sábado, 31 de dezembro de 2011

Assim


Como se a distância não houvesse,

e o longe fosse logo ali,

o presente e o ausente uma mistura

que acontecesse

só por se querer assim.



Por ventura existe o pensamento

energia feita átomo

que se toca, se cheira,se palpa

que se materializa sem pedir consentimento

que se sente assim.



Concetizo, pois, uma realidade,

tão forte que só o real o pode ser!

Transformo o imaginar numa verdade

só porque....
                só pode  ser assim!


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O que não te digo

Vejo no teu sorriso uma paisagem,
verde, de tranquilidade,
azul, de infinita.

No teu olhar
encontro o brilho das estrelas
no qual dou um merguho de carinho.

Na tua voz
recebo o suave sussurrar do vento
que me dá alento.

Das tuas palavras
recebo mensagens de sabor
que lentamente vou apreciando.

O teu pensar
o teu sentir
descubro-o sem precisar que mo descrevas,
ou mesmo ao contrário do que o descreves.

Passa o tempo
Ficas no tempo que passa e no que chega.
Tempo que guardo só para mim




Deceção

Percorro o tempo
em pensamento,
relembro lutas, trabalhos, esperanças
projectos e mudanças.

Vejo as semnetes que plantei e não germinaram,
as palavras que escrevi e não viraram livros,
as luzes que acendi mas que a noite não apagaram
a esperança adormecida apesar  dos  gritos.

E vejo-te a ti.
Supostamente, minha construção.

E o que sinto é deceção.



quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sapos

Milhares de milhões de sapos
aos trambolhões
aos empurrões.
que vou engolindo lentamente, obrigtoriamente.

Sapos que não sabem saltar,
sapos que não sabem correr,
que me fazem engasgar
me fazem doer.

E eu nado como se os sapos fossem água
tento vir a cima respirar,
mas a viscosidade imensa
não me deixa
é como prensa
que me faz estancar.

E preso aos sapos, e sem notar, eu viro sapo,
mas salto em tua direcção.

-Sapo nojento, arreda!

Tomo então consciência da minha condição.


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Prego no peito

Maldito prego.

Espetou-se, encravou-se, enferrujou. Ficou.
Se o tiro, morro do sangue que sai.
Se o deixo, morro da infeção que trás.

Bendito prego que me alivia o tempo!!!

Corridas inpensadas

Ovelhas à solta
árvores retidas por raízes tentaculares.
E no espaço, por cima das cabeças,
as estrelas:
brilhando mortas, sorrindo mortas., piscando assinalando a morte.

Ovelhas inconscientes,
que se passeiam por entre as prisões da vida,
ignorando a realidade da paisagem estática,
do passar estático do tempo,
da Vida feita pedra imóvel de tão pesada para mover-se.

Ovelhas idiotas!!!!

Futuro desdentado

Andei mares de procuras,
por entre o próprio tempo,
nos inter-espaços do ser,
infiltrado em meta-existências,
na busca do objecto certo,
daquele preciso e exacto
que seria a ponte.


Mergulhei bem fundo na desrazão
tanto que me perdi na ilusão,
e acabei ficando lá como prisioneiro.


Moro, pois, nessa prisão
donde o que quero, sei que não alcanço,
o que alcanço é me desprezável
e o futuro
         é só uma galinha que partiu os dentes.

Ofertas

Assim, sem grande "pensar",
saindo ao correr da pena
como lágrimas a jorrar
sem caminho definido
simplesmente palvras
que se soltam ao ar
sem propósito ou desino.

Mentira! Sempre a mentir...
O destino é bem traçado
mesmo que seja miragem
por nunca se atingir;
por mais   que esteja apontado
nas mágoas do meu sentir.

E as palavras são concretas.
reais e intencionais,
mesmo sa não atingem metas
que se ausentam por demais.

Tiro o corpo e deixo a alma
desprovida de barreiras.
Paredes, deito-as abaixo.
Sem portas nem fronteiras
deixo aberto todo o espaço
que sou .

Mais.? Não tenho. Nem sei que possa haver.

É a mim todo que estou a oferecer.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

http://youtu.be/x0rMSHdi5Jw

Extra

O espanto de te descobrir:
porque invertes o devir
alterando o curso normal do conhecer.

Cada faceta nova que me mostras
não traz consigo a decepção,
nem o triste descobrir da ilusão.

É como o livro que a cada página lida
acrescenta a ânsia de  ler mais
parando-nos o tempo, pausando-nos a vida.

Descubro-te em frases do acaso
aprendo o que escondes de ensinar
e eu encontro ao perscutar.

Apreendo das estratégias que não contas
e que achas que não sei!
E que eu desvendo , sem fazer perguntas.

Absurdamente o conhecer não estraga
a aura que faz tempo vejo em ti.
Insisti, persito,agarro, invento,
só para te ler no tempo.... dum momento.

.


.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Elogio ao analfabetismo

Sei ler o teu cérebro,
lá por dentro,
leio a química dos teus neurotransmissores.
E, portanto, sei.
O que pensas,
quando dizes e quando não dizes.
E quando dizes eu sei
se é verdadeiro ou não.

Não sei porque é assim.
Não treinei sequer o dom!
Olho para ti começo a ler...
E descubro...
                   que ser analfabeto é bom!

Marcar passo

Passos perdidos, num tempo morto de pedras podres.
Passos que passam sem passar e pisam maceram, marcam,
sem objectivo e sem destino.
Passos que marcam passo.

Todos os relógios do mundo pararam.
Não há presente porque deixou de haver futuro.
Vivemos no ontem.
Já não somos:

éramos.

Dentista

Ah! Ah!
Não te darei o gosto!
Não saberás.
Do meu desgosto
não ouvirás.

Até te faço um sorriso,
representando a felicidade!
Não terás qualquer aviso
do que sinto de verdade.

Segue o teu caminho,
breve e apressado!
Ficarei sozinho
triste mas calado.

Também no dentista
quando a dor se abeira
me faço de autista
e não dou bandeira!

Éter

Hoje apetece-me soltar as palavras,
que elas sigam o seu próprio curso,
sem contolo, sem destino prévio,
transportando em si os genes meus, porém.

Que digam o que lhes der na gana!
Ou então, não digam.
Passeando-se e mostrando-se por aí, tão só.
Façam o que quiserem.

Não lhes vou dizer para contarem de mim,
nem para explicarem o que é a esperança suicidada.
Acho que elas, aliás, nem sequer o saberiam fazer.
Palavras, são sempre palavras:
existências estúpidas que julgam traduzir sentimentos.
ou que julgam saber "contar coisas"...
Julgam -
enganam e enganam-se.

Vão pois pelos seus próprios pés,
tornem-se palavras autónomas.
Falem do que quiserem ou não falem.

Porque
o que eu quero dizer,

será divulgado no éter.
espraiando-se pelo Universo todo,
sem necessidade de som, sequer de letra, quanto mais palavra!

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Seguiu. Já está no éter!

domingo, 6 de novembro de 2011

A Estrada

Conheço bem aquela estrada. Posso mesmo dizer que a percorri vezes sem conta. Longa , larga ,não alcatroada . Os carros passam e levantam poeira . Pouco frequentada. Ando nela a pé . À direita , bosques , pinhais , florestas . Entro sempre por um deles . Caminho sozinha , há luz , devem ser umas 3h da tarde . Entre as folhas das árvores altas sinto o calor ameno . Ando . Despreocupada . Não há carreiros . Olho à esquerda e vejo um pequeno lago arredondado com pedras aqui e ali . Tem patos . Sento-me numa das pedras e fico ali a olhar para os patos por pouco tempo . Levanto-me e prossigo a caminhada . Encontro uma chave grande de ferro . Apanho-a e apalpo-a . Pesada mas levo-a comigo . Continuo . Mais à frente , junto a uma fonte , uma taça de madeira , parece um cálice . Leve . Outro despojo para a colecção que não tenho . Retomo o caminho em frente ou zigzagueando . Ando , ando e...chego ao fim que não é fim mas algo de diferente .
 Vou para casa.
                                          Augusta Maia

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ácido

Procuro as palavras que não estão,
nos emails que não recebo,
nas conversas sem enredo
nos encontros que não são.

Fico à espera no meu canto,
deprimido e sem encanto,
sem saber o que fazer,
com vontade de não ser.

Espanca-me a indiferença
como se fosse pau de marmeleiro,
que sem pedir licença
me matsse o corpo inteiro.

Então, chegam de mansinho
bidons repletos de ácido sulfénico,
que se vai espalhando, bem devagarinho
enquanto eu me transformo em esquizofrénico.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Tempos de tropa

Raul Caldeira....Era enorme, mais alto que eu, mocado na parada....Parecia bêbedo.
O homem que nunca faltava a concertos. O homem que tinha sempre música a tocar na camarata.

O Bárbara... Gordo, peidorrento...
Tantos outros cujo nome já não sei.
Estávamos em Vendas Novas - Escola Prática de Artilharia...Pelotão de Instrução. Quanto tempo!!!
Tudo isto, saindo do recanto escondido da memória por causa dum telefonema e dum email: convite para uma confraternização entre todos os que fomos incorporados em Vendas Novas nesse ano.

Vou?
Não vou?
Não sei.
Não sei quem vai.
Porque entre tanta gente há sempre alguém que nos faz falta, alguém que nos marcou. E tanta, tanta gente por quem passámos e....nada nos disseram cá dentro.
Mas,  se é verdade que me lembro do Bárbara por causa dos seus persistentes e tonitruantes "peidos", também me lembro do Raul.
Ambos na minha camarata.
Mas ao Raul lembro-me "pela amizade nas entrelinhas", que é uma coisa engraçada e estranha. Nunca lhe chamei amigo nem ele a mim. Mas tanto eu como ele sabiamos que podiamos contar um com o outro. No limite: no cansaço do "mar-corre", ou da "ginástica até à morte", na procura das rolhas de cortiça para virarmos pretos e nos escondermos na noite do "inimigo", na solidariedade activa que não se diz mas que se faz.

Lembro-me de  saber que ele precisava, e simplesmente passar-lhe para as mãos as chaves do meu carro. Tout simplement. E de ele as receber, sem grande espanto.
Lembro-me das vezes em que ele estava completamente "high", lembro-me dos "nonsenses" que dizias nessas alturas, e da minha cumplicidade em o ouvir.
E claro, do regresso a casa no fim de semana, ele e mais quantos cabiam no meu carro....mas o lugar dele, era sempre o da frente, ao meu lado.
E lembro-me....E lembro-me....
E sei que nos matámos um dia. DE VEZ.
Tão mortos, que nem eu sei onde ele está enterrado nem ele sabe onde eu estou enterrado!
Contraditoriamente, o meu amigo Raul Caldeira, na minha memória, está bem longe de estar enterrado...E tenho a vaga esperança, que na memória dele, eu também não esteja completamente morto.
Quanto ao Bárbara...nem o matei nem ele me matou. Foi diferente, uma espécie de peido que se esvai no espaço....Sem direito a cerimónia fúnebre!
Mas, quem sou eu hoje?30 anos depois?
Quem é o Raul hoje? 30 anos depois?
Que nos dizemos se nos virmos????
Na verdade, iria provavelmente ao convívio se soubesse que ele também iria...
Na verdade, se fosse e ele também. provavelmente arruinaríamos o património da memória.
Matei-te, rapaz. E tu mataste-me.
Não por decisão, mas por Fortuna, essa terrível deusa que ninguém controla nem jamais controlará.
O curioso é que, mortos faz tempo, descubro agora que a minha amizade por ti nunca morreu.
E só dei por isso agora:
por causa dum telefonema de alguém que eu acho que nem sei quem é....

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Saber

Se achas que chove
é engano teu..
A chuva está apenas nos teus olhos....

Dizes que faz sol?
É engano teu.
O sol brilha só em tuas sinapses...

Encontras a verdade?
Engano teu.
A verdade és apenas tu.

A não pensares assim,
desenrolas as linhas do universo
tecendo conjunturas idiotas
de destinos ignaros mas irreais.

Fecha, pois, a porta.
Tranca-te por dentro.
Deixa o frio entar, o vento entrar, a chuva entrar,
mas barra passagem à loucura
de pensares que pode entrar alguém "que seja"
alguém de consistência,
alguém que te seja abraço
que te seja alma
que te seja vida.

Viverás assim o final da tua vida
consciente das certezas que a consciência velha dá.
Destituído da ilusão da esperança,
por certo!
Intranquilo do valor de ser...
Mas,
pelo menos,
sabendo saberes mais do que sabias antes.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O jogo

Invento uma história para contar, 
invento um pedido para fazer,
invento que preciso de saber...
Invento uma foto para mostrar.

Invento a razão que não tenho, para falar,
invento o que não preciso de dizer,
invento a necessidade de explicar
o que nada tem para se entender.

E faço disto um jogo de brincar,
um jogo em que só joga um jogador.
Por vezes é um jogo que faz dor
outras um jogo de encantar.

Jogo sozinho, eu sei, mas que interessa,
se o jogo me diverte e me faz bem?
 Não haverá nada nem ninguém
que este jogo de jogar  me impeça!

E invento que este jogo jamais há de acabar,
como se no Mundo houvesse eternidade!
E vou jogando...Jogando, sem parar
sem já saber se é jogo ou realidade...

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Deus

Foi quando te deitei no caixote
e fui embora.
e depois a tampa saltou
e tu voltaste.

Depois atirei-te ao mar
para te afogar.
Mas um peixe que passou
trouxe-te à costa e te salvou.

Fiz cova na areia e enterrei-te
nem a cabeça ficou de fora.
Mas veio o vento  e encontrei-te
de pé e vivo como outrora.

Peguei no carro e atropelei-te
as rodas esmagaram os teus ossos
tenho a certeza porque ouvi,
Só que, paassado pouco tempo, eu avistei-te
numa esplanada de cerveja e tremoços
sorrindo feliz de estares ali.

Desisto, pois, de te terminar.
A tua resiliência sobrepóe-se a tudo!
Assim resignado a ter de continuar

a crer que és Deus
que desceu ao Mundo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Concuros a nível de escola, sim ou não????


Concursos de professores:
locais ou nacionais?

Colocados dois professores lado a lado, e apenas sabendo que um é profissionalizado e com elevada graduação académica e o outro não profissionalizado e com mediana graduação académica, podemos dizer com segurança, qual deles é melhor professor? Qual deles é mais dedicado à sua escola? Qual deles é mais atento à evolução na aprendizagem dos seus alunos?
A resposta é óbvia. Não podemos saber!

Quem já anda há alguns anos na profissão docente, encontra professores altamente graduados e que, no entanto, são professores medíocres e encontra o inverso. Não se trata de situações de todo excepcionais, são, até frequentes, o que não quer, porém dizer que sejam a regra.

Neste contexto, a tradicional colocação de professores a nível nacional tendo em consideração grau académico, profissionalização, etc,etc, não é efectivamente garantia de que são colocados nas escolas os melhores professores. Para além deste aspecto genérico, a verdade é que as escolas concretas existem em meios concretos, e pode um indivíduo ser um óptimo professor em determinado contexto e não o ser num outro.

Surge assim a opção alternativa: ser a própria escola a escolher os professores que quer.

Nesta situação, duas hipóteses se põem :
a 1ª a escola já conhece o professor, porque ele já lá esteve.
a 2ª a escola necessita de contratar um professor novo, que nunca pertenceu à escola.

Vamos tratar da primeira situação, deixando a 2ª para depois.

Conhecendo já a escola o professor em causa, saberá se este lhe convém ou não e em que grau, tendo em conta o trabalho por ele demonstrado no período em que já lá trabalhou. Assim parece poder dizer-se que será fácil à escola determinar quem quer e quem não quer, podendo até fazê-lo com enorme transparência, explicitando ao candidato em questão, as razões porque quer que ele lá continue ou, ao contrário, porque não o quer.

Tomada e explicitada a decisão e sua fundamentação, as formas processuais de atingir o desidrato são de somenos importância. (basta habilidade de gestão)

Este é um processo em que se exige da escola uma grande assertividade. Mas, a verdade é que não é “a escola” (entidade abstrata) que escolhe um professor.

São pessoas concretas que ocupam cargos concretos, que têm a responsabilidade concreta na escolha e seleção (ou não) de tal ou tal professor.

Chegámos agora à vertente mais difícil do processo de contratação de docentes pelas escolas, pois a capacidade para tomar decisões deste tipo implica uma capacidade de liderança muito própria, que não está ao alcance de todos. A não haver esta capacidade de liderança, o que acontece é criar-se um nimbo de procedimentos, , envolvendo, se possível, um leque alargado de pessoas, na tentativa de que esses mesmos procedimentos e leque de pessoas salvaguardem a imagem do responsável, amortecendo-o dos impactos possíveis das escolhas que tem medo de fazer.

Alternativamente, pode haver capacidade de liderança mais que suficiente, mas total ausência de justiça na decisão: nesse caso a escolha pode recair sobre o menos competente porque é amigo da família, cunhado da prima....por aí fora.

Mentira?

Bem é que tal situação já acontece nas escolas há muito tempo no que toca a funcionários, ainda não tinha era chegado aos professores...
Como exemplo que conheço bem demais, posso citar uma escola onde, por concurso público (quantas pessoas nem imaginam o que se pode fazer por concurso público!) foram seleccionados: para a secretaria, o filho do Sr.A e para a biblioteca, a filha do Sr A. O Sr A, era, na altura, o encarregado dos funcionários auxiliares da escola. Curiosamente o filho do Sr A até se tinha esquecido de entregar a “papelada” necessária no prazo estipulado pela nota de abertura do concurso!)

Mas pode não ser uma questão de “compadrio”, mas uma questão de “necessidade”... Também na mesma escola que referi, onde exerci funções directivas alguns anos, não posso esquecer dum telefonema e das suas consequências... Tratava-se, mais uma vez, dum concurso público para funcionário administrativo. Eis que recebo um telefonema do Sr Presidente da Junta a pedir informações sobre os prazos do referido concurso,(que como é óbvio estavam explicitados) e a informar que perguntava porque....a filha estava interessada em concorrer. Pois. A filha concorreu, mas, azar, não foi seleccionada, e “hélas”, a escola deixou de receber todo e qualquer apoio da junta de freguesia referida, a partir da data da decisão do concurso..... Coincidência apenas. Mas que nos transporta para a questão de saber se não teria sido mais importante para a escola “ceder”à pressão – a tal “necessidade”.

Et pourtant,
O problema torna-se ainda mais complexo se juntarmos a estas questões uma outra:
são os professores do quadro melhores professores do que os que não são do quadro, por definição?

É claro que não. Então, no final dum ano lectivo, para que o processo de selecção de professores pela “escola” seja justo, deveria também a escola poder optar em “rejeitar o professor A, do quadro” trocando-o pelo “professor B, que não é do quadro”, mas que a “escola” sabe que é mais adequado às suas necessidades.

Porque não?

Deixemos o porque não ou porque sim para mais tarde, e passemos à 2ª situação: a escola não conhece os candidatos.

Neste caso terá então de estabelecer critérios específicos de selecção e promover entrevistas aos candidatos. (por que obviamente, não se fazem entrevistas a candidatos que já se conhecem de ginjeira!!!! . É estúpido!)

Entramos mais uma vez num domínio complexo. Porque os dados biográficos do candidato e a entrevista podem ocultar o essencial! Acham que não?

Voltamos ao caso dos funcionários cuja experiência de contratação por este processo por parte das escolas já é longa. Exemplo 2:
Aberto concurso público para ajudante de cozinha, na mesma escola que referi, apresentam-se a concurso 3 candidatas. Uma, não vale a pena referir pois a sua inadequação ao cargo era total. Mas, das outras duas, uma estava claramente à frente em termos de habilitações e experiência. Passamos à fase da entrevista. E mais uma vez as respostas dadas pela mais qualificada foram de longe superiores aos da outra candidata. Mas.... Vocês conhecem quando nos fica aquela sensação de que algo nos está a escapar? Aquele estranho sentimento de que estamos a apostar no cavalo errado? Um estranho “feeling” de estar a ser “embarrilado”?
Mas é concurso público, e agora?
Ah, mas vocês sabem lá o que se pode fazer em concursos públicos..... Já vos disse!
Olhem, pode, por exemplo, fazer-se um telefonema após a entrevista....e ficar a saber que, apesar da carta de recomendação escrita (e vá se lá saber porquê) a realidade era um contínuo de absentismo ao trabalho, falta de pontualidade e por aí fora....
E claro que, registado em acta o referido telefonema, a candidata escolhida foi a que “tinha perdido” em termo de habilitações e de entrevista!


Vamos então agora ao porquê e ao porque não.

Imaginando que tudo corre processualmente de forma correcta, as escolas conseguem de facto seleccionar os melhores professores.
Mas, para que isto aconteça, as expectativas pessoais resultantes da seriação e graduação profissionais foram, digamos, por água a baixo.

Habituámo-nos a pensar sectorialmente, como se a escola fosse um mundo à parte dentro do Mundo.
Não é.
E quais são as expectativas que foram “por água abaixo”?

Aquelas que resultam na possibilidade de ter a segurança suficiente, por exemplo, para fazer filhos;
Ou aquelas que resultam na segurança de ter a estabilidade necessária para apoiar os filhos que já existem.

Da 1ª resulta (e não podemos pensar só nas escolas mas sim em todo o Universo laboral) o decréscimo da natalidade e o envelhecimento da população e, para as escolas no concreto, a progressiva diminuição de discentes, a progressiva diminuição de docentes necessários, o encerramento de escolas.

Da 2ª resulta, para escolas e para a sociedade, um crescente número de alunos de famílias desajustadas, que não têm tempo nem capacidade de apoiar a evolução das crianças em crescimento, dando origem a um cada vez maior número de alunos inadaptados à escola, psicologicamente “atingidos” pela instabilidade profissional dos pais.

Das duas resulta que os muito bons professores seleccionados, começam, por um lado, eles próprios a já não serem necessários, por outro, a não conseguirem ser bons professores face à crescente perturbação psicológica e familiar dos seus alunos.

Isto partindo-se do princípio que tudo corre processualmente de forma correcta.

Porque se assim não for ( e já não é agora e seguramente não será no futuro), os problemas referidos atrás não se alteram são “apenas” acrescidos do sentimento de injustiça e de impotência face a um sistema de compadrio e corrupção.

Portanto: para melhor está bem está bem,
para pior já basta assim!
Contratações ao nível de escola, decididamente NÂO!

domingo, 18 de setembro de 2011

Oferendas

Queres me dar um telemóvel
topo de gama, da última geração,
agradeço muito seres amável
mas à tua oferta eu digo: não.

Achas que eu estou sem dinheiro
pois  olha que tens razão.
Ofereces-me de ajuda o teu mealheiro
mas à tua oferta eu digo: não.

Tens um carro p'ra vender
e visto que eu ando sempre a pé
queres-mo oferecer...
Mas à tua oferta eu digo: essa também não é!

Olhas p'ra mim, não entendes
tanta recusa sem razão
e dizes, por entre-dentes
"Nada serve ao parvalhão!"

Vem o tempo e tempo passa
nada encontras que me dar
e dizes que não tem graça
eu estar sempre a recusar.

Então explco-te, baixinho,
para mais ninguém saber:
"Dá-me apenas um beijinho
que eu o guardarei até morrer!"

sábado, 17 de setembro de 2011

o "Clique"

No xadrês do tempo-espaço

cruzam-se os corpos e as almas

na mais aleatória cadência de encontros

ou desencontros de trajectos diferenciados.

Milhares de rostos-sorrisos, rostos-choros,

que passam e nos olham e não vemos!

Vozes que gritam, braços que se agitam,

passam de largo nem sequer sabemos.

Mas de repente, no meio de tanta gente,

alguém se desfaz do nevoeiro que nos tolda a vista

e nos diz "olá"

e por magia, o vazio-frio da caminhada

se faz tão de repente quente.

Sem saberes porquê

descobres:

aquele estava ali para te encontar, desde o infinito

estando à espera desde a hora da génese do Mundo

de te encontrar a ti,

naquele dia e hora

e precisamente ali.

E então, com a máxima surpresa,

também tu percebes

que há séculos que o conheces,

porque desde sempre que é

um pedaço essencial de ti!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mordaça

Palavras travadas. Fazendo guincho.
Deixando o chão marcado.
Melhor assim?
Cobardia? Medo?
Sim, talvez o medo,mas não o medo dos outros
Só o medo de ti.

Por isso o guincho, o travão às 4 rodas,
que me põe doente, instável, lost on the road.


Quando a necessidade é gritar até que a Lua ouça!

E afinal, para quê?

sábado, 10 de setembro de 2011

Sem resposta

Bastava uma palavra, mas não disseste,
dizias,eu respondia, e ias logo embora,
não quiseste.

Em vez disso, bateu-me à porta o teu silêncio,
que me de imediato me hidratou os olhos,
e me fez perguntar se,afinal,
é apenas unívoco o meu sentimento.

A amizade é lvre como um pássaro,
vai para onde ela quer,ninguém a leva...
Eu sei, eu sei...
Nasce cá dentro nas entanhas, sem pressa,
mas transporta toda a pressa do retorno.

Bateu.me à minha porta o teu silêncio,
partiu a porta e e sem pedir licença enrtou,
sentou-se , como se a casa fosse dele,
ignorando por certo a dor que me causou.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Baza, Deus!

Deus,
tudo o que me dá, tu tiras,
tudo o que me mostras, depois escondes,
não te entendo.


Afinal, que mal te fiz, oh Deus,
tratas-me assim tão mal, porquê?
Que mais merdas tenho de passar
para chegar aos céus?


Amor, tu? Só a brincar...
Amas-te só a ti próprio, Deus,
e ao gozo que te dá trocar as voltas
àqueles a quem chamas filhos teus.


Um pai assim, dispenso
antes ser órfão!
Levar a vida que eu quero
sem ter de te dar conta
Bem vês que sou sincero!


Por isso, Deus, deixa-me em paz!
Não me dês mais nada, não preciso.
Segue o teu caminho, eu sigo o meu
podes te ir embora. eu autorizo!

Zombi

Vem um dia e ficas só
rodeado de gente, de passos,de vozes,
mas o vazio imenso sobre ti
que te cobre como uma mortalha.


Não há luz...Não há vida,
o espaço escurece, fica disforme ou distorcido
nem sequer o verde das árvores dá côr ao infinito negro.
Morreste!

(Ou então mataram-te....)


Mataram-te os teus sonhos de justiça,
mataram-te os teus sonhos de esperança,
os teus sonhos de amizades eternas.
Ficou a paz da morte,
a tristeza das ausências.


No entanto, afinal,
não morreste ainda,
respiras aindas,
o teu coração bate, ainda:
                                        
                                    completamente sem sentido!

Amputações

A tua ausência é um absurdo,
O teu espaço vazio de ti é um desgosto,
os sítios perdem o sentido
o esforço torna-se gratuito.

Por isso,
jamais te deixarei partir,
por muito que os outros te dispensem,
por mais que os outros te esqueçam
por mais que os outros se façam indiferentes.

Estás no meu peito
cá bem no interior
sinto-te comigo, cá dentro e para sempre.

És o meu corpo,
jamais te amputarei.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O que importa?

Cada palavra que não me dizes
é uma pedrada que me atinge
e que me faz doer, e que me faz sofrer
e que me faz desistir de mim
como se já eu não fosse
como se já morto
e enterrado me encontrasse.

Estupidamente, porém,
volto lá e volto a voltar lá
na esperança do teu nome acontecer
e uma e outra vez
é a tua ausência que me cumprimenta
é a tua ausência que fala comigo
é a tua ausência que me chama amigo.

E depois roda o mundo, gira a Vida
igual, sempre igual,
martelando o tempo, esmigalhando dias, meses, anos
que passam ao sabor do nada.

Tu segues.
na verdade não é nada contigo.
O teu tempo exite numa outra dimensão
na tua dimensão.
Nada a ver com a dimensão dos mortos.

Sei tudo isto.
Sei ler o tempo, a vida, o momento
o pensamento, o sofrimento,
o desespero, o contentamento....
E sabendo ler
eu sei do desperdício
de esperar o que não vai acontecer.

Mas, teimosamente, insisto na espera.
Volto lá e volto a voltar lá,
Quem sabe, pode ser que calhe...
Mas não calha!
Nunca calha.
Nuca há de calhar!

Bater à tua  porta
uma ousadia:
um morto armado em cidadão!
Fecha-se o círculo num quadrado
escondido na exotérica hipótese
                                                por comprovar.

Faz tempo! Faz muito tempo
que o tempo passa
que o tempo vai
E é o tempo quem me retira o tempo
e me retira a esperança.

Dói-me o corpo das pedradas que recebo,
Olha, atira as que quiseres:
mais pedra, menos pedra
fractura a mais fractura a menos,
                                                       caga!

Porque, afinal aquilo que importa
 aquilo que realmente importa

é que estejas bem!




sábado, 27 de agosto de 2011

Presença

Cruzam-se os rostos, aos milhares,
na multidão, que faz o verão ser verão,
e de repente, no meio de tanta gente,
detecto ao longe os teus olhares
com emoção.

É o teu sorriso que lá está
a espreitar no meio de tanta confusão.
E até distingo a tua voz no meio de tanta voz!
Porque será?

Mas onde?...

No sol da areia queimam-se os sentidos
os corpos deitados reclamam atenção
e de repente vejo-te ao longe
e avanço com passos decididos
na tua direcção.

Mas onde?

Talvez no éter que rodeia o Mundo
no éter que respiro fundo
vagueies e eu te sinta.

Porque, de resto, tudo o que escrevi
não é mais
                do que ter estado a gastar tinta!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Resiliência

A distância, o tempo.
O esquecimento.

Mas se a memória brinca
e resiste,
então nem  distancia nem  tempo
nem chuva nem vento...
nem esquecimento.

Porquê?

Mas porquê "Porquê?" e não "Porque não?"?
se nem tudo tem de ter razão

Seja noite ou seja dia
posso ver à mesma
e sentir à mesma
e mesmo na distância.

A ausência não tem, pois, importância!




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Carlos Brito

Vi o livro em exposição no quiosque e decidi compá-lo. Espantosamente a empregada perguntou-me se não o queria autografado. O Sr. Carlos Brito havia de passar por lá daí a pouco. Aliás ela era vizinha dele.
Pois claro, já me tinha esquecido: Carlos Brito é de Alcoutim, aliás um dos seus livros conta as histórias de passagens de fronteira nos tempos da guerra civil de espanha, aqui por estas bandas...
Carlos Brito apareceu momentos depois, no bar do referido quiosque, para autografar o livro. Sentámo-nos e conversámos um pouco.
Estranhamente até parecia que ele tinha lido um dos últimos posts do meu blogue, pois o tema da conversa foi sobre o privilégio de tanto a geração dele como a minha, terem sido gerações de esperança e de ideais. E a nossa conversa acabou cheia de interrogações sobre ... a vida dos netos.
Lá foi ele regar o quintal, com a ajuda da neta e eu continuar a minha praia com o livro dele na mão.
Bons tempos em que a voz grave do Carlos Brito se fazia ouvir tonitroante no parlamento, um tempo em que tanto ele como eu estávamos cheios de certezas, que hoje nem ele nem eu já temos.


domingo, 14 de agosto de 2011

Já uma estrela se levanta!

Acabei de ler o livro da Helena Pato, "Já uma estrela se levanta".  Quero aqui recomendá-lo como leitura de férias. Escrito numa linguagem muito acessível, conta-nos histórias reais de quem lutou antes do 25 de Abril pela liberdade e conta-nos como se podia sofrer na própria pele as consequências dessa luta.
Vale a pena ler este livro com atenção para ficarmos a entender melhor "o quanto custou" a liberdade e a democracia que hoje temos!

Há mais vida nas escolas!

Porque há, nas escolas, mais "Vida", para além da avaliação dos professores!!!
Nuno Crato reorienta as preocupações da sua governação para outras áreas e entende que há que, rapidamente, descentralizar as preocupações dos docentes da sua própria avaliação. De facto nestes últimos anos obrigou-se os professores a passarem o tempo olhando "para o seu próprio umbigo" - como se o sentido de tudo o que se faz numa escola fosse dado pela avaliação docente, que, no entanto, nunca passou de uma farsa bem montada para gáudio da alguns. A enorme confusão e buocracia do processo de avaliação dos professores, não acrescentou um "miligrama" de melhoria ao processo de ensino dos alunos, muito antes pelo contrário, já que maior foi a preocupação em mostrar serviço para contar para a avliação do que fazer efectivamente serviço pedagógico!
Ao relativizar a importância da avaliação dos docentes, Nuno Crato presta um bom serviço às escolas, aos professores e em epecial, aos alunos portugueses!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Fado da morte

Quantos são? Deixados ficar por entre as gotas
da chuva fininha do tempo,
congelados na memória
mas mortos.

Mortos que fui eu quem matou,
por razão nenhuma,
sem saber porque os matava,
sem saber porque os matei,
ou talvez por vingança
de me terem morto a mim também.

Dirão que é o Fado,
o Fado não se constrói
alguém no lo destinou
só isso.

Em desespero espero
que algum ainda esteja vivo:
mergulho nas ondas do facebook
como se os mortos também usassem net!

E de repente,
pára a procura, pára a ilusão,
o Fado senta-se ao meu lado
e diz-me que muita morte ainda está para acontecer.

 Percebo, então,
que tu me vais matar...

Sem razão nenhuma
sem saberes porque me matas.

Talvez só porque o Fado
não perdoa
e vinga a morte de quantos
eu já matei um dia.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sonhos

Era uma vez uma terra, nada distante daqui, porém bem longe, em que cada cidadão vivia um sonho.Um projecto/sonho.
Nessa terra havia sonhos para todos os gostos e cada um sonhava à sua maneira, mesmo quando sonhava um sonho que era de muitos.
Nessa terra, na hora das eleições, ninguém olhava para as fotografias dos candidadtos, ou, pelo menos, pouco olhavam para elas, porque o que importava saber ao votar, era em que projecto/sonho se estava votando. Também por isso os programas eleitorais falavam pouco de medidas a curto prazo, importava pouco saber se iam aumentar os impostos ou descer, o que importava era dizer qual o desígnio final com que cada um se apresentava às eleições.
E, claro, pouco havia quem ficasse em casa no dia do escrutínio, porque ir preencher o boletim de voto significava para cada cidadão daquela terra, um passo que dava na construção do seu sonho.
Cada projecto /sonho, porém, não era pessoal, mas sim um projecto global para a terra de que falamos, embora, evidentemente, cada um pensasse que esse rpojecto/sonho se viria  a reflectir  necessariamente, depois de construido, na vida pessoal de cada um.
Ir votar era uma festa, naquela terra. Os cidadãos levatavam-se cedo e faziam filas intermináveis à porta das secções de voto, em que, cidadãos voluntariamente se haviam anteriormente proposto para a constutuição das mesas de voto, considerando uma honra o facto de ali estarem para ajudarem a concretizar a escolha livre do projecto, por parte de cada um. Se lhes dissessem que lhes iam pagar para o exercício daquela função, sentir-se-iam gravemente ofendidos!
Nessa terra, cantava-se bem alto a canção em que um poeta dizia:

"Eles não sabem nem sonham,
que o sonho comanda a Vida,
........................................... "

Era bom  viver ali, numa terra em que a esperança estava ali, ao virar de cada esquina, e cada utopia era uma certeza.

Essa terra podes encontrá-la no google mapas, exactamente aqui, onde  nós estamos!
Mas está porém bem longe daqui, situada num tempo que só aguns tiveram o privilégio de viver.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A corrente

Mandaram vir o vento:
Soprou o vento,
com força de mil gigantes,
fazendo estremecer  até as rochas,
                                  mas a corrente não quebrou.

Mandaram depois a chuva:
e a chuva choveu tanto, molhou tudo e todos tanto,
e oxidou os ferros
e oxidou as almas,
                                 mas a corrente não enferrujou.

Mandaram vir o alicate:
que corta ferro, que amassa e amolga
que destrói e verga tudo o que se lhe entrega.
                                Mas a corrente resistiu.

Durante meses e meses
semanas após semanas,
ora vento ora chuva, ora alicate ora, ora
tanto fizeram, tanto tentaram, tanto e tanto forçaram...
Só que em  vez de enfraquecer,
ganhava força a corrente,
                           mais resistente a tornaram.

Essa corrente tão forte,
que resiste a tanto e todos,
pego-lhe eu com mil cuidados
toco-lhe com as pontas dos dedos,
com medo que se desfaça,

                           de tão frágil que ela é!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma questão de sinapses

Eu  queria esmigalhar os ossos do meu crâneo
ou então fazer buracos neles,
buracos grandes,
e colocar à vista meus nerónios,
Então,
sinapses sem controlo com o exterior
nasceriam espontãneamente.


Porque assim,
seria desnecessário
                                 dizer-te.

Album de recordações

Edit Piaff

domingo, 31 de julho de 2011

Palavras

Vinham de longe, distantes,
eu não sabia que vinham
só soube quando chegaram
e as ouvi atroantes.

Trouxeram-me o teu sentir
carregadas de horizontes
restabeleceram-se as pontes
e fizeram-me sorrir.

Cada uma é uma dádiva
que leio, releio, memorizo
pensando no teu sorriso
na tua presença viva.

Que cheguem mais a Lisboa
perturbando o meu pensar,
embalando o meu sonhar
fazendo de mim Pessoa.

Levou tempo a perceber!!!

Foi preciso tempo demais, energias demais, confusão demais.
Finalmente a tutela percebeu duas coisas elementares:
a 1ª: Não há isenção possível, em termos de avaliação, quando o avaliador trabalha lado a lado com o avaliado e muitas vezes, trabalharam lado a lado durante longos anos. As cumplicidades, invejas, ou simples "parti pris" são inevitáveis. A seriedade do processo não é  assegurada.
a 2ª:  Não faz qualquer sentido  terminar um processo de avaliação docente já a pensar no processo que se lhe vai seguir. Avaliação, sobre avaliação, só serve para desgastar os intervenientes, tornar o processo numa rotina estúpida e sem qualquer objectivo prático real, e tem como consequência um estado permanente de mal estar nas escolas, um gasto permanente de energias desnecessário. A aposta na periodicidade da avaliação ser concordante com os ciclos previstos de transição na carreira, parece-me uma solução ajustada, tranquila e inteligente.
Nunca imaginaria escrever o que escrevo a seguir (não gosto do Nuno Crato!), mas, aí vai:
Parabéns a Nuno Crato e à sua equipa por rapidamente terem percebido duas coisas afinal tão óbvias e por terem decidido resolvê-las de forma expedita e inteligente!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A terceira já vem a caminho

Francis Fukuyama anunciou o fim da História, com o sucesso final do capitalismo que, segundo ele, provê todas as necessidades fundamentais do Homem enquanto ser social.
Estávamos, nessa altura, ainda bem longe da enorme convulsão económica mundial que hoje vivemos, mas tínhamos já assistido à hecatombe dos regimes do "socialismo real". Com o socialismo(comunismo) morto, aí estava ele, de pé e vigoroso, o sistema capitalista!
 Durante a Guerra Fria, a enorme rivalidade entre os dois sistemas mundiais, capitalista, de um lado e comunista, do outro, levou à mais exacerbada competição entre os dois  (basta lembrar a corrida entre ambos para a conquista do espaço e a chegada à Lua). Porque a guerra fria era. em grande medida, feita, pela divulgação das "conquistas" que um e outro sistema iam fazendo, de forma a cada vez mais influenciar os cidadãos dos diversos países, num ou noutro sentido.
Assim, o conhecimento por parte dos diferentes povos do Mundo da generalização dos cuidados de saúde, do acesso à educação e 
à cultura, do acesso à habitação, conseguidos pelo bloco comunista e comprovados por dados oficiais da ONU, constituiam um enorme polo de atracção para muitos milhões de cidadãos que, nos países capitalistas, se viam privados destes benefícios sociais, por falta de meios financeiros. Não chegava, pois, para vencer a guerra, argumentar sobre a falta de liberdade ou a falta de bens de consumo: era preciso dar alguma resposta às necessidades sociais básicas de todos. Assim foi surgindo ao longo de décadas de guerra fria, o Estado Social, foi crescendo a influência keynesiana na economia, e surgiram países em que a Social Democracia obtinha, graças a elevados impostos cobrados aos cidadãos, respostas sociais interessantes ao nível da saúde, educação, habitação, com resultados similares aos do bloco comunista. Estes países da social-democracia, o desenvolvimento do estado social na generalidade dos paises europeus permitiria pois, a tese de Francis Fukuyama, particularmente ao acontecer a derrocada global do bloco comunista.
Mas.... Pois é, mas:
Com a derrocada comunista, termina a guerra fria e desaparece a competição entre os blocos. A ilusão duma sociedade próspera e sem classes  desaparece, pelo que já não há necessidade de fazer concorrência, o capitalismo já não precisa de argumentar sobre a sua capacidade de prover o bem estar aos cidadãos, porque estes já não têm uma escolha alternativa! 
Então, com a maior rapidez, na eonomia, keynes é rapidamente abandonado, para dar lugar às teses do neoliberalismo puro e duro, os estados sociais são progressivamente destruidos, o investimento produtivo dá lugar ao investimento especulativo, a protecção social dá lugar ao desemprego, ao emprego precário, às desigualdades sociais crescentes.
Agora, que já não há competição entre blocos e que o capitalismo já não tem nada a perder, mostra a sua verdadeira face, libertando-se das barreiras que lhe eram impostas pele necessidade de vencer a guerra fria!
Na essência do capitalismo está a luta pelos mercados.
Luta que vem de longe, desde os primórdios do nascimento do próprio sistema. Para conquistar mercados o capitalismo faz tudo. Quando não consegue de outra forma, o capitalismo faz a guerra. 
A 2ª grande guerra foi, na essência, uma guerra pela conquista de mercados.
Hoje o euro trava uma luta feroz para se impor a nível mundial. O dólar protesta e recorre às agências de rating para o destruir.  
No contexto desta luta global entre capitais, é já visível a perspectiva negra da necessidade da guerra para a clarificação "das leis do mercado".
Desde sempre o capital recorreu à guerra para a resolução dos seus conflitos internos, enquanto sistema.
É essencial que os cidadãos estejam atentos! A verdadeira face do sistema está ai: com a proletarização da classe média, a degradação de salários, o desemprego, a fome, a miséria - já chegou tudo - a guerra também chegará, a não ser que os povos se disponham a não deixar que ela aconteça!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

My special one

Cause you really are  my special one,
sei eu lá porquê...
Só sei que é assim!
Não sei se a tua cara, se o teu sorriso,
não sei se o teu corpo, se a tua alma,
só sei é isso:
you are my special one!

So, I really miss you, my special one,
a tua voz, o teu olhar,
o teu apressado caminhar.
Bolas, onde estás, porque me deixas só aqui?
Don't you understand how special you are for me?

Estas palavras são para ti, my special,
Provavelmente nunca as irás ler,
e se as leres,
provavelmente nunca irás saber,
que és tu, precisamente tu,
quem mas faz escrever!

Que importa....

Mas se por acaso descobrires,
se por acaso te passar pela tua mente
que o tu possa realmente seres tu,
então, envia-me um sinal,
e diz-me,por favor, que não faz mal,
que não te importas
que eu diga, assim:

"tu és para mim
o meu muito  querido
                              
                                   special one."

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lost

Perdido.
No meio da entropia da existência,
estou aqui e não sei onde.
Sem bússola, sem norte,
desviado da própria consciência.

Actuo como uma máquina
rolando engrenagens em contínuo
enquanto estiver ligada e houver energia
sem saber para quê
sem saber porquê.

À espera que um anjo desça de algures
e me oriente a rota.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dominium

Dominas.
A tua casa, o teu emprego, as tuas férias.
Escolhes.
Só tens casa se quiseres, só tens emprego, férias,
                                                                        se quiseres.
Portanto, o teu poder é imenso.
Decides se vais ou se não vais,
mesmo se da tua decisão resultam consequências
são as consequências que optas por aceitar.

Consegues, assim, ser quase um pequeno deus,
pelas palavras que escolhes dizer
e pelas palavras que escolhes reter,
pelas acções que decides efectuar
e pelas acções que decides congelar

Não há dúvida. És um pequeno deus:

escolhes  as horas a que te levantas,
as horas a que te deitas
as horas a que alomoças e a que jantas.
Vais ao cinema quando queres, ou ao teatro ou à bola.
Podes ir à praia mesmo se faz chuva, se quiseres.

És tu quem governa o teu Mundo!

Mas, de súbito,

BUM! BUM! BUM!

Enorme estrondo no teu âmago,
saltam-te os olhos das órbitas e não as consegues recolocar
o teu ritmo cardíaco entra em ebulição
suas e não sabes porquê, 
gritas sem controlo
choras e ris 
tens sono mas não dormes,
queres falar e não falas,
dizer e não dizes.

Sentes um brutal aperto no teu tórax,
mas está tudo bem fisicamente.

Pegas no comando,
carregas nas teclas com que te controlas,
mas nenhuma funciona,
não há resposta,
porém, as pilhas estão boas e o comando também.

....
Pois é, pois é:
só dominas  e és deus,
de tudo aquilo que afinal é o que menos te importa!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

E os resultados dos exames???

“Perdi o apoio dos professores, mas ganhei o dos portugueses” 
 Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação, Portugal, 2006.

Por que é fácil criar "bodes expiatórios" e atirar sobre eles as causas de todos os males. Assim fez Hitler, Estaline, Mao-tse-Dong , Salazar. 
Assim se ganha uma mole humana de apoio a  políticas cegas. em que o essencial é, tão só, o ataque aos ditos "bodes expiatórios", esperando-se com tal ataque chegar à Solução Final.

E também nos lembramos todos das grandes soluções: a "escola a tempo inteiro" (houve quem lhe chamasse o armazém de crianças...), as aulas de substituição, as revisões sobre revisões do estatuto da carreira docente, (com a divisão entre professores e professores titulares), a avaliação dos professores (que dantes era uma fraude e agora....é um exemplo de rigor ,lol, lol, lol), o magalhães, (hoje já sem teclas e encafuado por aí em arrecadações  à espera de melhores dias) ...
Bem, e com tudo isto se prometia a Grande Mudança, com tudo isto se ganhava "o apoio dos portugueses", e com tudo isto se foi conseguindo objectivamente uma crescente, progressiva e constante desmotivação dos professores, uma crescente, galopante  carga de trabalho docente (em especial no tocante a tarefas da mais pura "masturbação mental" e que ainda hoje se mantém "são os relatórios para isto, para aquilo, os pits, os pcts, os planos disto e daquilo e do outro, as auto avaliações (ou auto-elogios), etc., etc., que foram deixando cada vez menos tempo aos professores para....serem professores!
Professores desmotivados, desgastados, exaustos, embrulhados nas teias da Lurdocracia, contribuiram de facto, pelo seu cansaço, pela sua fadiga e desmotivação para os "brilhantes" resultados observados no final dum ciclo de gestão Sócrates/Lurdes Rodrigues da política educativa portuguesa.

A frase deveria ter sido antes esta:

"Perdi o apoio dos professores, mas manipulei os portugueses".

Mas manipulações ...só duram o tempo efémero da ignorância dos factos!
Eles estão aí, claros e duros, traduzindo o balanço real da política educativa de sua Exª Drª Maria de Lurdes.

Parabéns, MILU! 
Foste a "MÁIOR"!!!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Momentos de Optimismo Breve

Quando o tempo tão largo se faz estrada
e a vista alcança infinitos de lonjura,
e ao longe as árvores, em planície dourada
nos mostram horizontes repletos de doçura,

Quando nada há que nos pare na ilusão
de sentirmos serem nossos os caminhos
que percorremos juntos, mão na mão,
à procura de certezas e carinhos,

A luz já não nos dói de ser tão forte
que os olhos se habituam à mudança.
Depois de tantos anos de desnorte,

procurando o GRAAL que não se alcança,
que bem nos sabe este sabor, que sorte
a de fazer do dia a dia a nossa esperança! 

domingo, 17 de julho de 2011

GPS

Lentamente,
porque é desta forma que se sente,
tiro-te as meias.
Sinto-te os pés
nas minhas mãos
nas minhas mãos quentes os teus pés quentes
macios, e que sinto suaves, e que sintos doces,
no roçar lento dos meus lábios dementes.

Sigo as inetruções do GPS "siga agora em frente"
e descubro as tuas pernas
centímetro a centímetro,
poro a poro.
Acaricio-te os gémeos
subo aos teus joelhos, que abraço contra o meu peito nu
olho de perto e sinto que os adoro.
Nas tuas coxas perco as minhas mãos,
perco o meu olhar
e perco-me de mim.

"Agora, desvie e vá para Norte"
E nos teus cabelos vagueia a minha mão.
Desço ao teu sorriso
que absorvo tal qual mata-borrão
Sinto a tua face na minha face
os teus lábios nos meus lábios,
e as nossas duas línguas - uma só.

"Siga para sul, por 30 centímetros"
Passo o teu pescoço, devagar,
à velocidade lenta de beijos sem parar,
chego ao teu peito, que observo pedacinho a pedacinho
estando sem roupa por fora, eu dispo-te por dentro
com a invasão de tanto olhar.
Transformo-te os mamilos em rebuçados
que chupo e saboreio e me fazem salivar.

Continuo descendo como manda o GPS,
sobre o teu umbigo descanso a cabeça,
e encostado  aos olhos tenho a tua pele.
Inclino um pouco e sinto com os meus dentes
a tua carne doce que começo a trincar
em trincadelas suaves
p'ra não te magoar.

"Zona perigosa, circule devgar".
Dispo-te as cuecas, para poder entrar.
Enfio-me em florestas que nunca tinha visto,
com perfumes exóticos com que me saúdas, ao chegar.
Floresta que desbravo e que descubro
que quanto mais descubro e desbravo,
mais locais bonitos tem para me mostrar.

Decido ficar  ali algumas horas em beijares,
talvez fique ali meses, ou anos!

Sei lá  eu,

         ficarei enquanto tu deixares...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Des(mente)

Tu, incondicionalmente tu

Que mentes, demente

Mente verdadeiramente, cru

Indecente, indolente, tu.


Gente meramente nada

Quente, falsidade ardente,

Rente, inteiramente

Vida desfragmentada.


Transparente água corrente

Remetente a limpidez existente

Fugaz, breve, posteriormente

Mentira poluente co-existente.


Sente, tu, indiferente,

Resumida a pó

Jaz solenemente

A mentira a mim dita

Criatura idió…ta,

Desmente!
By Pedro Azevedo (Litos)

Sonho!

Sonhar por quem já não consegue mais caminhar, sozinho.
Hoje, hoje é diferente. O sonho pode vir a tornar-se real, acredito nisso, a cada minuto que passa, cegamente.
Não me canso de ver as memórias serem relembradas por cada sonho que tenho. A vontade de sentir tudo de novo, é bem maior que o desejo.
Já sei, que depois de todos os sorrisos envergonhados, ficamos juntos, pois significa que tudo o que sonhei até agora, se demonstrou através de um simples momento a sós, contigo.
Gritar o teu nome, sem saber porquê. Grito porque quero que seja um sonho real, quero que tudo o que é devaneio, se torne numa vida.
Ao ver as imagens de cada dia que passa, toco no teu rosto, e sinto o ar sair de ti, sinto cada traço do teu rosto, sem qualquer receio, sinto-te natural, de no fim deixo-me levar porque sei que ambos ansiamos por este momento.
Encosto a tua testa á minha, e sinto os teus pensamentos, que se fazem notar através dos teu gestos meigos, dos gestos que fazem a minha alma cair por este chão e me fazem render a todos os teus encantos.
Pode parecer estranho, mas nunca me hei-de cansar de ver tudo isto como um mero sonho, porque sei que um dia, um dia isto tudo irá acontecer, basta ter alento para que tal se torne verdadeiro.
Com a palma da tua mão, fechas-me os olhos com calma, para que cada pedaço de receio se faça quebrar, para que toda a incerteza do correcto e do errado se faça abalar pelo quarto para surgir o idealizado perfeito.
E pela noite fora, aconchegas a tua cabeça no meu peito, sem qualquer medo, vamos saborear todos os raios de luar que nos decidirem tocar, e neles vamos simplesmente deixar transparecer o gesto de ternura que até agora não conseguimos tomar.
-by Pedro Azevedo (Litos)

Gerações

Desde o início desde blogue que foi uma das minhas intenções consegui-lo de alguma forma, intergeracional. Porque, continuo a pensar, que as barreiras que artificialmente vamos construindo e inventando entre gerações contradizem a essência dos sentimentos, que afinal, são transversais ao tempo.
Claro que, da mesma forma que não se idealiza o Mundo no século XXI da forma que se idealizava no século XIX, naturalmente que também de geração para geração, a concepção global do Mundo que se tem, apresenta variações, diferenças de interpretação, diferenças de sentir.
Mas lá por baixo, na essência do que somos, do que sentimos, é "muito mais o que nos une do que aquilo que nos divide!
Parece-me que os dois posts que se seguem, textos construidos por um jovem colega meu a quem pedi autorização para colocar neste meu blogue, mostram bem o que acabei de dizer, para além de, em minha opinião, serem muito agradáveis de ler e de sentir. Obrigado Pedro Azevedo!
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