor.
Num segundo, num momento
sai de cena o pensamento
fica só o sentimento
sem sentido.
Num momento
mum segundo
sentimento e
pensamento:
desalento...
dá-se a volta morre o mundo
cai o céu, e foge a lua
bate a alma lá no fundo.
E o sim via nim e depois não.
A certeza vira engano;
o engano vira dor;
o real fica sem cor.
Num segundo, num momento
sai de cena o pensamento
fica só o sentimento
sem sentido.
Num momento
mum segundo
sentimento e
pensamento:
desalento...
domingo, 5 de outubro de 2014
Notícia
Apenas a voz do silêncio longe trazida pelo vento norte, se
ouve na praça retangular, onde a vida se imagina no esvoaçar das folhas mortas,
caídas no chão, que se deslocam em movimentos absurdos de quem vai para onde
não sabe. Os bancos estão certamente à espera, o empedrado dos passeios, também
à espera, a água do lago do jardim, ao centro , rodeado por quatro ruas, espera
também que algo a justifique.
Talvez por já ser escuro. Ou talvez não.
De repente um grito. Desprovido de autor. Um grito absurdo
que se ouve e logo morre, sem se saber origem nem razão. Fica de novo o
silêncio do vento, a empurrar almas que insistem em vaguear por ali.
Um homem só caminha. Leva consigo a bagagem da memória, que
lhe dificulta a marcha e lhe atrasa o passo. Deixou para trás a pressa, e pessoas, centenas delas, que foi deixando
cair pelo chão, ao longo da viagem que
iniciou um dia de que, na distância do tempo já não se lembra.
Senta-se, para dar razão de ser a um banco, que, agradecido,
o recebe no seu colo de madeira, que tempos antes já deu frutos. Abandonado, um
jornal caído mesmo ali ao lado, faz o homem esticar um braço e focar os olhos,
na esperança de saber mais dos outros e talvez de si.
Espantosamente, logo na primeira capa, reconhece-se na
fotografia! Ele próprio, na primeira página do jornal do dia! E, no entanto,
nada recorda que justifique uma notícia sobre si próprio. Que será?
Será coisa boa? Coisa ruim? A dúvida faz nascer a hesitação.
Valerá a pena ler? Ficar a saber mais de si próprio do que o que sabia, mas
ficando sem saber à mesma, porque notícias, há as que são e as que se fabricam…
E assim ficou, jornal na mão, olhos na fotografia, não
ousando, porém, tomar decisão de ler.
De manhã bem cedo, hora de ir para a escola, a Ana saiu de
casa e reparou num homem sentado no banco do jardim com um jornal na mão. Aproximou-se. Abriu a boca de admiração, ao ver que na
primeira página do jornal estava a fotografia do próprio homem que segurava o
jornal na mão, e que persistia naquela posição, olhos abertos e fixos no
jornal, como se tudo o que o rodeava não existisse. Nem sequer levantara os
olhos com a aproximação da criança, que estava agora mesmo ao seu lado, mas que
era como se não estivesse.
Sem hesitações, Ana leu a notícia:
“Hoje, pelas 7 horas da manhã, uma criança, ao sair de casa
para ir para a escola, deparou-se com o um homem de meia idade, sentado num banco de jardim
e um jornal na mão, já em estado de rigidez cadavérica. O corpo foi levado para o instituto de medicina
legal, procedendo-se agora à identificação do corpo”.
Foi a única vez que
aquele homem foi notícia.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
LOL
Manhas e artimanhas,
entropias de propósitos
desgoverno de sentimentos
obsessões imperdoáveis
becos.
Não há rimas aqui
que nada rima
tudo em desgoverno
só há métricas... da tanga!
Em volta do sol, tudo está negro,
fotões moribundos em delírio
num espaço de infortúnio.
No vazio,
a serenidade é imperdoável!
Cantemos um hino à alegria!!!
LOL
Mesmo
sem
sol...
entropias de propósitos
desgoverno de sentimentos
obsessões imperdoáveis
becos.
Não há rimas aqui
que nada rima
tudo em desgoverno
só há métricas... da tanga!
Em volta do sol, tudo está negro,
fotões moribundos em delírio
num espaço de infortúnio.
No vazio,
a serenidade é imperdoável!
Cantemos um hino à alegria!!!
LOL
Mesmo
sem
sol...
Distância
Distância...
A distância que se constrói
que se elabora
distância - nem acaso nem destino
a distância que se quer.
Porque é mais fácil.
Quando a visão já nem alcança,
nem se ouve a voz, nem se sente o cheiro
por comodidade
porque é mais fácil.
Esticam-se os braços
mas a distância já é
e os braços já não chegam.
Por que se quer assim.
Porque é mais fácil.
Perguntas ao céu, à lua, às estrelas:
onde?,
A resposta é a distância,
porque se quis que fosse.
Porque é mais fácil.
Distância, o espanto da ausência
o clamor que não se ouve, por tão longe,
o grito silencioso gritado no vazio do infinito,
porque se quis assim e assim se fez.
Porque é mais fácil.
A distância que se constrói
que se elabora
distância - nem acaso nem destino
a distância que se quer.
Porque é mais fácil.
Quando a visão já nem alcança,
nem se ouve a voz, nem se sente o cheiro
por comodidade
porque é mais fácil.
Esticam-se os braços
mas a distância já é
e os braços já não chegam.
Por que se quer assim.
Porque é mais fácil.
Perguntas ao céu, à lua, às estrelas:
onde?,
A resposta é a distância,
porque se quis que fosse.
Porque é mais fácil.
Distância, o espanto da ausência
o clamor que não se ouve, por tão longe,
o grito silencioso gritado no vazio do infinito,
porque se quis assim e assim se fez.
Porque é mais fácil.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
A descoberta
A descoberta
O Zé ia a caminho de casa, quando de
repente, ao tomar consciência dos pensamentos que ia pensando achou
por bem alterar o seu caminho.
Mas...Estaria lá?
Virou a esquina, caminhou pela rua de
prédios baixos e estragados, papéis no chão, lixo no chão e gente feia que se espalha por
locais como aquele, (vá se lá saber porquê, parece que o feio
atrai o feio, numa lei gravitacional por descobrir), a fim de chegar
mais rapidamente ao seu destino, sofrendo com isso um caminhar
desagradável, não por fadiga nas pernas ou dores nos pés, mas
apenas por desconforto visual. Apesar do encurtar do caminho por
aquela rua ser significatvo, a distância continuava sendo, ainda
assim, apreciável.
Mas... Estaria lá?
Tanto poderia estar como não estar,
mas a possibilidade primeira, fazia parecer-lhe valer a pena o
esforço, mesmo que, pudesse oa situação ser inversa à desejada.
O Zé ia ganhando consciência do
desperdício de tempo que poderiam ser aquelas horas, mas, ainda
assim, a possibilidade de o não serem dava-lhe o alento necessário
para continuar a caminhada longa.
Mas estava.
Embora, ainda faltando tanto para
chegar, fosse impossível ao Zé saber que sim.
E estava, estando tranquilamente a
cozinhar pedras em água fervente, que é o mesmo que dizer que
estava ocupado em se ocupar, sem objetivo narrável. E neste desejo
de ocupação permaneceu, satisfeito do que não estava a fazer,
porque fazer pode ser pior que o inverso, dependendo da vontade e
das circunstâncias, e nada pior que a perturbação de um tal estado,
quando ele se apodera do nosso espírito, tal como as ondas do mar se vão
apoderando da areia, por ação da lua que vai puxando as águas, lá
ao longe. No caso do nosso espírito, não será certamente ação da lua mas talvez de alguma alma penada que ande por aí em passeio errático.
Passou o tempo, ficaram para trás
passos e mais passos e fez-se perto o que era longe e de tal forma,
que agora o Zé já conseguia ver.
E viu.
E viu que estava.
Entusiasmou-se e começou a andar,
agora mais depressa.
Ao mesmo tempo que quem estava, via
agora, por seu turno, um vulto conhecido que se aproximava. Largou
rapidamente o que não estava a fazer, para que não fosse dar-se o
caso de passar a ter que fazer alguma coisa, nem que fosse só falar,
o que seria mais que o suficiente para o distrair do ferver das
pedras.
Saltou para a rua e rapidamente caminhou em direção oposta,
perdendo-se no nevoeiro que nasce, quando muitos corpos juntos se
transformam em massa, deixando pois de serem pessoas. Podendo, pois, continuar a cozedura.
Já de tão perto, conseguiu o Zé
ainda ver o salto, mas depois, já só o nevoeiro.
Deus que é tão bom para prover no
que não faz realmente falta, criando a ilusão de providência,
quando não provê o que realmente importaria que provesse, teve a
bondade de lhe oferecer uma cadeira ali abandonada, meio estragada e
totalmente suja, mas que permitiu ao Zé sentar-se em plena rua,
descansar e agradecer a benção da cadeira.
Foi assim, sentadinho e confortável,
que o Zé fez enorme descoberta.
Sorriu, chorou, calou.
Seguiu viagem.
Mas ainda continua a pensar nisso.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
Ficou melhor
Percorrer a estrada a saber do fim
mas sem ver o fim
sempre até ao fim.
E chega, um dia, o fim.
Um risco.
e para lá do risco, o nada,
uma escuridão de precipício
um negro de desconhecido
que já se sabia
mas que nunca se tinha visto.
Para trás,
Para trás o denso nevoeiro que apaga
o que realmente já não há, mas houve.
Já não se vê, já não se ouve,
muma miopia que já não deixa ver.
À beira, num balançar estonteante de enxaquecas
já nem recordo nada
porque decido deitar fora aquilo que me lembro.
Assim, já não me entendo
Mas ficou melhor,
muito melhor, assim!
mas sem ver o fim
sempre até ao fim.
E chega, um dia, o fim.
Um risco.
e para lá do risco, o nada,
uma escuridão de precipício
um negro de desconhecido
que já se sabia
mas que nunca se tinha visto.
Para trás,
Para trás o denso nevoeiro que apaga
o que realmente já não há, mas houve.
Já não se vê, já não se ouve,
muma miopia que já não deixa ver.
À beira, num balançar estonteante de enxaquecas
já nem recordo nada
porque decido deitar fora aquilo que me lembro.
Assim, já não me entendo
Mas ficou melhor,
muito melhor, assim!
domingo, 21 de setembro de 2014
Até que
Não me passa esta vontade,
que me faz mal
que me magoa,
que surge à toa.
Teimosamente
olho a procurar o que não há,
sabendo disso.
Ninguém dá a alguém o que não tem
das nuvens não cai petróleo
nem da terra brota o mel.
Sabor a fel:
Quando a esperança
não passa duma angústia construida de estupidez.
Idiota perseverança,
Venha pois o sono,
essa morte momentânea
que põe fim ao que não é preciso:
respiração, circulação e chega!
A ver se amanhã
com o novo sol que se adivinha
se constrói nova ilusão
para durar
se prolongar no tempo e pensamento
até que,
também ela,
não.
que me faz mal
que me magoa,
que surge à toa.
Teimosamente
olho a procurar o que não há,
sabendo disso.
Ninguém dá a alguém o que não tem
das nuvens não cai petróleo
nem da terra brota o mel.
Sabor a fel:
Quando a esperança
não passa duma angústia construida de estupidez.
Idiota perseverança,
Venha pois o sono,
essa morte momentânea
que põe fim ao que não é preciso:
respiração, circulação e chega!
A ver se amanhã
com o novo sol que se adivinha
se constrói nova ilusão
para durar
se prolongar no tempo e pensamento
até que,
também ela,
não.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Paradoxos mentais
O limite da loucura
é função da razão ser limitada.
Luto contra ti com toda a força
pois se não te combater tu morres.
Nada é certo amanhã
porque hoje não se sabe o que fizemos.
Falar é natural. Ouvir também.
Dizer e entender é que é esquisito!
é função da razão ser limitada.
Luto contra ti com toda a força
pois se não te combater tu morres.
Nada é certo amanhã
porque hoje não se sabe o que fizemos.
Falar é natural. Ouvir também.
Dizer e entender é que é esquisito!
Caos de termos
Como as gotas de chuva que caem ao acaso
num caos de desordem consentida
saiam hoje as palavras,
sem ordem estabelecida!
Saem pois, em jorro, umas após outras:
vazio, serenidade
afastamento, preguiça
transtorno, luta
vontade, teimosia
saudade, voz
saudade, forma
desistência, nunca.
Pancada, resistência.
Assim não se diz nada
e diz-se tudo!
Apenas a leitura é complicada....
num caos de desordem consentida
saiam hoje as palavras,
sem ordem estabelecida!
Saem pois, em jorro, umas após outras:
vazio, serenidade
afastamento, preguiça
transtorno, luta
vontade, teimosia
saudade, voz
saudade, forma
desistência, nunca.
Pancada, resistência.
Assim não se diz nada
e diz-se tudo!
Apenas a leitura é complicada....
Falar xadrês
Um jogo de xadrez:
uma jogada, intenção escondida,
uma palavra
comunicação subentendida.
Descobrir o que é naquilo que parece ser
uma nuvem que pode ou não ser chuva
vá se lá saber!
Olhar o céu e saber prever o tempo
é mister de almas sabedoras!
Ouvir e compreender o que não se disse,
é uma arte de promessas sedutoras.
uma jogada, intenção escondida,
uma palavra
comunicação subentendida.
Descobrir o que é naquilo que parece ser
uma nuvem que pode ou não ser chuva
vá se lá saber!
Olhar o céu e saber prever o tempo
é mister de almas sabedoras!
Ouvir e compreender o que não se disse,
é uma arte de promessas sedutoras.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Vencer
Esquecer
Criar distancia
Suportar ausência
Ignorar.
Ver o mundo lá em baixo
E senti-lo, como se fosse núvem...
Sem emoçao, sem ilusao,sem coraçao.
Sem alma.
Fazer de conta
Que o imenso rio da serenidade transbordou,
Enchendo de deserto, a vida.
Que se transmutou em nada.
E gostar do nada,
Fazer do nada o tudo,
Que se imaginou.
E gostar.
A decepçao é a fronteira
Entre sentir e o ser
Nao sentir
Sim, é isso que é vencer!
sábado, 23 de agosto de 2014
Cantar o quê?
Neste escuro tempo feito noite
na distância dos pensamentor que vagueiam
em horas destruidas por minutos incompreendidos
que tornam o presente e o passado inintelegíveis,
canta uma voz, lá longe
Mas o que será que canta?
Deitados na morte do pensamento que já não têm
corpos nus destacam-se na noite
como se fossem estrelas
como se fossem velas
como se fossem mitos.
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
A cinza acumula-se. Cinza de relógios que se gastaram
O cheiro a cinza transforma-se em horixzonte,
o horizonte em nevoeiro,
o nevoeiro em vazio.
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
é então que fala o rei e diz,
diretamente, sem intermediários,
ordem seca dada à voz:
"PORQUE NO TE CALLAS?"
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
na distância dos pensamentor que vagueiam
em horas destruidas por minutos incompreendidos
que tornam o presente e o passado inintelegíveis,
canta uma voz, lá longe
Mas o que será que canta?
Deitados na morte do pensamento que já não têm
corpos nus destacam-se na noite
como se fossem estrelas
como se fossem velas
como se fossem mitos.
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
A cinza acumula-se. Cinza de relógios que se gastaram
O cheiro a cinza transforma-se em horixzonte,
o horizonte em nevoeiro,
o nevoeiro em vazio.
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
é então que fala o rei e diz,
diretamente, sem intermediários,
ordem seca dada à voz:
"PORQUE NO TE CALLAS?"
E a voz canta, lá longe.
Mas que canta ela?
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
No estranho reino da dinamarca
No estranho reino da dinamarca
Capítulo I - Soren e Axel
Soren e Axel, dois bons amigos que vivem em Copenhaga, faz anos que passam os anos inteiros a trabalhar. (Como costuma, aliás fazer, a gande maioria dos habitantes destas terras). Até aqui nada de estranho, no estranho reino que este é, mas que neste desidrato é em tudo igual aos outros reinos que se conhecem.
No ano passado, chegadas as merecidas férias, Soren despediu-se de Axel e rumou com a família, à descoberta da Suécia. Axel, por seu lado, percorreu toda a costa da Jutelândia. Passaram, pois, as férias em viagens de lazer e descoberta de novos sítios, novas gentes, e trocando, volta e meia, informações entre si, sobre os locais por onde andavam.
Mas, embora estranho, este reino da dinamarca é igual a todos os outros reinos, pelo menos noutra coisa, que, se os dinamarqueses soubessem falar potuguês, traduziriam desta forma: "Não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabe". Ou, dito de uma forma mais simples e mais rápida, ao fim de algumas semanas, o tempo de férias acabou e tanto Soren como Axel começaram a iniciar as respetivas viagens de regresso a Copenhaga. Já bem perto de capital do reino, descansaram alguns dias, junto à praia: Soren, na ilha de Aero e Axel na ilha de Drejo, que curiosmente se situam mesmo uma ao lado da outra e de tal forma perto, que umas braçadas de bom nadador permitem facilmente chegar de uma a outra, mas, não sendo o caso, 5 minutos de barco são suficientes para a travessia.
E foi com bastante surresa que Axel soube da pesença de Soren em Aero e Soren, da pesença de Axel em Drejo! Ali mesmo ao lado, o acaso ou o destino permitiam que pudessem facilmente contar as suas peripécias de viagens, mostrar fotos, enfim, conversar um pouco sobre as respetivas experiências, tal como é de esperar de dois amigos que se reencontram no final dumas férias bem curtidas.
Capítulo II - O que Soren contou a Axel e o que Axel contou a Soren
.............................................................................................................................................................................................................................................
Capítulo III - A explicação
Pois é, meus caros leitores, o capítulo anterior está completamente em branco. Mas garanto-vos não ser eu, o autor desta história, o responsável pela brancura do papel. Nada disso. Não fiquei cansado nem perdi a criatividade. Apenas quis e quero ser fiel à verdade dos acontecimentos que vos narro.
Na verdade, não contaram nada.
Porque nem Soren nem Axel tentaram sequer chegar à ilha ali logo ao lado. Nem dando algumas braçadas, nem apanhando o barco.
Direis vós que é caso estranho.
Por certo que sim, mas será fácil de entender que não iria eu, autor deste conto, alterar a realidade simplesmente para vosso deleite lendo as aventuras e peripécias deste dois diamarqueses que vos apresentei.
Não ireis, portanto, saber absolutamente nada das suas aventuras de férias, tal como eu também não sei!
Mas, claro, compete-me, isso sim, enquanto autor deste conto, dar-vos agora a explicação para o estranho facto de nenhum dos dois, que com tanta vontade diziam estar de trocar relatos das suas experiências, terem apanhado o barco para a outra ilha, mesmo ali ao lado.
Ambos em férias, parecendo ambos com vontade... mas não. O barco andou para cá, andou para lá, mas nunca nenhum deles chegou sequer a pisar os respetivos cais!
Pois bem, é preciso conhecer a dinamarca, os seus fiordes, as abruptas montanhas que parecem debruçar-se agressivamente sobre o mar e particulamnnte conhecer os densos nevoeiros que por ali se formam, e que estão repletos de mistérios que sabendo-se que existem, ficam sempre por contar, ou não fossem eles mistérios e tão denso o nevoeiro que os guarda!
O que vos contei e que aconteceu com Soren e Axel, a explicação para tão estranha ocorrência, está ela também algures envolta num desses densos nevoeiros que percorrem a Jutelândia e que encerram em si as respostas que se procuram, mas que não se ncontram nen nunca se hão de encontrar.
Esta é, pois, mais uma história de mistério, fazendo jus ao nome do pais de "estranho reino da dinamarca."
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
Libertação
P'ra que ninguém saiba e ninguém oiça
gritas baixinho, sussuras.
O vento leva as palavras
para a distância onde mora quem não há.
A liberdade de dizer, é assim:
Falar como se fosse ar,
dizer como se fosse só pensar
cobrir de nevoeiro o que se sente
fazer de conta
fazer de conta, sempre!
Fazer de conta que nao há nada p'ra comunicar..
Parece paz, tranquilidade, satisfação.
alegria imaginada
emoção desapaixonada
fluxos espirituais de libertação.
Vida de cão!.
gritas baixinho, sussuras.
O vento leva as palavras
para a distância onde mora quem não há.
A liberdade de dizer, é assim:
Falar como se fosse ar,
dizer como se fosse só pensar
cobrir de nevoeiro o que se sente
fazer de conta
fazer de conta, sempre!
Fazer de conta que nao há nada p'ra comunicar..
Parece paz, tranquilidade, satisfação.
alegria imaginada
emoção desapaixonada
fluxos espirituais de libertação.
Vida de cão!.
Frustração
Era a hora da lua
uma claridade vaga já a anunciava
era a hora
era.
E a lua não chegou.
Era a noite das estrelas,
em doce harmonia a brilharem no céu
era a hora
era.
E as estrelas não vieram.
Rompeu o dia.
Era a hora do Sol,
o imenso sol de luz e de calor.
Era a hora
Era.
E o sol não veio.
Era a hora da vida.
Do crescer, compreender, realizar.
Era a hora de, cantar, de rir, de celebrar.
Era a hora,
Era
E chegou a Morte.
.
uma claridade vaga já a anunciava
era a hora
era.
E a lua não chegou.
Era a noite das estrelas,
em doce harmonia a brilharem no céu
era a hora
era.
E as estrelas não vieram.
Rompeu o dia.
Era a hora do Sol,
o imenso sol de luz e de calor.
Era a hora
Era.
E o sol não veio.
Era a hora da vida.
Do crescer, compreender, realizar.
Era a hora de, cantar, de rir, de celebrar.
Era a hora,
Era
E chegou a Morte.
.
domingo, 17 de agosto de 2014
Vagabundo
Céu,
vagabundo escorregar das estrelas
nuvens soltas ao correr do vento
vozes aqui, que porém não estão.
A distância deste azul tão escuro
amedronta até a solidão!
Não há horas nesta longa espera,
os relógios explodiram de tanto contar!
que o infinito é incontável mesmo...
Vagabundo céu,
sem caminho certo!
Vozes longe mas que estão tão perto!
Multidões de vida
que fazem um deserto.
Vagabundo pensar
que corre sem acerto.
vagabundo escorregar das estrelas
nuvens soltas ao correr do vento
vozes aqui, que porém não estão.
A distância deste azul tão escuro
amedronta até a solidão!
Não há horas nesta longa espera,
os relógios explodiram de tanto contar!
que o infinito é incontável mesmo...
Vagabundo céu,
sem caminho certo!
Vozes longe mas que estão tão perto!
Multidões de vida
que fazem um deserto.
Vagabundo pensar
que corre sem acerto.
domingo, 10 de agosto de 2014
Adormecer
Olho para o mar,
procuro o longe,
procuro a côr, a forma, o som, cheiro...
Mas, no horizonte da noite,
só o sol da lua se consegue ver
a voz do vento e a voz do mar se escutam,
o cheiro das estevas, que por perto se adivinham.
Se os meus olhos fossem olhos de ver!
De ver para lá do que não se pode ver...
Então carrega-se o ficheiro antigo,
gravado e mil vezes processado,
o ficheiro da recordação.
E está lá tudo:
a côr - da pele-
o som - da voz-
a forma - do sorriso-
o jeito - do andar-do falar- e do dizer
Então a imensidão do horizonte noite
ganha contornos do teu ser.
Serenamente
começo a adormecer.
procuro o longe,
procuro a côr, a forma, o som, cheiro...
Mas, no horizonte da noite,
só o sol da lua se consegue ver
a voz do vento e a voz do mar se escutam,
o cheiro das estevas, que por perto se adivinham.
Se os meus olhos fossem olhos de ver!
De ver para lá do que não se pode ver...
Então carrega-se o ficheiro antigo,
gravado e mil vezes processado,
o ficheiro da recordação.
E está lá tudo:
a côr - da pele-
o som - da voz-
a forma - do sorriso-
o jeito - do andar-do falar- e do dizer
Então a imensidão do horizonte noite
ganha contornos do teu ser.
Serenamente
começo a adormecer.
Um outro experimentar
A transbordar de lua
voz do mar tão perto
grilos que tentam conversar
tranquilidade de relógio que encravou
para nos tempo pra sonhar.
Sonhar...
Um outro mundo imaginado
com míticas existências:
seres dum outro experimentar
que se adivinham
por entre os raios deste luar.
.
voz do mar tão perto
grilos que tentam conversar
tranquilidade de relógio que encravou
para nos tempo pra sonhar.
Sonhar...
Um outro mundo imaginado
com míticas existências:
seres dum outro experimentar
que se adivinham
por entre os raios deste luar.
.
domingo, 3 de agosto de 2014
Não sei
Tu és o medo
que trago nas entranhas
um medo escuro, de sobressaltos tristes.
Com essa luz fantástica
que transforma a noite em dia
és sol que dá som à alegria.
És o que não sabes
e eu também não sei.,,
que trago nas entranhas
um medo escuro, de sobressaltos tristes.
Com essa luz fantástica
que transforma a noite em dia
és sol que dá som à alegria.
És o que não sabes
e eu também não sei.,,
Nem Deus
Palavras
Soltas ao correr das teclasQue não te digo nem te conto
P’ra que não te zangues…
Os bancos, os partidos, o meu futuro
O que faço aqui. O que farei…Tudo isso apenas uma nuvem
Que se desloca no meu tempo
Como se fosse atmosfera
Volátil
Etérea…
O importante és tu!
Salazar, Passos Coelho, Espirito Santo. Nuno Crato…
Desperdícios deste tempo,
Nomes escritos em tintas invisíveis,
Que se desvanecem numa realidade que não é a minha….
Não estando, estás,
Sem te ver, te vejo
Sem te ouvir, te oiço.
Dói-me a distância, dói-me a ausência,
Dói-me a urgência de ouvir a tua voz.
Mas nem Deus me diz porquê!
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Jolas
Não sabes, eu sei que não.
Mas havia um velho, muito velho, tão velho que já nem tinha
idade, e que não se lembrava, já, de quase nada. Já nem do próprio nome tinha a
certeza.Portanto, a sabedoria morre com a idade, ao contrário do que vulgarmente se pensa. Ou talvez não… Talvez não se lembrando de nada, aquele velho tenha ganho a sabedoria do sentir, forma superior de sabedoria que apenas se alcança no patamar da total ignorância do concreto e, em simultâneo, do profundo conhecimento do abstrato.
A esse velho, não valia a pena perguntar-lhe as horas, ou o dia da semana, ou o país onde vivia. A nada disso sabia responder.
No entanto, falava. Ou, pelo menos, proferia uma sucessão de palavras, algumas de significado desconhecido, com as quais parecia realmente produzir frases e elaborar um discurso.
Mas quem o ouvia, raramente o entendia.
Uma noite, por nada mais terem a fazer, dois jovens, meio
alegres de cerveja, resolveram divertir-se fazendo perguntas ao velho, enquanto
as jolas iam descendo esófagos abaixo, juntamente com os risos que subiam,
traqueias acima, conseguidos com as respostas que iam ouvindo, feitas de frases
desconexas construídas com palavras sem sentido.Passadas umas boas horas de divertimento, o jovem mais alto, olha para o outro e diz-lhe:
-Sabes, preciso de te dizer uma coisa complicada e muito
séria.
O que, num instante fez parar os risos, os discursos do
velho e as jolas.
-Olha, a tua mota nova, fui eu que a mandei para a sucata.
Ia a sair da garagem de marcha….
- Já sabia. Sabes, eu vi, estava à janela.
-Mas então… Que diabo, sabias e não disseste nada? E eu …
Fez-se o silêncio por uns minutos, até que se ouviu voz do
velho:
“Falar para se dizer e se ouvir o que se conhece…
Doem-me os ouvidos: a
amizade pode ser um silêncio que grita muito
alto!
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Realusões
Quem és tu?
De onde vieste?
No espaço, não há vida.
Na terra, não nasceste.
Um mistério que eu pensei e se matertializou
pensamento errático
existência difusa
ao correr do rio dos meus neurónios.
Tanto pode estar como não estar
existir com ser ilusão
apenas um pedaço de universo que eu criei
sem substrato que não seja o sentimento.
Tão real
como os meus olhos vêm!
De onde vieste?
No espaço, não há vida.
Na terra, não nasceste.
Um mistério que eu pensei e se matertializou
pensamento errático
existência difusa
ao correr do rio dos meus neurónios.
Tanto pode estar como não estar
existir com ser ilusão
apenas um pedaço de universo que eu criei
sem substrato que não seja o sentimento.
Tão real
como os meus olhos vêm!
segunda-feira, 23 de junho de 2014
A ALMA
Caminhando, percorrendo o tempo,
tempo que julgava seu.
E o caminho.Também seu.
Olhando em volta:
como se possuisse o mundo,
e as estrelas fossem suas
e mais o mar
e a terra
e as plantas
e os animais.
Numa certeza de incertezas assumidas,
Num acreditar de ilusões construidas.
Ganhando fôlego e força para novas aventuras,
enchendo a alma de realidades de fututo,
levava a alma cheia, a transposdar de esperança
alegre, aos saltos, como qualquer cirança.
Pesado de esperanças e convicções,
olhva o sol e achava-o pequenino,
Como se o que transportava fosse maior que o sol
maior que o mundo
até maior, que o Universo inteiro.
Foi então,
qude repente, à esquina dum nevoeiro
deixou de ver.
E sentiu-se estranhamente leve.
Uma leveza repleta de vazios desconhecidos.
Olhou, então, a alma,
e reparou que estava rota.
tempo que julgava seu.
E o caminho.Também seu.
Olhando em volta:
como se possuisse o mundo,
e as estrelas fossem suas
e mais o mar
e a terra
e as plantas
e os animais.
Numa certeza de incertezas assumidas,
Num acreditar de ilusões construidas.
Ganhando fôlego e força para novas aventuras,
enchendo a alma de realidades de fututo,
levava a alma cheia, a transposdar de esperança
alegre, aos saltos, como qualquer cirança.
Pesado de esperanças e convicções,
olhva o sol e achava-o pequenino,
Como se o que transportava fosse maior que o sol
maior que o mundo
até maior, que o Universo inteiro.
Foi então,
qude repente, à esquina dum nevoeiro
deixou de ver.
E sentiu-se estranhamente leve.
Uma leveza repleta de vazios desconhecidos.
Olhou, então, a alma,
e reparou que estava rota.
sábado, 31 de maio de 2014
Entrópica vitória
Pedaços,
que por aí se espalham e se perdem.
Como se nem sequer tivessem importância.
Desligados uns dos outros,
criam distância.
Morrem.
Talvez o breve instante de um tremor de terra
Irrefletido, despreocupado.
Erodindo-se em caminhos impensados.
derrubando a utopia.
que por aí se espalham e se perdem.
Como se nem sequer tivessem importância.
Desligados uns dos outros,
criam distância.
Morrem.
Não tem
culpa o vento, nem a chuva
Nem o sol, nem, tão pouco o tempo.Talvez o breve instante de um tremor de terra
Irrefletido, despreocupado.
Seguem o trajeto
do destino,
levados por
águas e por ventos,Erodindo-se em caminhos impensados.
É talvez
esta mesmo a lei geral do universo:
a entrópica
vitóriaderrubando a utopia.
domingo, 18 de maio de 2014
A IMPORTÂNCIA RELATIVA DOS ÓCULOS
Quase todos os dias chegava ao café e cumprimentava. Algumas vezes desabafava e contava do filho desempregado que agora, juntamente com a nora, viviam em sua casa
recorrendo à sua própria pensão de reforma, que cada dia ia parecendo minguar.
Um dia apareceu, tal como habitualmente no café, mas sem óculos. Contou, que se tinham partido mas que não havia como substitui-los...O dinheiro não chegava para mais despesas.
Entretanto, faz mais ou menos 2 meses, que o filho se lembrou duma solução: hipotecar a casa que era propriedade do velhote.
E assim foi.
Com o dinheiro recebido, puderam finalmente começar a viver melhor, conseguindo mesmo alugar uma casa onde ele a esposa foram morar, já que, como se costuma dizer,”quem
casa quer casinha”.
O velhote, entretanto, começou a constitituir uma preocupação para os vizinhos, que o viam sempre sozinho lá em sua casa, agora hipotecada e resolveram alertar a PSP, que passou a visitar regularmente aquela habitação, para saber se haveria alguma ajuda a prestar. Mas o agente responsável, ia tranquilizando os vizinhos, pois o velhote lhe dizia sempre que recebia diariamente a visita dos netos. Esatava, portanto, tudo bem.
A semana passada, porém, a luz da habitação permaneceu acesa, quer de dia quer de noite. Os vizinhos, intrigados, foram bater à porta.
Mas não houve resposta.
Passados dois dias, a situação mantinha-se.
De novo os vizinhos alertaram, a polícia que, rapidamente compareceu. Foi necessário porém, recorrer aos bombeiros para entrar em casa do velhote.
Mas, afinal, estava tudo bem!
Em tranquilidade o encontraram.
Tão tranquilo como qualquer um de nós está certo de vir um dia a estar.
Mas, melhor ainda:
Já não precisará, sequer, de comprar óculos novos!
sexta-feira, 16 de maio de 2014
The sound of silence
O som do silêncio
tem a dimenssão do infinito:
tão grande, que se cabe dentro dele;
tão suave, que nem se dá por isso!
Esgotar
Olhando o tempo,
como se ele tivesse cor. E forma.
Cheirar o tempo:como se ele tivesse aroma.
Sentir o tempo: como se ele roçasse a pele.
Talvez só para perceber....
talvez só para passar o tempo observando o tempo!
Até que
esgotado o tempo
se acabsse também o pemsamento.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Sem estranhar
Nasceu, cresceu, elevou-se no céu e gritou de brilho e de calor.
Sorriu.
Bateu à porta e quis entrar.
Mas não houve resposta.
Estranhou.
Repetiu, insistiu, teimou.
Aumentou de brilho, e de calor
elevou-se ainda mais no céu
E gritou.
Gritou ainda mais, de brilho e de calor.
Bateu de novo à porta e quis entrar.
Mas não houve resposta.
E mais uma vez, estranhou.
Com um esforço, agora, ainda maior,
encheu mais e mais, de brilho e de calor,
Mas o esforço já não lhe dava para sorrir.
Gritou mais alto! Brilhou mais brilho! Aqueceu mais quente ainda!
Elevou-se mais alto do que nunca!
masnão aguentou:
explodiu e desapareceu de vez.
Não houve resposta.
Não estranhou!
Tempo
Horas mortas
minutos que se perdem num infinito destino.
Um tempo sem pertença
que se estende para além de nós
e nos cerca de prisão.
E não há barco que nos leve,
e não há avião que nos transporte:
presos no tempo morto,
imóveis no tempo morto
perdemos já a finalidade.
Chegam vestigios dispersos de sentires diferentes
lá longe, na distância de oceanos-luz,
deixando vagos sentires
de esperanças que existiram
mas que ficaram de fora
deste
tempo morto.
minutos que se perdem num infinito destino.
Um tempo sem pertença
que se estende para além de nós
e nos cerca de prisão.
E não há barco que nos leve,
e não há avião que nos transporte:
presos no tempo morto,
imóveis no tempo morto
perdemos já a finalidade.
Chegam vestigios dispersos de sentires diferentes
lá longe, na distância de oceanos-luz,
deixando vagos sentires
de esperanças que existiram
mas que ficaram de fora
deste
tempo morto.
quarta-feira, 23 de abril de 2014
Lembranças de Abril
A cada canto, gritava a esperança!
Todas as ruas davam para o futuro,
do passado, afastava-se a lembrança
dum tempo muito frio e muito escuro.
Caminhávamos voando em utopia,
agarrados à certeza em construção.
A luta e a vida eram alegria
cada minuto a jorrar do coração!
Ñão se contava o esforço
não se media o cansaço
pois de lutar não há remorço!
Corríamos em direçao ao espaço
gritando em desatino, em alvoroço,
deixáramos de estar a marcar passo!
Todas as ruas davam para o futuro,
do passado, afastava-se a lembrança
dum tempo muito frio e muito escuro.
Caminhávamos voando em utopia,
agarrados à certeza em construção.
A luta e a vida eram alegria
cada minuto a jorrar do coração!
Ñão se contava o esforço
não se media o cansaço
pois de lutar não há remorço!
Corríamos em direçao ao espaço
gritando em desatino, em alvoroço,
deixáramos de estar a marcar passo!
terça-feira, 22 de abril de 2014
Indiferenças
Cruzamentos lado a lado
feitos distância de horizontes vagos.
Tempos comuns
feitos épocas geológicas em separado.
Entendimentos que se esquecem,
palavras que se esperam
esperam
mas não chegam.
Vagamente...
Recordações que batem forte
mas que teimam em não criar substância.
Viajamos em corrida,
a pressa é tanta!
Talvez amanhã...
Talvez um dia...
Ou não.
feitos distância de horizontes vagos.
Tempos comuns
feitos épocas geológicas em separado.
Entendimentos que se esquecem,
palavras que se esperam
esperam
mas não chegam.
Vagamente...
Recordações que batem forte
mas que teimam em não criar substância.
Viajamos em corrida,
a pressa é tanta!
Talvez amanhã...
Talvez um dia...
Ou não.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Desígnios
Sorrir ao futuro,
que não há.
Abrir a porta,
que não tem nada
do lado de lá.
Na esperança de um dia...
Mas o caminho é beco,
a esperança vem fria
pensar o futuro
é desassossego.
Sorrir ao espelho
e ver um reflexo imaginado
ficar com um sorriso
no rosto estampado
por simples ausẽncia de juizo.
Porquê?
Porque deus não quer!
São os desígnios
dum deus, que simplesmente,
não quer saber.
que não há.
Abrir a porta,
que não tem nada
do lado de lá.
Na esperança de um dia...
Mas o caminho é beco,
a esperança vem fria
pensar o futuro
é desassossego.
Sorrir ao espelho
e ver um reflexo imaginado
ficar com um sorriso
no rosto estampado
por simples ausẽncia de juizo.
Porquê?
Porque deus não quer!
São os desígnios
dum deus, que simplesmente,
não quer saber.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Razões
Por vontade ou omissão
talvez sim ou talvez não
seja ou não seja
ninguém deseja
desilusão.
Matamos todos os dias
guerras quentes, guerras frias
matamos só por matar
só por calhar.
Que venha, pois, o ódio, justificativo!
Que venha a causa, que dá razão à chacina!
Porém, não matamos por um fim.
Fomos construidos para o assasinato.
Matar para nós, é um ato inato:
matamos só,
por sermos assim.
talvez sim ou talvez não
seja ou não seja
ninguém deseja
desilusão.
Matamos todos os dias
guerras quentes, guerras frias
matamos só por matar
só por calhar.
Que venha, pois, o ódio, justificativo!
Que venha a causa, que dá razão à chacina!
Porém, não matamos por um fim.
Fomos construidos para o assasinato.
Matar para nós, é um ato inato:
matamos só,
por sermos assim.
A obra
Só naquele dia tinham sido mais de 50 quilómertos. De carro não teria sido nada... Mas não, grande parte tinham sido quilómetros percorridos a pé, por caminhos sem caminho, por cima de pedras, às vezes, de terra solta outras vezes e de lama muitas vezes. Não se pode ver a costa, de carro. Não se pode sentir a costa, de carro. E havia que observá-la, senti-la a pulsar na alma, ingeri-la, digeri-la. Para enfim decidir.
Além do mais não tinha sido só naquele dia. Já muitos outros antes tinham decorrido da mesma forma. Com idêntico propósito e com idêntico cansaço.
Alguns locais pareciam adequados, mas... faltava sempre qualquer coisa, um toque de enrgia, um toque de calor visual, alguma coisa sem que se saiba seuqer exatamente o quê..
Por isso a busca iria continuar sabe Deus (se é que Deus verdadeiramente sabe alguma coisa) até quando.
Dormiu mais uma vez dentro do carro, adaptado para esse efeito, e levantou-se cedo. Da mochila tirou o necessário para se revestir de energia para uma nova jornada e aí foi ele. Mais um dia, mais 8 horas de esperança, que a esperança só poderia acontecer enquanto houvesse sol, depois seria impossível.
Caminhou e caminhou e caminhou. Por varias vezes parou, observou e sentiu. Mais um dia sem resultados. Assim pensou, quando, porém, subitamente, ao descer dum promontório, deu com um local diferente de tudo o que tinha sentido até ali chegar. Eram as cores, o calor, as formas, mas, mais que tudo, as energias telúricas que, tal como um rio, ali se alargavam num estuário de arrepiar os sentidos.
Não havia, portanto, mais nada a decidir, mais nada a procurar, porque quando se encontra já não se procura, a não ser que não se saiba o que se procura, mas nesse caso também não se teria encontrado, nem haveria qualquer esperança de se encontar. Não era esse o caso.
Dormiu.
No dia após, começou por marcar no GPS o local. Depois, então, comeu. A toda a pressa, voltou à cidade. Foi ao hotel e carregou para o carro tudo o necessário: telas, pincéis, tintas, mochila, tenda e cavalete. E lá foi, confiante no GPS.
Conduziu até onde a viatura conseguia ir, parou e caminhou. levando tudo, excepto o cavelete, e a tenda, que já não tinha mais mãos. Não dá deus mãos consoante os objetos, ao contrário do que faz ao frio em relação à roupa, mas ninguém é perfeito e, portanto, deus também não.
Chegou e sentiu de novo.
Era portanto mesmo ali!
Voltou ao carro a buscar o resto.
Faltava já bem pouco para começar o trabalho agora que levava já consigo o cavalete e a tenda, quando traiçoeira, um pedra debaixo duuma bota se desprendeu e o fez dar uma valente queda. Foi com uma grande dor no joelho que se ergueu e se apercebeu de que o cavalete estava irremediavelmente inutilizado.
Juntou num cantinho do rochedo tudo o que já tinha conseguido transportar e, sem alternativa, voltou ao carro, à cidadee foi à loja, comprar um cavalete novo. Com isto se fez noite, e, portanto, regressou ao hotel para passar uma noite tranquila.
No dia seguinte, bem cedinho, lá seguiu de novo, levando comsigo mantimentos, para não ter de sair do local para satisfazer básicas necessidades fisológicas, com seja comer ou fazer cocó.
O trabalho era longo, interromper seria pior que protelar.
Não foi um dia, nem dois, nem uma semana. Foram mais, muitas semanas seguidas de trabalho, recorrendo a latas de atum, de sardinhas, de feijoada com sabor à marca e sem sabor ao feijão, muitas semanas de trabalho duro e de cheiro a corpo não lavado. Mas, também semanas repletas de prazer. Prazer no sentir das rochas, dos musgos, dos verdes das plantas, dos azuis do céu e do mar, do cinzento dos calcários, do piar das aves, de tudo isso e muito mais, mas, sobretudo, do sentir das energias da terra, tão fortes como em nenhum outro lugar que conhecesse muito menos em que tivesse estado.
Não admira pois, que o trabalho fosse fluindo como um rio no Inverno.
Finalmente parou.
Olhou.
Deu por concluido.
Pegou no seu trabalho, com todo o carinho do mundo e levou-o com ele, junto ao coração, de regresso à cidade.
Dormiu sem dormir quase.
E no dia seguinte, tomou o pequeno almoço, sem comer quase, para rapidamente chegar à galeria, onde o proprietário já o aguardava, esperando ansiosamente para expôr o novo trabalho do famoso mestre.
Assim que o recebeu das mãos so seu autor, olhou-o atentamente e, boquiaberto, voltou-se para o pintor, de forma pesadamente interrogativa.
Obeteve , do pintor, esta resposta:
- Então não vê?
É um mamarracho!
quinta-feira, 27 de março de 2014
Sol
Desesperadamente a escrita
para contar do momento que voa
do tempo que não basta
da saudade que deixa
bastam uns minutos.
Desespero do fluir
que não se trava
que não se para
mas que se retém,
nos olhos, na pele, nos ouvidos... no ser inteiro
e que transborda
no escrever
mesmo sem se querer.
Obsessão.
Real, presente e permanente,
Que dá raiva
que dá a solidão da chuva
a tristeza da noite
quando ausente.
E o brilho intenso dum sol que não se esgota
se presente.
para contar do momento que voa
do tempo que não basta
da saudade que deixa
bastam uns minutos.
Desespero do fluir
que não se trava
que não se para
mas que se retém,
nos olhos, na pele, nos ouvidos... no ser inteiro
e que transborda
no escrever
mesmo sem se querer.
Obsessão.
Real, presente e permanente,
Que dá raiva
que dá a solidão da chuva
a tristeza da noite
quando ausente.
E o brilho intenso dum sol que não se esgota
se presente.
quinta-feira, 20 de março de 2014
Nada
Calor, deserto, terra queimada,
espaços imensos de nada.
Apenas pó, apenas sol, apenas fogo
que queima o que se vê
e faz arder o que se sente.
Não se vai, porque não há percurso:
o distante é sempre igual ao aqui mesmo.
Olhar em volta, olhar em frente, olhar para trás?
Tanto dá:
o que se vê é sempre a mesma coisa.
Na ignorância do vazio,
almas em corpos caminham em azáfama.
Como se estivessem a fazer alguma coisa
ou fossem para algum lugar!
Andam só às voltas
em rodopios sobre si próprios.
Já nem sequer o tempo passa,
apesar da teimosia dos relógios.
Persiste o pensamento:
mas sem objeto em que pensar.
espaços imensos de nada.
Apenas pó, apenas sol, apenas fogo
que queima o que se vê
e faz arder o que se sente.
Não se vai, porque não há percurso:
o distante é sempre igual ao aqui mesmo.
Olhar em volta, olhar em frente, olhar para trás?
Tanto dá:
o que se vê é sempre a mesma coisa.
Na ignorância do vazio,
almas em corpos caminham em azáfama.
Como se estivessem a fazer alguma coisa
ou fossem para algum lugar!
Andam só às voltas
em rodopios sobre si próprios.
Já nem sequer o tempo passa,
apesar da teimosia dos relógios.
Persiste o pensamento:
mas sem objeto em que pensar.
domingo, 2 de março de 2014
Mistérios
No meu bolso transporto um mistério. Que quero guardar.
Preocupo-me em saber como o hei de ter sempre comigo quando chegar o sol e o calor, já
que não terei casaco para o transportar
e no bolso das calças não deve dar jeito, pois é um pouco volumoso.
Sei, no entanto, que o tenho de trazer comigo, sempre,
embora não saiba exatamente porquê. Mas, se soubesse, não seria mistério.
Sei que, tal como da outra vez, no caso do outro mistério,
não fui eu que o procurei, foi ele que veio embater em mim. Neste caso, mais
precisamente, veio-me bater nos ténis. E isto, no preciso momento, em que
tentava perceber o anterior mistério, que há alguns anos também veio “chocar”
comigo, sem que eu estivesse à espera. Acredito que este novo mistério tenha
tudo a ver com o outro, embora não consiga perceber de que forma nem em que
sentido.
Sei que tem muitos anos de existência, é por certo, muito
mais velho que eu, por certo conhecedor de coisas e de mundos que eu não sei,
nem faço ideia…Mas que não me diz, porque não fala.
Ou será que vai dizer, mesmo sem a capacidade de falar? Não sei.
Dizem que tem a capacidade de transmitir a voz do mar.
Imagino que este terá talvez a capacidade de transportar uma
outra voz.
Ainda não confirmei esta hipótese.
Seja como for, este búzio é mister que fique comigo.
Pelo menos,
enquanto for
mistério.
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